Orgulho alheio + Geleia de figo

Quanto mais me envolvo com o mundo da comida e seus aspectos afetivos, sociais, econômicos e políticos, mais me orgulho quando encontro um prato ou produto que, além de valorizar o gosto, também se importa com todas essas outras questões. É um tipo de “orgulho alheio” por aqueles que incentivam o produtor local, atentam para os detalhes no processo de produção, valorizam seus empregados e cultivam confiança no cliente. Já senti isso pelo pão de queijo que vende pertinho da minha casa, feito até hoje com a receita da avó do dono; pelo limão siciliano da barraca do seu Livaldo, sempre muito brilhante e suculento; pelas carnes vermelhas feito desenho animado vendidas no Dickson’s, em NY, e em tantas outras situações.

Na semana passada, o sentimento apareceu por um queijo, o Catauá. Quem deu a dica foi o jornalista Eduardo Girão, que comeu o bendito em um restaurante de BH. Pesquisando sobre o Catauá, descobri que ele é produzido por João Dutra, no Sítio dos Coqueiros, na cidade de Coronel Xavier Chaves, bem no alto da Serra da Mantiqueira. As vacas vivem em regime semiconfinado, são tratadas só com homeopatia e se alimentam de pasto cultivado quase totalmente com adubos orgânicos.

Fui atrás dele no Mercado Central e dei sorte de pegar o último disponível. Assim que cheguei em casa e comi uma fatia, todas as informações que tinha sobre o queijo se diluíram em maravilhamento. O sabor ácido e salgadinho, a textura firme e os buraquinhos (são olhaduras, ensinou minha avó) me transportaram para uma mesa ao lado do fogão à lenha.  Tive vontade de abraçar seu João  e dizer pra ele nunca abandonar esse jeito de fazer as coisas.

Quando contei para os amigos da minha descoberta, a primeira pergunta foi sobre o preço. Diante da resposta, muita gente achou o valor absurdo, mesmo depois da minha explicação sobre como o produto é bem feito. Talvez porque estivessem comparando com outros queijos mineiros – realmente temos queijos de todos os tipos e preços. Ou então porque estamos acostumados a pagar mais caro pelas variedades importadas, como um brie ou gorgonzola.

Sei que essa questão de valor é sempre subjetiva. No entanto, para mim, se meu dinheiro pode comprar mais que um ótimo queijo, mas um queijo de dar orgulho, então vale cada centavo.

***

Geleia de figos

Quando experimentei o Catauá, logo imaginei que ficaria delicioso com doce de leite ou uma geleia docinha, feito a de figo. Aproveitando o fim da safra da fruta, comprei algumas bem maduras e fiz pouca quantidade, para consumir no dia. Mas você pode dobrar ou quadruplicar a receita e guardá-la em vidros esterilizados para durar mais tempo na geladeira.

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Rendimento: 1 xícara

Ingredientes

- 250 gramas de figos frescos e maduros (8 a 9  figos)
- ½  de xícara de açúcar cristal
- 1 canela-em-pau
- Suco e raspas de ½ limão tahiti

Como fazer

1. Lave os figos sob água corrente, coloque em uma tigela e entorne água quente sobre eles até cobrir. Deixe repousar por dez minutos. Isso ajuda a matar alguma bactéria ou sujeira que tenha ficado na casca e faz a geleia durar mais.

2. Escorra a água e tire os cabinhos dos figos. Corte cada fruta em oito partes (ou em quatro, se você gosta da geleia mais pedaçuda, como eu). Coloque os pedaços numa panela pequena, a mais pesada que tiver, e adicione o açúcar, a canela, as raspas e o suco do limão. Misture tudo delicadamente, tampe e deixe a panela na geladeira por no mínimo três horas. O ideal é deixar de um dia para o outro.

3. Na hora de preparar a geleia, coloque um pratinho no freezer para testar o ponto. Leve a panela destampada no fogo médio até a mistura ferver. Abaixe o fogo e deixe apurando por cerca de 20 minutos, mexendo de vez em quando e amassando os figos com as costas da colher.

4. Quando começar a engrossar, teste o ponto da geleia, colocando um pouco no pratinho que estava gelando. Volte com ele para o freezer por alguns minutos e depois empurre a geleia com o dedo. Se estiver firme e a superfície enrugar levemente, está pronta.

5. Transfira para um potinho e sirva. Se estiver fazendo em maior quantidade, coloque em potes esterilizados e mantenha na geladeira.

