Eu queria que essa fantasia fosse eterna + Água de Jamaica (Chá gelado de hibisco)

1. Washington, Jamaica, Perez, Brasil, Jacaré.
2. Me bato, me quebro, tudo por amor.
3. Blusa de telinha e short bailarina.
4. De vez em quando em posso ser ator e um pouquinho de enganar.
5. Cordinha, bambolê, pipoca.
6. Eu vejo em seus braços um laço perfeito.
7. Ilha do amor.

Há alguns anos, entender todos os itens dessa lista seria motivo de vergonha. Eu sei porque  já recebi olhares reprovadores de amigos ao contar sobre minha fase axézeira. Ainda que uma parte considerável deles tivesse dançado na garrafa e acompanhado a eleição da Sheila Mello, era feio admitir em público.

Mesmo com a repreensão, sempre tive um lugar especial para as lembranças dos meus carnavais dessa época. Quando ouço “eu fui embora, meu amor chorou”, até arrepio de emoção. Aprendi a sambar ao som da mistura do Brasil com o Egito e meu rebolado definitivamente pode ser dividido em A.C. e D.C.: Antes de Carla e Depois de Carla (Perez, no caso).

Nos últimos tempos o retrô virou pop e o trash virou cult. Com isso, o axé dos anos 80 e 90 entrou na pauta de novo. E encontrei companhia para cantar “paquerei, paquerô” sem medo de ser feliz. No Carnaval do ano passado, esbarrei em um ex-vizinho, que ficou surpreso ao me ver super empolgada com essa música em um bloco. “Nunca imaginei que você era axezeira”, ele me disse. Depois me adicionou no Facebook e me mandou uma playlist dizendo que eu ia adorar.

Acho que das vinte músicas, eu conhecia umas duas. Não sabia quem era Tomate e não fazia ideia se Parangolé era banda de axé ou de pagode. Um pouco sem graça, precisei responder à pergunta “gostou?” com sinceridade. Expliquei que minha praia eram as músicas mais antigas, axé de raiz mesmo. Que há muitos anos não acompanhava mais o estilo, apesar de adorar escutar  as músicas dessa época. No que ele retrucou:

- Ah, então você não gosta de axé. Você gosta de saudade.

***

Água de Jamaica (Chá gelado de hibisco)

O hibisco é conhecido como flor da Jamaica, daí o nome do chá, muito comum no México. A forma de preparo aqui é bem diferente, pois a infusão é feita na água fria, em vez de quente. Isso deixa o sabor mais leve e frutado. É uma ótima opção para fazer na terça de Carnaval, antes de sair para a folia, e para tomar na quarta-feira de cinzas, dia mundial da ressaca. Também é um refresco perfeito para a beira do mar ou da piscina. Ou só para ficar de boa nesse feriado calorento.

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Ingredientes

- ½ xícara (chá) de flores secas de hibisco
- 1 canela em pau
- 4 xícaras de água gelada
- 2 colheres (sopa) de mel
- 2 colheres (sopa) de água fervente

Gelo e limão para servir

Como fazer

1. Misture o mel e a água fervente, mexendo até dissolver. Transfira para uma tigela, junte o restante dos ingrediente, tampe e deixe na geladeira de um dia para o outro (entre 8 e 12 horas).

2. Coe o chá e sirva com gelo e limão.

agua de jamaica - cha gelado de hibisco

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Gourmetização + Pãezinhos grudados com manteiga de ervas

Quando surgiu na França, “gourmet” não era um adjetivo para comidas, e sim para pessoas: ele indicava um conhecedor de vinhos e alta gastronomia. Parece que um abismo separa essa definição da que vem sendo usada nos últimos anos. O uso indiscriminado da palavra não só banalizou o termo como passou a redefinir várias comidas populares, com a função principal de tornar esses pratos mais caros e adequados para um público disposto a pagar por eles. Daí surgiram coxinhas, brigadeiros, bolovos, pipocas e mais um mundo de outros produtos “gourmet”.

