(…) Féeeeeerias

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Queridos leitores,

Estou de férias e vou fazer a segunda coisa que mais amo depois de comer: viajar. Nesse período também vou aproveitar para resolver algumas questões técnicas do blog. Sendo assim, volto com o ritmo normal de postagens no fim do mês, mas continuarei postando links legais lá na página do Facebook.

Já estou com saudades!

Até logo,

Marina.

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(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 5

Acabou…

Pronto, gente. Hoje foi o última dia. Para todos que me chamaram de doida, inconsequente, que falaram que eu ia engordar, emagrecer, ficar anêmica, perder o cabelo… estou aqui, do mesmo jeito que comecei. Pelo menos fisicamente.

Desse período, além de toda a reflexão que já fiz por aqui, sobre pensar na comida do ponto de vista da necessidade e da percepção que vivemos com excessos, fica uma sensação de que preciso ser mais humilde. Depois de bater um pratão de feijão com arroz como se fosse um manjar dos deuses, percebi que muitas vezes tenho o nariz em pé quando olho o que tem na minha geladeira e penso que não tenho nada para comer.

O que achei mais curioso nesse período foi ouvir as pessoas chamando o que eu estava fazendo de “dieta”, no sentido de ser algo com intenção relacionada ao peso ou à saúde. Eu sei que, na nossa realidade de quem tem um computador para ler esse texto, a privação de comida está sempre ligada a uma dieta de emagrecimento. No entanto, o que eu estava fazendo não era isso. Fazer uma dieta desse tipo significa que você tem escolha; que é possível optar por restringir sua alimentação. Ainda que o desafio não refletisse fielmente a realidade das pessoas que vivem na miséria, era um jeito de sentir, dentro do possível, o que é não ter a liberdade que normalmente temos na hora de se alimentar.

Quando os idealizadores do projeto criaram esse desafio, estavam numa conversa sobre como era difícil entender de verdade a situação da pobreza extrema sem estar dentro dela. E que a parte mais difícil era comunicar exatamente essa ausência de escolha e oportunidade dessas pessoas. Tenho certeza que, das dezenas de pessoas que acompanharam o meu desafio, talvez um ou duas entenderam ou apoiaram, mas isso não tem problema. Agora vejo que esse realmente é um assunto difícil, que incomoda, que nos faz sentir culpados, ou impotentes. Por isso, talvez seja normal que a reação inicial fosse me achar doida, dizer que teria problemas de saúde, porque isso é focar num pedaço pequeno da ação e não no que ela está tentando representar.

Agora, no fim dos meus 5 dias, não vejo a hora de voltar ao “normal”. Por outro lado, estou sentindo um peso de pensar que para essas pessoas esse é o normal. Sim, o que eu fiz não impactou em nada na realidade da pobreza, mas fez diferença na minha consciência. Talvez isso já seja um bom começo.

Menu – Dia 5

Almoco_dia_5

Contagem_dia_5

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(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 4

E agora, José?

Depois de pensar tanto sobre a fome ontem, hoje acordei com a completa falta dela. Tomei o café da manhã achando que ia abrir o apetite e nada. Almocei sem fome, lanchei sem fome, jantei sem fome. Como assim? Pois é, não sei. No meio do dia, comecei a me sentir culpada. Como se a falta de fome significasse que estava fazendo alguma coisa errada no desafio. Que estava comendo demais, quem sabe, mesmo dentro do orçamento. Terminei o post de ontem do blog perguntando se as pessoas se acostumam com essa situação. E por alguns momentos pensei que sim, e que isso estava acontecendo comigo: meu corpo aprendeu que a quantidade de comida oferecida para ele seria pouca e se virou com o que tinha, sem gerar a sensação de fome.

Agora, no final do dia, estou pensando diferente. Talvez existam ondas de fomes. Dias bons e ruins. Hoje fiquei o dia todo em casa, estava descansada, relaxada. Não foi um dia normal, com atividades, preocupações etc.

Ainda acho que a fome, essa que as pessoas abaixo da linha da pobreza sentem, não é algo que você se acostuma – porque isso significaria que, diante da abundância de alimento, o costume faria com que essa população negasse comida. A expressão certa talvez seja resignação. Afinal, para eles não há escolha. Pensando nisso, quem sabe também minha falta de fome veio da tranquilidade que, ao contrário deles, eu possuo escolha. Depois de amanhã o desafio acaba e eu posso voltar para minha alimentação normal que, agora percebo mais do nunca, é tão abundante.