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Vamos falar de séries + Bolinhos de limão da Sansa

Eu sei que nessa vida não existe unanimidade. Já conheci até quem detestasse nutella, veja que coisa. Ainda assim, tenho dificuldade de entender aqueles que não gostam de Game of Thrones. Tudo bem, você pode até não assistir, achar que não é seu estilo. Mas ver o primeiro capítulo e não se sentir fisgado parece tão impossível quanto não achar graça no Joey bebendo um galão de leite em dez segundos.

Apesar de ser muito fã de GoT, não diria que é minha favorita. Aliás, quem inventou essa história de ter que escolher uma coisa preferida? Filme, livro, sobremesa, amigo. Detesto isso; fica parecendo que se eu escolher torta de maçã, o crème brûlée vai ficar bravo comigo.

Voltando ao assunto: séries. Fiz uma lista das que mais gosto atualmente. Como toda lista, tenho certeza que está faltando alguma  incrível que você assiste e eu não. Me conta?

A muito foda

Essa categoria teve empate: não consegui escolher entre Game of Thrones e Breaking Bad. As duas são sensacionais de jeitos bem diferentes, mas compartilham de importantes semelhanças: história e personagens muito bem construídos, que fogem do lugar-comum e do maniqueísmo. Com Breaking Bad, a sensação é de que você está sempre no penúltimo capítulo; que em breve tudo vai dar errado. Já Game of Thrones subverte nossas expectativas a todo momento, mesmo quando esperamos pelo absurdo. Bem cedo aprendi a não tentar adivinhar o final da história e, principalmente, não me apegar a nenhum personagem. Quer dizer, acho que ainda não aprendi essa última parte.

A que mudou minha vida

O dia a dia de uma família dona de uma funerária não me parecia o tipo de história que gostaria de acompanhar. Ainda assim, dei uma chance para Six Feet Under – e me dei bem. A série é brilhante em apresentar a morte como algo real, natural e até meio engraçado. Ao mesmo tempo, não te deixa esquecer o quanto é também difícil. Nenhum filme, livro ou série tinha tirado meu sono, até que assisti o episódio final desse seriado. Passei a noite em claro, pensando (literalmente) na vida.

A que mora no coração

Não sei quantas vezes já assisti cada capítulo de Friends e quanto diálogos decorei. Recentemente li algumas críticas sobre como a série é coxinha e seus personagens alienados, e até concordo em parte. Ainda assim, até hoje dá um quentinho no coração quando estou zapeando pela TV e encontro um episódio qualquer passando.

A mais recente paixão

Lena Dunhan tem 27 anos e é quem eu quero ser quando crescer. Ela dirige, escreve e atua em Girls, uma série sem medo de ser honesta e onde nada segue um padrão, desde os corpos que aparecem pelados na tela até as relações entre amigas. Exatamente por isso, é tão fácil se identificar com as histórias.  Morro de raiva quando falam que Girls é um novo Sex and the City. Enquanto a vida de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha girava em torno dos relacionamentos amorosos, Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna estão atrás de si mesmas. Sim, elas são egocêntricas, mas quem não é aos 20?

A que acompanho há mais tempo

Desde 2005 eu troquei de namorado, de emprego e de casa mais de um vez. Uma coisa permaneceu: ainda assisto Grey’s Anatomy. Mesmo quando os episódios são ruins, os personagens meio chatos e os desastres de final de temporada cada vez piores, tem Cristina e Grey, o motivo pelo qual acompanho até hoje. O embate entre carreira, família, relacionamento e identidade nunca fica velho.

Mensão honrosa

Mad Men tem um lugar na minha lista mesmo sendo uma série inconsistente: tem episódios incríveis, outros ruins e vários médios. Basicamente o que me segura é o personagem do Don Draper, um cara muito babaca, atormentado e genial – mas também assisto para alimentar meu fetiche pelos anos 60, principalmente com as roupas e acessórios de Joan e Betty.

***

Bolinhos de limão da Sansa

Sansa, personagem de Game of Thrones, faria qualquer coisa por um bolinho de limão – até se abrir com quem não devia, como vimos em um episódio da última temporada. Como parte de uma campanha de divulgação de Game of Thrones, em 2011 o chef Tom Colichio desenvolveu receitas inspiradas na série que eram vendidas em um food truck, e esse bolinho era uma delas. O jeito de assar faz com que o ele tenha duas texturas, uma bem aerada e outra que lembra pudim. Juntando isso com o sabor bem acentuado de limão, é uma sobremesa que me convenceria a falar de qualquer coisa também.