Não estou dizendo que uma coxinha gourmet não possa ser gostosa. Na verdade ela pode até ser deliciosa, mas não é isso que a palavra “gourmet” quer indicar. Ao dar à coxinha esse status, está sendo feita uma apropriação deste salgado de rua, que busca resignificar – e muitas vezes negar – suas origens populares.

Já ouvi que as duas coisas podem conviver tranquilamente, que há espaço (e público) para o cachorro quente de carrocinha e o feito com salsicha importada. Não sou contra o uso de ingredientes diferentes ou refinados em comidas simples ou mesmo a releitura de clássicos. O que me incomoda muito é quando a coisa deixa de ter um objetivo inovador e passa a funcionar apenas como uma estratégia comercial. É isso que a palavra gourmet vem fazendo: ela entrega apenas um conceito, desenha uma linha que divide o que é “ordinário” do que é “especial” e, em última instância, o que é pobre do que é rico. E não necessariamente indica algo gostoso, bem feito.

Tive a sensação de “isso já foi longe demais” essa semana, lendo uma matéria do Guia da Folha compartilhada por um amigo. O texto falava do SP Coffee Week e a legenda da primeira foto era: “Na Urbe, o café coado vem com uma cestinha de BISCOITOS DE POLVILHO GOURMET”. Fiquei imaginando: que ingrediente “requintado” pode ter em um biscoito de polvilho? Pelo jeito, é mais um caso em que o adjetivo só tem a função de conferir status e não ajuda a qualificar a comida, explicar o que ela é, como ela é feita, o que a torna diferente.

Nesse mesmo dia, li também o post do Carlos Alberto Dória sobre o projeto de comida de rua em São Paulo. Recomendo a leitura do texto inteiro, mas vou reproduzir aqui um trecho:

“A legislação aprovada mostrou que não se constitui numa oportunidade para a comida de rua tradicional. Haverá um controle das administrações regionais sobre essa atividade e a aprovação (o Termo de Permissão de Uso” do espaço público) dependerá de uma comissão a ser estabelecida em cada uma delas, com representantes da vigilância sanitária, do CET; uma burocracia enorme e, é de se supor, uma alta dose de arbítrio. Você, de sã consciência, acha que aquele camarada que vende pequi nas esquinas do centro, ou vende mandioca em carrinhos de pedreiro, bolo, pastel ou queijo da Canastra, conseguirá se legalizar?”

O que me faz voltar à questão deste post. Se o gourmet a principio beneficia o consumidor que deseja uma comida “diferenciada”, o que ele faz pelas coxinhas e brigadeiros tradicionais, da padaria da esquina?

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Pãezinhos grudados com manteiga de ervas

Nos Estados Unidos esse tipo de pão é chamado de “monkey bread”. Acho uma opção legal para servir numa reunião de amigos, pois dispensa faca e os potinhos podem ficar espalhados pela casa. Se quiser fazer em uma forma só, utilize aquela com furo no meio, para que o calor possa circular entre os pãezinhos. Depois dá até para desenformar em um prato.

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Levemente adaptado daqui

Ingredientes

Para a massa

- 2 colheres (sopa) de água morna (lembrando: morna, não quente!)
- 1 ½ colher (chá) de fermento biológico instantâneo seco
- 1 colher (chá) de açúcar cristal
- 2 ¼ xícaras (chá) de farinha de trigo
- ½ xícara (chá) de leite integral
- 1 ovo grande
- 1 colher (sopa) de manteiga derretida (13 gramas)
- 2 colheres (sopa) de ervas frescas picadinhas (eu usei dill, mas acredito que ficaria bom com alecrim, tomilho ou sálvia, ou uma combinação)
- ½ colher (chá) de sal

Para a manteiga de ervas

- 6 colheres (sopa) de manteiga derretida (78 gramas)
- 2 colheres (chá) de ervas picadinhas

Como fazer

1. Se você tiver uma batedeira com gancho para bater pão, comece a massa na tigela dela. Se não, utilize qualquer tigela grande, como eu fiz. Misture o fermento, a água morna e o açúcar e deixe fermentar por cerca de 10 minutos, até que seja possível ver algumas bolhas bem finas na superfície. Junte então o restante dos ingredientes na ordem acima. Misture com um colher grande ou ligue a batedeira e bata até que a massa desgrude das laterais da tigela.