Menu do dia

Almoco_dia_4

Almoço e jantar de hoje: batata recheada com purê de abóbora, cenoura e vagem. Cozinhei a batata até ficar al dente, parti ao meio, retirei o centro dela e misturei com abóbora assada e amassada. Salpique queijo e levei ao forno.

Menu_dia_4

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(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 3

Fome, faim, faminem

Acordei mais cedo do que queria no feriado e a TV estava fora do ar. Isso significava que a internet também estaria. Fiz meu chá, comi meus dois biscoitos e sentei na mesa da cozinha pensando no que fazer. A mente viajou e me lembrei de quando fui a uma reunião dos Vigilantes do Peso, há muito tempo, e ouvi a moça explicando sobre os tipos de fome. Que deveríamos ser capazes de diferenciar a fome física da fome emocional. O objetivo era se livrar especialmente dessa última, que é quando a mente pede por comida – para manter um hábito, aliviar a ansiedade, por tédio ou qualquer outro motivo – sem que o corpo precise.

Achava que conhecia essas duas fomes muito bem – mas não sabia que um dia ia experimentar a fome física de um jeito tão intenso. Que ficaria esperando a hora do jantar sonhando com um alface bem crocante. Lembrei da minha mãe, na minha adolescência, respondendo à pergunta “mãe, estou com fome, o que tem para comer?” com um simples “tem pão”. Eu virava a cara e ela dizia “então você não está com fome de verdade”. Eu ouvia aquilo uma frase chata de mãe, mas agora entendo o que ela queria dizer. Que a fome associada à vontade de comer coisas específicas, e não necessariamente o que está disponível na geladeira, é diferente dessa fome que devoraria qualquer comida que estivesse pela frente.

É claro que minha fome durante o desafio também tem um componente emocional, pois estou cercada de comidas que poderia comer e com certeza essa tentação causa ansiedade. Mas nunca ouvi meu estômago roncar tão alto e tive a sensação de “cabeça leve” perdurar o dia todo. Em alguns momentos tenho dificuldade de concentrar e raciocinar. Fico pensando: se isso que eu estou sentindo é um milímetro da fome que as pessoas na miséria passam todos os dias, o que será que essas pessoas sentem então? Como será que é essa fome? Será que, como escuto muitas pessoas me dizerem, com um tempo elas se acostumam?

(Desafio “Abaixo da Linha” – dia 1 / Desafio “Abaixo da Linha” – dia 2)

Menu do dia

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No almoço fiz uma farofa com farinha de milho, abobrinha e ovo que ficou ótima e rendeu também para o jantar!


Menu_dia_3

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(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 2

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Sono, comida gostosa e um dedão cortado

O segundo dia do desafio começou cedo: às 7h eu estava de no pé para deixar meu almoço pronto. Depois de comer meus dois biscoitos destinados para a manhã bem devagar, querendo que não acabassem, fui começar a preparação da comida. Na hora de cortar a abóbora, a faca escorregou e cortou meu dedão. Má ideia cozinhar com sono.

A ideia era fazer uma panqueca recheada com abóbora. Depois de assar a abóbora eu amassei com um garfo até virar um purê. As panquecas fiz com uma receita simples que mistura bem leite, ovo e farinha e deixa descansar 20 minutos na geladeira. Depois aqueci uma frigideira antiaderente e fui entornando porções da massa enquanto girava a frigideira. Uma receita rendeu 4 discos (almoço e jantar!) e estava uma delícia. Bom, pode ter sido a fome, mas realmente adorei a panqueca.

Antes de ir para almoçar, vi uma promoção de alface por 0,98 centavos em um sacolão e levei um para casa. Comprei também dois itens novos, pois os que tinha em casa haviam acabado: pão de forma e biscoito. Consegui um preço bom para comprar os dois integrais, mas ainda assim foram mais caros que os regulares, o que significa que poderei comer menos de cada.

No lanche acabei optando por comer mais uma fatia de pão de forma do que programado, pois estava me sentindo muito fraca. Acabei passando 20 centavos do orçamento diário, mas como ontem terminei com dinheiro sobrando, achei que não teve tanto problema.