Rendimento: 18 bolinhos

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Ingredientes

- ½ xícara de açúcar comum
- 2 ovos
- ⅔ de xícara (chá) de leite comum
- 1 colher (sopa) de vinagre branco
- 3 colheres (sopa) + 1 colher (chá) de farinha de trigo
- 2 colheres (sopa) de suco de limão (usei limão capeta e acredito que daria certo com o siciliano ou tahiti)
- Raspas de 2 limões
- ⅛ colher (chá) de sal
- Manteiga e açúcar comum para polvilhar as forminhas
- Açúcar de confeiteiro para polvilhar e chantilly para servir (opcional)

Como fazer

1. Misture o leite com o vinagre e deixe repousar até que o leite talhe, cerca de 10 minutos.

2. Enquanto isso, preaqueca o forno a 150 graus. Unte 18 forminhas de empada de 6 cm de diâmetro. Polvilhe açúcar para forrar os fundos e as laterais de cada forminha. Arrume-as em uma assadeira de laterais altas.

2. Misture a farinha, o açúcar e o sal em uma tigela.

3. Separe as claras das gemas.

4. Com a tigela da batedeira e os batedores bem limpos e secos, bata as claras em neve até que se formem picos macios. Reserve.

5. Bata as gemas com o suco de limão, as raspas de limão e o leite talhado até que espume. Junte os ingredientes secos e continue batendo apenas até a farinha desaparecer da massa.

6. Junte ⅓ das claras misturando vigorosamente com um batedor de arames. Adicione o restante e incorpore delicadamente, usando uma espátula e fazendo movimentos de baixo para cima.

7. Com ajuda de uma colher grande, encha as forminhas, deixando 1 cm de espaço na borda.

8. Ferva uma chaleira com água e entorne a água quente na assadeira, bem devagar, até que alcance a metade da altura das forminhas. Cubra a assadeira com papel alumínio, segure nas duas laterais e, com MUITO CUIDADO, leve a assadeira ao forno.

9. Asse por 25 minutos. Retire o papel alumínio e asse por mais 15 ou até que o topo esteja levemente dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio do bolinho. Retire do banho-maria e deixe esfriar um pouco antes de desenformar.

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Palavra de mãe + Sopa cremosa de cogumelos

Na terça-feira minha nuca sentiu o primeiro vento frio do ano. E, de repente, fui tomada por uma sensação completamente estranha: vontade de tomar sopa. Pensei baixinho, com medo de alguém ouvir – principalmente se esse alguém fosse minha mãe, que durante minha vida inteira me ofereceu sopa de legumes no jantar. Nos dias gelados e nos quentes também.  Mesmo eu explicando todas as vezes que odiava sopa, ela sempre respondia: “vou continuar perguntando, caso um dia você mude de ideia”. Isso é bem coisa de mãe falar, né?

Por muito tempo continuei firme na minha posição Mafalda de ver sopa como uma afronta à minha pessoa. Enquanto isso, aprendi a gostar de outras coisas, tipo salada. E fui deixando de curtir algumas, como alho-poró (na verdade acho que nunca fui fã – apenas me sentia obrigada a achar gostoso por ser um vegetal da moda). Em algum momento da vida, provavelmente num dia frio de congelar pensamentos (o que em BH quer dizer 14 graus), aceitei experimentar uma sopa de abóbora. Achei gostosa. Depois teve uma de tomate, boa também. E, assim, fui aceitando devagarinho que a sopa entrasse no meu coração.

Vai ver algumas comidas são como certas pessoas. Não acontece um apego instantâneo: é preciso insistir, tentar outra abordagem, dar mais uma chance, até conhecer mais de perto e descobrir que, no fundo, no fundo, ela é boa coisa.

Quando vi a receita dessa sopa, achei que tinha potencial. Era fácil, rápida e com cogumelos, uma paixonite recente. Assim que bati a mistura no liquidificador, pensei: “essa coisa meio cinza, meio marrom não tem como ser boa.” Completamente desconfiada, enfiei o dedo mindinho na mistura e provei (sim, usei o dedo, não vem fingir que você também não faz isso na cozinha). Eu, que já estava refletindo sobre qual outra receita teria que fazer para o blog, já que aquela estava arruinada, fui surpreendida. Aquilo era muito bom!

Não bastasse estar certa sobre os dias que chovem e os benefícios da arnica: ela também acertou sobre a possibilidade de mudar de gosto. Mãe, você venceu.