2. Coloque a massa em uma superfície limpa e sove com as mãos por cerca de 7 minutos. Se você tiver usado a batedeira, ela já terá feito o trabalho por você. A massa deve ficar macia e úmida. Se sentir que está muito seca, pingue um pouquinho mais de leite; se achar que está muito grudenta, polvilhe levemente com farinha, até achar o ponto.

3. Forme uma bola e transfira o pão para uma tigela levemente untada com azeite, cubra com filme plástico e deixe fermentar em um lugar quente e úmido por cerca de 30 minutos, ou até que a massa tenha crescido – mas não precisa necessariamente dobrar de tamanho.

4. Com ajuda de uma faca grande, parta a massa em três pedaços, e cada pedaço ao meio, terminando com seis porções. Divida cada uma delas em oito. Você terá 48 pedaços. Abra cada porção com as mãos, formando um quadrado, junte as pontas no meio e dê um “beliscão”, para mante-lás juntas. Vire do outro lado e role um pouco na bancada, formando uma bolinha. Repita o processo com o restante da massa. (Nessa é hora é ótimo chamar alguém para ajudar!).

montagem paozinho

5. Misture a manteiga derretida às ervas que estiver usando. Passe cada bolinha nessa manteiga e coloque sete ou oito em um potinho ou ramequim que possa ir ao forno. Cuidado para não amontoar demais os pãezinhos, pois eles ainda vão crescer nesse recipiente.

6. Deixe que os pães cresçam novamente por cerca de 20 minutos. Enquanto isso, preaqueca o forno a 180 graus. Antes de assar, pincele o restante da manteiga de ervas por cima e polvilhe com um pouquinho de sal.

7. Leve ao forno por cerca de 12 minutos, até que fique dourado e bem macio. Deixe amornar e sirva.

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Lewis Carroll e frango frito + Chutney de pimenta e pimentão vermelho

“Grande Sertão Veredas mudou minha vida”. “Nunca mais fui a mesmo depois de assistir Blade Runner”. Quantas vezes já ouvi pessoas contando de livros, poemas, textos, filmes e vídeos que mudaram a forma como viam o mundo. E quantas vezes já me peguei lembrando do momento em que li Alice no País das Maravilhas, aos 8 anos, e senti pela primeira vez identificação por uma personagem. Até aquele momento, as meninas que apareciam nas histórias eram invariavelmente princesas ou bruxas e estavam sempre atrás da mesma coisa – marido ou vingança. Com Alice, aprendi que a heroína podia ser confusa e questionadora.

Na minha lista de experiências transformadoras, estão também algumas comidas que provei pela vida afora. A primeira vez que estive na Itália e participei de um jantar cozinhado a várias mãos, percebi como o sentido de comunhão da comida era muito importante para mim. Nesse mesmo dia eu comi um verdadeiro tomate italiano, mordendo feito fruta, e imediatamente entendi a paixão daquele povo por bons ingredientes. É um amor de gratidão, de completa alegria por existir algo tão maravilhoso no mundo quanto um perfeito tomate.

Quando viajei para Buenópolis, uma cidadezinha no interior de Minas, aprendi que comida excelente pode ser feita em qualquer lugar. Num boteco minúsculo, com mesas de madeira desgastada e algumas mosquinhas voando, comi uma das melhores refeições da minha vida. Um arroz com feijão, salada e frango frito que ficou para sempre na minha memória e me fez sentir envergonhada de ter virado o nariz para a simplicidade daquele lugar.

Seja por abrir um mundo novo ou  propor reflexões pessoais e sociais, comer também é uma forma de enxergar a realidade sob uma nova perspectiva. A cozinheira de Buenópolis foi tão importante para minha construção de sentido quanto Lewis Carrol e sua narrativa fantástica.

E você, que comida mudou sua vida?