No final do dia, não sei se foi fome, cansaço ou o quê, mas só queria comer, deitar no sofá e dormir…

Menu do dia

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(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 1

Dá para se alimentar diariamente com apenas R$3? Essa é a proposta da campanha “Live below the line” ou “Viva abaixo da linha”. Criada pela ONG The Global Poverty Project, ela propõe um desafio: passar 5 dias se alimentando com o orçamento de R$ 3 por dia.

Esse valor, que na verdade é a conversão de U$1,50, é o que 1,4 bilhões de pessoas no mundo tem para sobreviver. Ou seja, é o orçamento usado não só para alimentação, mas também para saúde, trasporte, lazer, educação… O desafio foca apenas na comida porque é algo mais fácil de experenciar. E se já é difícil cumprir esse limite com alimentos, imagine se fosse necessário incluir todo o resto.

Eu decidi topar o desafio e relatá-lo aqui no blog para propor um pensamento sobre nossa relação com a comida. Quem gosta muito de comer e/ou cozinhar como eu – e imagino que como vocês também – acaba tendo uma relação com a comida cujo alicerce é o prazer, e não a sobrevivência. No meu caso, eu também penso sempre em termos de saúde ou de calorias em um prato, mas nunca no quanto ele pode me sustentar durante o dia. Essa mudança de perspectiva pode ser muito rica no sentido de identificar os luxos que temos na cozinha e que acabam passando desapercebidos.

Metodologia

Junto comigo existe um grupo  brasileiro fazendo o desafio nessa mesma semana. Você pode acompanhar a experiências deles por aqui. A maioria fez compras no último domingo considerando o orçamento total de R$15. A forma mais inteligente de fazer o desafio é mesmo essa, pois juntando-se a várias pessoas é possível comprar e dividir alimentos que só são vendidos em grande quantidade, como arroz e feijão.

Como eu não consegui me juntar a um grupo, resolvi fazer um pouco diferente, inspirada em relatos de alguns blogueiros gringos que também fizeram o desafio. Decidi usar o que já tinha em casa, levando em consideração o valor desse alimento. Sendo assim, como tinha acabado de abastecer a despensa, peguei o preço total dos produtos e calculei de acordo com um porção individual padrão. Algumas coisas precisei comprar, como óleo de soja, macarrão comum e molho pronto de tomate. Como é difícil calcular o preço dos temperos, usei uma média de R$ 0,05 para o conjunto sal, pimenta e mais algum outro tempero em pó. Alho não está incluso.

A tabela ficou assim:

Tabela_1

Com os preços calculados, montei meu cardápio do dia considerando que o total não poderia passar de R$ 3. Nessa semana vocês vão acompanhar por aqui e na página do Sal de Bolinha no Facebook como estou me saindo nessa empreitada.

***
Dia 1 – Um pouco de fome e muita matemática

Almoco_dia_1

Depois de fazer muitas contas para montar a tabela acima, fiz os cálculos do que daria para comer no dia. Originalmente, iria comer feijão no jantar, mas ele não ficou pronto a tempo. Então fiz uma substituição.

A primeira coisa que percebi enquanto fazia a matemática é que esse valor torna quase impossível fazer escolhas mais saudáveis, como optar pelo pão e macarrão integral ou usar azeite nas preparações. Usar óleo de canola ou girassol também não dá, já que são muito mais caros que o de soja.

A segunda impressão foi relacionada às proteínas, que com certeza são o item que mais pesa no orçamento. Não comprei nenhum tipo de carne porque achei tudo muito caro no supermercado onde fui. Se encontrar alguma promoção no açougue, talvez consiga incluir no cardápio. O mesmo aconteceu com as frutas, que estavam bem caras.

Terminei o dia com um pouco de fome e dor de cabeça, pensando que essa sensação provavelmente vai aumentar nos próximos dias…

O menu foi:

- Café da manhã – Água
- Almoço: Arroz com cenoura, vagem, alho e cebola temperado com sal, pimenta-do-reino e açafrão.
- Lanche: 5 biscoitos Maizena
- Jantar: 1 pão de sal com uma fatia de queijo

Contagem:

Tabela_2

 

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Rachel Khoo + Salada de inverno com mousse de gorgonzola

Outro dia comentei na página do Sal de Bolinha no Facebook que minha nova obsessão é a Rachel Khoo. Quando vi seu programa de culinária pela primeira vez, há alguns meses, corri para a internet para saber de onde tinha surgido aquela mulher linda, naquela cozinha fofa, com aquele sotaque de morrer.