Mas a sopa de legumes eu ainda não encaro.

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Sopa cremosa de cogumelos

Mesmo com minha tendência “Mafalda” eu adorei essa sopa: dá para sentir os cogumelos, mas ao mesmo tempo é suave. E a cor meio esquisita ajuda no fator surpresa!

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Serve duas porções

Ingredientes

- 200 gramas de cogumelos variados (paris, shitake, shimeji, etc. Você pode usar só um tipo também)
- 1 colher de sopa de azeite
- ¼ de cebola picadinha
- 1 dente de alho picadinho
- 2 colheres de sopa de vinho tinto, branco ou conhaque
- 1 ¼ xícara (chá) de água quente
- 1 ½ colher (sopa) de farinha de trigo
- 1 xícara (chá) de leite
- Ervas variadas (eu usei oito folhas de sálvia, cinco de manjericão e uma de louro)
- 2 fatias grossas de queijo minas cortadas em cubinhos
- Sal, pimenta e noz-moscada à gosto

Como fazer

1. Amarre bem as ervas usando uma linha de costura branca, formando um montinho.

2. Descarte os cabinhos mais duros dos cogumelos. Limpe-os usando um papel toalha levemente umedecido com vinagre. Os cogumelos não devem ser lavados na água, pois encharcam. Em seguida, pique em fatias finas.

3. Em uma panela no fogo médio, aqueça o azeite e junte a cebola, mexendo até começar a dourar. Acrescente o alho e, assim que perfumar, coloque os cogumelos. Mexa até que eles murchem.

4. Abaixe o fogo. Junte o vinho ou conhaque e deixe ferver por um minuto. Em seguida, coloque a água quente e o amarrado de ervas, tampe a panela e deixe mais 15 minutos.

5. Descarte as ervas e separe duas colheres de sopa dos cogumelos para usar na finalização.

6. Dissolva a farinha no leite e junte à sopa, mexendo até engrossar levemente.

7. Deixe a sopa esfriar um pouco e transfira para um liquidificador. Bata até ficar lisa, volte para a panela e aqueça novamente. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada.

8. Sirva bem quente, com os cubinhos de queijos salpicados, os cogumelos reservados e um fio de azeite.

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Pão com coisa dentro + Massa rápida de pão

Na semana passada, inspirada por um post na página do Sal de Bolinha e no meu perfil pessoal, eu criei o tumblr “coisas estranhas que eu comia quando era criança”. Quando perguntei para as pessoas o que elas comiam de esquisito quando pequenos, vi que várias das lembranças envolviam pão: com toddy, açúcar, leite condensado, goiabada. Eu, por exemplo, colocava sorvete – e tinha que ser de pistache.

Isso me fez lembrar do diálogo que mais ouvi na vida entre minha mãe e meu irmão:

- Mãe, o que tem pra comer?
- Tem pão.

Ele ficava bravo com a resposta, pois minha mãe não entendia que a perguntava tentava investigar se havia algo “diferente” na cozinha. Pão era uma constante – na minha casa e imagino que na de muita gente também. Talvez por isso a gente tenha inventado tantas combinações com ele.

Fosse sorvete ou presunto, eu amava (aliás, amo até hoje) tudo que era “pão com coisa dentro”. Meu recheio favorito é carne moída, mas já foi hambúrguer frio, daqueles industrializados mesmo. Minha mãe fazia no dia anterior e eu levava isso de merenda pra escola. Pão de batata com hambúrguer frio – e mais nada. Vai entender.

Depois de adulta aprendi a comer as versões integrais, mas me recuso a tirar o trigo da minha vida. Quando fiz dieta da proteína, morri por dentro durante  três semanas sem nenhum pãozinho. E logo que desisti dessa loucura, lembro que comprei um pão de sal, passei manteiga, tostei na frigideira e comi com a boca boa, achando sensacional.

Às vezes a gente precisa ficar sem as coisas simples da vida para entender a beleza delas, né?

***

Massa rápida de pão

Quando vi essa receita lembrei do meu amigo João Renato, que não faz pão por não ter paciência de esperar todo aquele tempo entre etapas. Nessa receita, da mistura dos ingredientes ao pão na mesa se passam menos de duas horas. Apesar de não crescerem muito no forno, os pães ficam macios e bem saborosos. Gostei também que a massa é bem versátil: você pode usar recheios doces e salgados e desconfio que funcionaria para pizza. Agora não tem desculpa, hein, João?