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Chutney de pimenta e pimentão vermelho

Eu tinha essa receita guardada há alguns meses, mas estava esperando a época de pimentão para que os preços abaixassem um pouco. Finalmente chegou! O que posso dizer sobre esse chutney é que depois dele meu queijo quente nunca mais foi o mesmo. É perfeito também para servir com carnes, principalmente de porco. E ainda vou testá-lo com hambúrguer!

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Ingredientes

- 4 pimentões vermelhos
- 3 a 5 pimentas dedo-de-moça, dependendo do quanto você gosta de coisas apimentadas (leia mais nas dicas)
- 1 colher (sopa) de azeite
- 1 cebola roxa picadinha
- 1 colher (chá) de de alecrim fresco picado
- 1 folha de louro
- 1 pedaço de canela em pau de cerca de 5 cm
- ¼ de colher (chá) de sal
- 5 colheres (sopa) de açúcar mascavo
- 5 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
- ½  xícara (chá) de água

Como fazer

1. O primeiro passo é retirar a pele dos pimentões e das pimentas. Você pode fazer isso de dois jeitos: ou colocar numa assadeira com um fio de azeite e levar para o forno bem alto, até que fiquem bem queimados, ou fazendo isso direto na tremp do fogão, como eu fiz. Desse jeito, é preciso usar uma pinça resistente ao fogo e bastante cuidado na hora de virar os legumes, para que queimem de todos os lados. O importante é queimar a superfície o máximo possível – quanto mais preto ficar, mais fácil vai ser de tirar a pele.

2. Independente do jeito que você escolher, assim que estiverem queimados, transfira os pimentões e as pimentas para um saco tipo ziplock e feche bem. Se não tiver um saco, coloque num tigela e cubra com papel filme. Deixe abafado até que esfriem o suficiente para serem cortados.

3. Abra os pimentões com uma faquinha e retire a parte central e as sementes. Sob um fio de água na pia, esfregue a pele para que se solte. Faça o mesmo com as pimentas, tirando as sementes e a pele. Cuidado na hora de manipular a pimenta, que pode causar queimaduras. Lave suas mãos entre uma pimenta e outra – e nada de coçar o olho!

4. Coloque os pimentões e as pimentas em um processador e pulse até que fique bem picadinho. Se não tiver processador, use uma faca afiada para picar o mais fino possível.

5. Numa panela em fogo médio, aqueça o azeite e junte a cebola, o alecrim, o louco e a canela. Mexa por cerca de 10 minutos, até que a cebola fique dourada.

6. Junte o restante dos ingredientes, mexa e abaixe o fogo. Deixe apurar sem tampa, por cerca de 25 minutos, até que o líquido tenha reduzido e a mistura engrossado. Acerte o tempero e espere esfriar para servir.

montagem chutney

Dicas!

- Na geladeira, esse chutney dura alguns dias. Se quiser guardar por mais tempo, use potes de vidro esterelizados. Eu fervo os vidros e tampas por uns dez minutos, tiro da água com uma pinça e deixo escorrendo num pano de prato limpo antes de usar.

- Sobre a picância do chutney: eu usei quatro pimentas e achei que ficou um tiquinho de nada mais apimentado do que eu gostaria. Eu gosto de pimenta, mas sou fraca: não sou dessas que bota molho de pimenta na coxinha e gosta do acarajé quente. Ainda assim, amei usar um pouquinho na carne ou no queijo quente.

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Primeira vez + Figos grelhados com calda de chocolate e hortelã

Esses dias, fazendo compras com minha mãe, observei que ela pegou uma caixa de figos de uma prateleira onde haviam várias outras frutas que nunca havia experimentado. (Inclusive uma tal de pitaia, que mais parece algo que veio de Marte e cresceu na Terra por engano).

Enquanto passávamos no caixa, percebi que era fácil identificar as coisas grandiosas que não havia feito ainda – saltar de pára-quedas, viajar para Tóquio, escrever um livro… a lista é infinita – mas nunca tinha pensado sobre essas pequenas, possíveis de existir no intervalo entre acordar e dormir. A ideia me deu uma sensação boa de que minha vida ainda ia ter um monte de primeiras vezes.