Descobri que ela era inglesa, se mudou para Paris para estudar na Le Cordon Bleu e acabou abrindo um restaurante “pop up” na sua casa, onde servia jantar apenas para dois casais por noite. A ideia do restaurante começou a se espalhar pelas redes sociais e fez muito sucesso entre os franceses. Depois de escrever dois livros em Paris, estreou no ano passado o programa “The Little Kitchen” pela BBC.

Eu poderia falar sobre o jeito dela “normal” com que ela faz o programa, sem usar as descrições literárias da Nigella ou jeito desorientado do Jamie Oliver, ou do estilo vintage (que eu amo) de suas roupas e do cabelo, ou da maravilha que são receitas que não tem vergonha de usar bacon ou manteiga… Mas vou falar da cozinha. Gente, o que é essa cozinha?

É linda. E é pequena. De repente, eu que sempre quis uma cozinha imensa, com mil utensílios e uma batedeira Kitchen Aid cobalto, percebi que não só ela prepara pratos diariamente nesse espaço limitado, como abriu um restaurante em casa e filma um programa de TV ali mesmo, com a bancada pequena, o fogareiro de duas bocas e utensílios meio velhinhos, como uma bacia branca que parece bem rodada e ela usa para misturar tudo. O engraçado é que esse é o tipo de coisa que acontece todos os dias pelas casas do mundo: pessoas cozinhando coisas deliciosas em cozinhas pequenas, com poucos utensílios. Daí a gente vê na TV e acha incrível…

Só sei que, de tanto assistir esse programa, fico me perguntando se devo mesmo fazer aquelas compras para a cozinha que estavam nos meus planos. Será que vale mais investir no conhecimento do que no equipamento?

(Se você quer saber mais da Rachel Khoo, recomendo essa matéria do The Guardian)

***

Salada de inverno com mousse de gorgonzola
O frio está chegando devagar e com ele a vontade de comer salada some. Por isso, acho que essa versão com legumes assados e com o toque aveludado do mousse de gorgonzola é capaz de ressuscitar (ou despertar) em qualquer um o prazer de comer vegetais.

Salada_Inverno_1

Inspirada por uma receita da Rachel Khoo

Rendimento: 2 porções

Ingredientes

- 2 cenouras
- 1 beterraba pequena
- 1 cebola pequena
- 10  a 12 vagens
- 1 maça fugi pequena
- 2 colheres de sopa de óleo de girassol

Para a mousse

- 25 gramas ( duas fatias grossinhas) de queijo gorgonzola
- 1/2 colher de sopa leite integral
- 1 colher sopa de creme de leite

Para o vinagrete

- 2 colheres de sopa de azeite
- 1 colher de chá de suco de limão
- Sal e pimenta-do-reino moída na hora à gosto


Como fazer

1. Comece pela mousse de gorgonzola. Coloque todos os ingredientes em uma tigelinha e vá amassando o queijo com um garfo, enquanto mistura. Leve essa pastinha para a geladeira enquanto prepara o resto da salada.

2. Para o vinagrete, misture todos os ingredientes e bata com um garfo até ficar bem homogêneo. Tempere e leve também para a geladeira.

3. Preaqueça o forno a 200 graus. Corte a cenoura no meio, no sentido do comprimento. Parta no meio novamente e corte os filetes pela metade. Tire as pontas da vagem e parta ao meio. Corte a cebola em 4 partes no sentido do comprimento e desprenda suas camadas.

4. Arrume todos os legumes numa assadeira em uma só camada, com alguns centímetros de espaço entre eles. Regue com o óleo e misture bem.

5. Leve ao forno por cerca de 20 minutos, ou até que os legumes comecem a dourar. Nesse ponto, tire o miolo da maçã, corte em fatias e junte-a aos legumes na assadeira. Asse por mais 10 minutos ou até que os legumes estejam dourados, porém ainda crocantes.

6. Enquanto isso, descasque a beterraba e corte fatias finas. (Se você não gosta da beterraba crua, leve-a ao forno separadamente, para não tingir todos os legumes de rosa).

7. Para montar a salada, faça um “composée”, como dizem os franceses. Em vez de misturar tudo,  arrume cada pedaço de legume no prato por vez, como se fosse montar um desenho. Com uma colherinha, coloque porções de mousse nos espaços entre os legumes e regue com o vinagrete.

 Salada_Inverno_2

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