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Ingredientes

- 1 colher (sopa) de fermento biológico seco instantâneo
- 1 xícara (chá) de água morna (lembrando: morna não é quente; é uma temperatura confortável de sentir com a mão)
- 1 colher (sopa) de açúcar
- 2 colheres (sopa) de azeite (se quiser fazer um pão com recheio doce, use óleo vegetal)
- 1 colher (chá) de sal
- 2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo (usei 1 ½ de integral e 1 xícara da comum)

Como fazer

1. Junte o fermento, a água, o azeite e o açúcar em uma tigela grande e deixe fermentar por uns dez minutos, até que surjam bolhas na superfície. (Se não aparecerem as bolhas, sua água estava quente demais, ou fria demais, ou seu fermento está ruim. O jeito é jogar fora e recomeçar.)

2.  Misture o sal na primeira xícara de farinha e adicione à tigela. Vá colocando o resto da farinha aos poucos, mexendo com uma colher grande. Quando ficar ficar pesado, transfira a massa para uma superfície enfarinhada e sove por uns oito minutos, até que a massa fique macia, porém úmida, grudando um pouco.

3. Use um papel toalha para limpar a tigela onde você misturou os ingredientes, unte levemente com azeite e coloque a massa do pão. Cubra com filme plástico e deixe fermentar por 15 minutos. A masa deve crescer, mas não necessariamente dobrar de tamanho (veja mais sobre o ponto em “dicas”).

Massa na primeira fermentação, ainda sem a farinha, e a segunda, pronta para ser modelada

Massa na primeira fermentação, ainda sem a farinha, e na segunda, já no ponto de ser modelada

4. Enquanto espera a fermentação, preaqueça o forno a 200 graus.

5. Trabalhe um pouco a massa e modele do jeito que preferir. Nessa hora você pode também recheá-lo. Eu fiz 6 pães para comer com “coisa dentro”: parti a massa em seis partes iguais, moldei um retângulo com cada uma, dobrei cada extremidade para o meio no sentido do comprimento e rolei sobre a bancada para arredondar um pouco.

6. Deixe os pães fermentarem por mais 15 minutos sobre uma assadeira levemente untada com manteiga ou azeite e coberta por um pano. Eu gosto de deixar a assadeira em cima do fogão, para aproveitar o calor que está saindo do forno.

7. Pincele levemente o topo dos pães com azeite e leve ao forno por 15 minutos ou até que o topo esteja dourado e, ao bater na casca como se batesse numa porta, saia um som oco. Eles não crescem tanto no forno, então não se preocupe. Deixe esfriar pelo menos dez minutos antes de servir, pois o pão precisa desse tempo para distribuir a umidade do centro para a crosta.

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DICAS!

- Na hora de sovar, eu gosto de deixar um recipiente de água do meu lado para umedecer as mãos enquanto trabalho a massa; isso ajuda a massa a ir desgrudando sem precisar usar farinha nas mãos, que poderia ressecar o pão.

- Saber quando a massa fermentou o suficiente demanda um pouquinho de experiência, pois aquela coisa de “dobrar de tamanho” é muito relativa. É importante sentir que a massa está leve, com ar dentro, e um pouco elástica. Existe um teste que costuma dar certo: umedeça as mãos e pressione a massa levemente com dois dedos, deixando uma marca. Se a marca desaparecer lentamente, está no ponto. Se sumir rápido, deixe fermentar mais tempo. Se ficar para sempre, está passando da hora de assar. Se a massa desabar ao toque, sinto muito, passou do ponto…

- Os pães são mais gostosos no dia que são feitos, mas é possível guardá-los em um saco fechado tipo ziplock fechado e aquecer rapidinho no forno na hora de comer.

- Outra opção é congelar depois de pronto. Basta embrulhar em papel filme e levar ao congelador. Na hora de usar, deixe descongelar e aqueça por uns cinco minutos no forno baixo.

- A quantidade de farinha necessária pode variar de acordo com a temperatura do dia ou com a marca da farinha que você está usando. Então vá colocando aos poucos.

- O clima do dia também impacta nos tempos de fermentação. Num dia quente, o pão cresce mais rápido, num dia frio, você vai ter que esperar um pouco mais.

- Infelizmente, por mais que eu dê todas as minhas dicas, fazer pão depende de experiência. É preciso confiar no seu feeling, pois é complicado explicar por escrito a textura da massa, por exemplo. Quanto mais você fizer, mais fácil vai ficar, eu prometo!