Claro que o encantamento com descobertas miúdas pode não ser como o da primeira chuva, do primeiro beijo ou do momento que percebemos nossa sombra. Ainda assim, quando minha mãe cortou o figo e me ofereceu a metade, me senti com oito anos de novo – tive um misto de medo de experimentar e ser nojento e excitação pela novidade que se apresentava.

Na primeira mordida, respirei aliviada por não identificar nenhuma ligação com o doce da fruta, aquele treco verde radioativo que boiava na compoteira de vidro da minha avó. Nunca entendi por que, diante da mesa de sobremesas no almoço de domingo, os adultos escolhiam justo essa coisa melequenta e de cheiro forte. Como, se tinha pudim de leite e cocada?

De qualquer maneira, achei a forma fresca da fruta leve, perfumada e suculenta. Não digo que virou minha preferida, mas ganhou um selo especial por ter entrado na lista de “coisas que fiz pela primeira vez aos 29”. Que também tem “ler um texto meu em voz alta para estranhos”. (Juro que nunca tinha feito isso antes, nem na escola.  Fugi todas as vezes, igual fugia do doce de figo).

***

Figos grelhados com calda de chocolate e hortelã

O título grande esconde a sobremesa mais simples e rápida que já apareceu no blog. Fica pronta em cinco minutos contados no relógio e é um jeito ótimo de aproveitar a época de figos. A safra vai de dezembro à março, mas fevereiro é o melhor mês para comprar.

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Rende quatro porções

Ingredientes

Para os figos
- 4 figos maduros
- 1 colher (chá)  de manteiga

Para a calda

- 70 gramas de chocolate amargo picado
- ¼ de xícara (chá) de leite
- 1 colher (sopa) de mel
- ½ colher (sopa) de manteiga
- 8 folhas de hortelã (mais algumas para decorar)

Como fazer

1. Coloque todos os ingredientes da calda em uma panelinha e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até que o chocolate derreta e a mistura fique homogênea. Deixe ferver por dois ou três minutos, para que a calda engrosse levemente. Desligue o fogo, acrescente as folhas de hortelã e tampe a panela.

2. Enquanto isso, aqueça a manteiga em uma frigideira grande no fogo médio e parta os figos em metades. Quando a manteiga espumar, coloque os figos com a polpa para baixo e deixe por cerca de um minuto, até dourar. Vire os figos e balance um pouquinho a frigideira para que dourem levemente também do outro lado.

3. Retire as folhas de hortelã da calda, descarte e sirva uma boa colherada no meio do prato. Arranje as metades do figo por cima e decore com folhinhas de hortelã.

figos grelhados com calda de chocolate

Dicas!

- Se quiser incrementar a sobremesa, sirva com uma bola de sorvete de pistache (ou de creme, até).
- A calda de chocolate sem o hortelã é uma receita super coringa, que pode ser servida com outras frutas, com sorvete ou usada na cobertura de bolos.
- Se não quiser fazer a calda (eu não te entenderia, mas tudo bem), sirva os figos com mel e um pouco de hortelã picadinha.

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A vida secreta das abelhas + Bolo de mel (Lekach)

Viruda odiava ter nascido rainha. Aprendeu bem pequena que, como a única abelha fértil da colmeia dela dependia o futuro de todas as outras moradoras dali. Ela sabia que devia se preparar para o seu destino: fazer único vôo para o lado de fora, onde seria fecundada por algumas dezenas de zangões, voltar para casa para colocar os ovos e lá permanecer até o momento em que outra rainha seria escolhida. Em vez de se acostumar com essa ideia, ficava pensando em diferentes planos de fuga para quando saísse para o acasalamento. E não sabia o que seria pior: trair sua família inteira ou ver o sol somente uma vez na vida.