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Amor amarelo + Panquequinhas de milho fresco

Desde o post da semana passada, quando falei da Kelly, a criança americana louca por mini-cenouras, fiquei pensando que não é tão estranho assim ser apaixonada por um vegetal. Pode ser difícil achar alguém que morra de amores por chicória ou chuchu, mas ser aficionado por tomate, por exemplo, é relativamente normal (Natália, estou falando de você).

Eu tenho um caso de amor com milho.

Nossos primeiros encontros aconteceram na praia. Entre chupar um picolé de limão e colar uma tatuagem de flor no braço, eu sempre corria atrás do carrinho que soltava o vapor mais cheiroso de todos. Foi em Marataízes que o milho protagonizou uma importante memória de infância: com uma dentada numa espiga, perdi meu primeiro dente de leite.

Lembro de olhar incrédula para o dente fincado no sabugo, chorar, ser acudida pela minha mãe, ir no mar bochechar para estancar o sangramento, voltar para a cadeira de praia e perguntar onde estava o resto do meu milho pra eu terminar de comer. (Um primo tinha jogado fora, com meu dente e tudo. Fiquei fula.)

Ao longo da infância estivemos sempre juntos: na porta da escola; nas espigas quentinhas que eu comia assistindo Sessão da Tarde; no molho do estrogonofe, que vinha sempre com um “extra” de grãozinhos amarelos só pra mim… Na adolescência, das grandes descobertas que fiz, ao lado do beijo na boca e da angústia existencial, estava a pizza de milho e bacon.

Por essas coisas da vida que não se explicam, nosso relacionamento deu uma esfriada na vida adulta. Os vendedores de milho sumiram. A nutricionista não permite cachorro-quente de rua. O vegetal da moda é alho-poró (ninguém vende quiche de milho, o que é uma pena). Ainda bem que minha mãe sabe do nosso amor e, às vezes, quando vou visitar, cozinha algumas espigas para mim.

O cheiro do milho fervendo acelera meu coração e me faz pensar que alguns amores são mesmo para sempre.

***

Panquequinhas de milho fresco

Estou apaixonada por essas panquequinhas. Por mim eu comia todo dia no café, almoço e jantar. Eu nunca tinha usado o milho cru para fazer nenhuma receita gostei muito, pois é um jeito mais rápido de usar o milho de espiga, que eu acho muito mais saboroso. Se você quiser usar o milho enlatado, no entanto, acho que não tem problema.

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Receita da Alice Waters, no livro Chez Panisse Vegetables

Rende 8 panquequinhas

Ingredientes

- ¾ xícara de fubá
- ¾ colher (chá) de bicarbonato
- ¾ colher (chá) de sal
- ⅛ colher (chá) de pimenta caiena ou calabresa
- 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal (25 gramas)
- ½ xícara (chá) de leite
- ½ colher (chá) de mel (usei açúcar mascavo)
-  2 espigas de milho médias (debulhadas vão render mais ou menos 150 gramas de milho ou 1 xícara)
- 1 gema + 2 claras

Como fazer

1. Misture numa tigela o fubá, o bicarbonato, o sal e a pimenta.

2. Com ajuda de uma faca afiada, retire o milho da espiga. Não precisa cozinhar a espiga, vamos utilizar o milho cru mesmo.

3. Numa panelinha, aqueça o leite com a manteiga e o mel (ou açúcar) apenas até que a manteiga derreta. Deixe amornar.

4. Adicione os ingredientes líquidos aos secos devagar e vá mexendo com uma espátula até incorporar tudo. Em seguida misture a gema e o milho.

5. Numa tigela completamente limpa e bem seca, bata as duas claras em neve até que fiquem firmes. Misture as claras ao poucos à massa, incorporando delicadamente, fazendo movimentos de baixo para cima.

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6. Aqueça um pouco de azeite em uma frigideira grande no fogo alto. Com ajuda de uma concha ou colher grande, faça montinhos de massa na panela, cuidando para que haja espaço entre um e outro. Deixe cozinhar por uns dois minutos, até que fiquem dourados no fundo e comecem a aparecer bolhas na superfície. Vire as panquequinhas e doure do outro lado, coisa de mais um minuto mais ou menos.

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Dicas!

- Na hora de comprar o milho, procure por aqueles com os grãos mais claros, pois são mais macios.

- Se quiser servir as panquequinhas bem quentes, ligue o fogo baixo antes de começar a receita e, assim que as panquecas forem ficando prontas, coloque-as numa assadeira e deixe no forno.

- Algumas opções de como servir:

   *No café da manhã, com manteiga, geleia, mel ou requeijão. Fica uma delícia com um ovo pochê também.
* Como entrada num almoço ou jantar, junto com uma saladinha verde ou essa que fiz de tomates sem semente picados, cebola roxa e cebolinha temperada com azeite, limão, sal e pimenta.
* Com uma colherada de molho de tomates por cima, salpicada de queijo e levada por alguns minutos no formo.
* Em um piquenique, já que fica ótima em temperatura ambiente e é fácil de transportar.

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PB&J + Manteiga de amendoim caseira

Aos 17 anos, quando trabalhei como monitora de colônia de férias nos Estados Unidos, o momento mais dramático do meu dia não era a noite, quando normalmente sentia muita falta do Brasil. Era o almoço.

Eu precisava levar uma marmita todos os dias, o que seria tranquilo se eu não morasse com uma solteira de 23 anos que raramente lembrava de lavar roupa, quanto mais de abastecer a dispensa. Como os supermercados eram longe e eu ainda não dirigia, dependia da minha insistência e da boa vontade dela para ter algo além de suco de laranja e biscoito em casa.

Nos dias que não tinha nada para levar de almoço, eu precisava recorrer à cozinha da escola onde trabalhava para preparar uma requintada iguaria norte-americana: sanduíche de pão de forma, manteiga de amendoim e geleia de uva. Ou, como era carinhosamente chamado, PB&J, a sigla para peanut butter and jelly. Nas primeiras vezes que comi, achei normal – não era um hambúrguer, mas quebrava um galho. Lá pela oitava vez, estava tão enjoada que preferi passar fome.

Nesse dia, Kelly, a criança com as bochechas mais rosadas do mundo, reparou que eu não tinha nada de comer e me ofereceu um pouco de suas baby carrots, aquelas mini-cenouras com a ponta redonda. Antes preciso explicar que Kelly era completamente obcecada por estas cenourinhas. Todos os dias ela trocava com as outras crianças qualquer coisa que tivesse trazido – fosse batata chips ou cookies – por baby carrots.

Mesmo com fome, precisei recusar as cenourinhas, não só porque eram o almoço dela, mas também porque sonhava com algo mais substancioso. Uns 20 minutos depois, Kelly voltou com alguma coisa embrulhada, me entregou e disse: “Eu consegui trocar metade das minhas cenouras por isso”. Agradeci com um abraço e ela ficou lá, parada, esperando eu abrir o papel. Não sabia se ria ou chorava quando descobri que embaixo do guardanapo havia um sanduíche de manteiga de amendoim e geleia.

Diante daqueles olhinhos azuis, só me restou comer o sanduíche como se fosse o melhor da minha vida. E olha, foi realmente melhor que os outros. Provavelmente porque a cada mordida em pensava: “esse vai ser o último PB&J da minha vida”.

***

Manteiga de amendoim caseira

Mesmo com meu trauma dos sanduíches PB&J, eu continuei gostando de tudo que envolve amendoins. E depois de muito tempo procurando nos supermercados brasileiros uma manteiga de amendoim que fosse gostosa e sem tantos aditivos químicos, descobri que fazer em casa é bem simples e muito gostoso.

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Ingredientes

Para a versão básica:

- 2 xícaras (300 gramas) de amendoim com casca (se optar por comprar o amendoim já torrado e descascado, evite os que já vem com sal, pois costumam ser muito salgados).
- ¼ de colher (chá) de sal

Opcional

- 2 colheres (chá) de mel ou açúcar
- 1 colher (chá) de óleo de amendoim, canola ou girassol

Para a versão de chocolate:

- 2 colheres (sopa) de mel ou açúcar
- ⅓ de xícara (chá) de cacau em pó

Opcional
- 1 colher (chá) de óleo de amendoim, canola ou girassol

Como fazer

1.  Se você já comprou o amendoim torrado e descascado, vá direto para o item 3. Se não, preaqueca o forno a 180 graus. Espalhe o amendoim em uma assadeira grande e leve ao forno para torrar por cerca de 15 minutos ou até que as casquinhas tenham escurecido e começado a soltar. Eu gosto de deixar ele mais clarinho, mas você pode torrá-lo mais se quiser.

2. Espere esfriar um pouco, coloque os amendoins em um pano de prato limpo, feche as pontas e role essa trouxinha em uma superfície lisa para que as cascas se soltem.