Ceci ouvia as amigas falarem de como achavam a vida na colmeia entediante e invejavam as abelhas solitárias que, por não viverem em comunidade, eram livres para fazer o que quiserem, sem prestação de contas. Biúrna nunca falava o que estava pensando, já que, no fundo, ela gostava de ser uma operária. Sentia satisfação em ter um dever a cumprir e saber que suas ações implicavam no bem de milhares de outras abelhas. Não queria de jeito nenhum a vida da abelha solitária – aliás, seu maior medo na vida era ficar sozinha. É por isso que ela fingia compartilhar das opiniões do grupinho. Para ela, discordar das amigas também era uma forma de solidão.

Milde às vezes emitia sinais confusos para as outras abelhas durante sua busca por comida. Ela achava injusto passar tanto tempo procurando flores perfeitas e depois ter que dar o caminho das pedras para as outras. Ela entendia a teoria de que, quanto mais néctar e pólen recolhido, mais a colmeia produziria e cresceria. Mas ela sentia que já se doava tanto para o grupo que se permitia atitudes egoístas de vez em quando. Mesmo morrendo de medo da rainha descobrir.

Foi nesse tipo de história que pensei quando li o título do livro “A Vida Secreta das Abelhas”. Imagine minha decepção quando descobri que era sobre uma menina em busca da história verdadeira da mãe. Penso que os possíveis segredos das abelhas seria um tema muito mais interessante…

***

Bolo de mel (Lekach)

Esse bolo judaico, chamado Lekach, é servido no ano-novo como símbolo de dias mais doces. Ele lembra o pão de mel, mas sua textura é diferente, já que é bem úmido. O sabor de mel também é mais marcante, sem ser muito doce. Par perfeito para acompanhar um chazinho num dia de bobeira.

bolo umido de mel

Ingredientes

- 1 ¾ xícara (chá) de farinha de trigo
- ½ colher (chá) de fermento
- ½ colher (chá) de bicarbonato
- ¼ de colher(chá) de sal
- 1 colher (chá) de canela
- ¼ de colher (chá) de noz-moscada ralada
- ½ xícara (chá) de óleo de coco, canola ou girassol
- ½ xícara (chá) de mel
- ½  xícara (chá) de açúcar cristal
- ¼ de xícara (chá) de açúcar mascavo
- 2 ovos pequenos
- ½ colher chá de extrato baunilha
- ½ xícara de chá pronto forte (usei chá de camomila – um saquinho para  ½ xícara de água) ou café pronto sem açúcar
- ¼ de xícara de suco de laranja natural
- 2 colheres de sopa de conhaque, whiskey ou rum

Para servir:

- 2 colheres de sopa de mel

Como fazer

1. Unte com manteiga e enfarinhe uma forma quadrada ou redonda de 20 cm. Preaqueça o forno a 180 graus.

2. Numa tigela grande (pode ser a da batedeira), misture a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal, canela e a noz moscada. Faça um buraco no meio e acrescente o óleo, o mel, os açúcares, os ovos, a baunilha, o chá ou café, o suco de laranja e a bebida alcoólica que estiver usando. (Dica: se você medir o óleo antes do mel, vai ser mais fácil tirá-lo da xícara).

3. Com um batedor de arames grande ou na velocidade baixa da batedeira, misture tudo muito bem, até que fique uma massa lisa e grossa, sem nenhum ingrediente grudado no fundo da tigela.

4. Entorne a massa na forma, alisando com uma espátula, e leve ao forno por cerca de 40 minutos, até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Não se preocupe se ele afundar levemente no meio: como é uma massa bem úmida, isso pode acontecer mesmo.

5. Deixe amornar por cerca de 20 minutos antes de desenformar. Se conseguir esperar, deixe esfriar totalmente antes de servir, para que os sabores se intensifiquem. Pode ser guardado num pote fechado e fica ainda melhor de um dia para o outro. Sirva com mel por cima.

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Com pinga, por favor + Torta de milho e bacon

Aperitivo, petisco, belisquete, amuse bouche, entradinha… Eu aprendi um nome só para isso tudo: tira-gosto. E lembro da explicação do meu pai quando perguntei o que significava essa expressão: “é o que a gente come pra tirar o gosto da pinga”. Não entendi porque alguém beberia algo tão ruim que seria necessário tirar o gosto depois. E nem sabia se podia confiar nas definições do meu pai, que durante muito tempo me fez acreditar que existiam peixes com saia e pessoas que comiam os frangos que haviam sido atropelados na rua.