3. Coloque os amendoins sem casca e o sal no processador e ligue na velocidade máxima. Deixe batendo até que vire uma pasta lisa. Primeiro ele ficará como uma farofa, depois formará uma espécie de massa e por fim chegará na textura de pasta. Na minha máquina, demorou uns 7 minutos. Se sentir que o processador está esquentando muito, faça algumas pausas. Quanto mais você bater, mais fino vai ficar, então vá provando ao longo do processo até atingir a textura que você mais gosta (lembrando que, na geladeira, a manteiga endurece um pouquinho).

manteiga de amendoim

4. Se quiser adoçar a manteiga, adicione o mel ou açúcar no final do processo. Se quiser ela mais lisa, coloque o óleo, também no final. Eu gosto da textura e do sabor mais naturais, então deixei a minha mais neutra.

5. Para fazer a versão de chocolate, bata o amendoim até ficar bem fino – com a adição de cacau, a manteiga fica mais encorpada, então é melhor deixar a base mais molinha. Em seguida acrescente o mel e o cacau em pó e bata até ficar homogêneo. Como na versão básica, é possível também adicionar óleo, caso queira uma textura mais lisa.

6. Num pote fechado, a manteiga dura até duas semanas na geladeira.

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Eu queria que essa fantasia fosse eterna + Água de Jamaica (Chá gelado de hibisco)

1. Washington, Jamaica, Perez, Brasil, Jacaré.
2. Me bato, me quebro, tudo por amor.
3. Blusa de telinha e short bailarina.
4. De vez em quando em posso ser ator e um pouquinho de enganar.
5. Cordinha, bambolê, pipoca.
6. Eu vejo em seus braços um laço perfeito.
7. Ilha do amor.

Há alguns anos, entender todos os itens dessa lista seria motivo de vergonha. Eu sei porque  já recebi olhares reprovadores de amigos ao contar sobre minha fase axézeira. Ainda que uma parte considerável deles tivesse dançado na garrafa e acompanhado a eleição da Sheila Mello, era feio admitir em público.

Mesmo com a repreensão, sempre tive um lugar especial para as lembranças dos meus carnavais dessa época. Quando ouço “eu fui embora, meu amor chorou”, até arrepio de emoção. Aprendi a sambar ao som da mistura do Brasil com o Egito e meu rebolado definitivamente pode ser dividido em A.C. e D.C.: Antes de Carla e Depois de Carla (Perez, no caso).

Nos últimos tempos o retrô virou pop e o trash virou cult. Com isso, o axé dos anos 80 e 90 entrou na pauta de novo. E encontrei companhia para cantar “paquerei, paquerô” sem medo de ser feliz. No Carnaval do ano passado, esbarrei em um ex-vizinho, que ficou surpreso ao me ver super empolgada com essa música em um bloco. “Nunca imaginei que você era axezeira”, ele me disse. Depois me adicionou no Facebook e me mandou uma playlist dizendo que eu ia adorar.

Acho que das vinte músicas, eu conhecia umas duas. Não sabia quem era Tomate e não fazia ideia se Parangolé era banda de axé ou de pagode. Um pouco sem graça, precisei responder à pergunta “gostou?” com sinceridade. Expliquei que minha praia eram as músicas mais antigas, axé de raiz mesmo. Que há muitos anos não acompanhava mais o estilo, apesar de adorar escutar  as músicas dessa época. No que ele retrucou:

- Ah, então você não gosta de axé. Você gosta de saudade.

***

Água de Jamaica (Chá gelado de hibisco)

O hibisco é conhecido como flor da Jamaica, daí o nome do chá, muito comum no México. A forma de preparo aqui é bem diferente, pois a infusão é feita na água fria, em vez de quente. Isso deixa o sabor mais leve e frutado. É uma ótima opção para fazer na terça de Carnaval, antes de sair para a folia, e para tomar na quarta-feira de cinzas, dia mundial da ressaca. Também é um refresco perfeito para a beira do mar ou da piscina. Ou só para ficar de boa nesse feriado calorento.

teste 2

Ingredientes

- ½ xícara (chá) de flores secas de hibisco
- 1 canela em pau
- 4 xícaras de água gelada
- 2 colheres (sopa) de mel
- 2 colheres (sopa) de água fervente

Gelo e limão para servir

Como fazer

1. Misture o mel e a água fervente, mexendo até dissolver. Transfira para uma tigela, junte o restante dos ingrediente, tampe e deixe na geladeira de um dia para o outro (entre 8 e 12 horas).

2. Coe o chá e sirva com gelo e limão.

agua de jamaica - cha gelado de hibisco

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