O tempo, a experiência e a ressaquinha do dia seguinte me ensinaram a importância de um tira-gosto numa mesa de bar: entre um gole e outro, é preciso beliscar aqui e ali pra noite se estender mais. E o meu jeito favorito de petiscar é com uma caipirinha na mão, dessas tradicionais mesmo, com cachaça boa, limão bem azedo, açúcar na medida e gelo.

Minha relação com a cachaça nem sempre foi amigável. Aliás, descobri essa palavra só depois de adulta, porque até então o líquido turvo que saía dos garrafões com redes era chamado de pinga mesmo. Conheci a bebida ainda criança, pois costumava ir para o “sítio” de um tio que mantinha um alambique. As aspas em sítio é porque não sei muito bem como nomear um lugar que só tinha paredes de tijolo, chão batido, janelas de lona, um chiqueiro e um galinheiro. Em retrospecto, parece que a pequena fábrica de pinga era a parte principal do lugar mesmo – o resto só estava lá para quebrar um galho.

Naquele meio do mato onde não pegava TV, só carrapato, muitas vezes o que me restava era curtir o tédio e ouvir as conversas dos adultos. Numa dessas, aprendi que pinga era feita de caldo de cana fermentado por bactérias e, fazendo uma ligação com minhas aulas de Ciências, entendi de onde vinha aquele cheiro horrível, que eu carinhosamente chamava de “catinga de cana”. Por conta disso, eram frequentes minhas fugas para casa da Vó Geralda (que não era minha avó de verdade, mas era dessas que todo mundo chama de vó), que era vizinha do sítio e cheirava a pão doce assando (a casa e a vó).

A birra que eu sentia pela pinga durou até os 20 e poucos, quando comecei a experimentar diferentes bebidas e aprendi a diferenciar as boas das ruins. Porque o mundo rodopia, a cachaça virou uma favorita. A mudança do ódio pro amor foi tão brusca que, um dia, saindo para jantar com meu pai – que presenciou todas as caras emburradas que fiz por conta do alambique – ele se assustou quando pedi uma caipirinha para o garçom. Com olhos preocupados, me disse:

- Tem pinga nisso aí, você tá sabendo, né?

***
Torta de milho e bacon

Quando li a receita dessa torta pela primeira vez, há muuuuito tempo, no blog da Flávia Pantoja, o que me chamou atenção foi o trecho que dizia: “um aperitivo cheio de bossa, com um gostoso perfume de bacon defumado e ligeiramente picante: ideal para acompanhar uma caipirinha”. Nunca tinha pensado em “harmonizar” um receita com capirinha. E, realmente, é um par perfeito.

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Adaptado daqui

Ingredientes

- ¼ de xícara de óleo de canola ou girassol
- 1 cebola pequena picadinha
- 300 gramas de bacon em cubinhos
- 200 gramas (1 lata) de milho
- 1 xícara de iogurte natural desnatado
- ½ colher (chá) de molho de pimenta
- 1 ovo
- 1 abobrinha grande (cerca de 200 gramas) ralada
- 1 xícara (chá) de fubá do tipo pré-cozido
- 1 xícara (chá) + 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 1 colher (chá) de açúcar
- 3 colheres (chá) de fermento
- ¼ de colher (chá) de sal

Como fazer

1. Unte e enfarinhe um forma de 20 cm x 30 cm. Numa frigideira grande, aqueça o óleo em fogo médio e junte a cebola. Refogue por cerca de cinco minutos, até começar a dourar. Junte o bacon e refogue por mais alguns minutos, até que ele fique crocante. Misture o milho, mexa por mais alguns minutos e desligue o forno. Deixe esfriar por pelo menos 15 minutos.

2. Preaqueça o forno a 180 graus. Depois de fria, junte à mistura o iogurte, o ovo e o molho de pimenta. Misture bem e adicione a abobrinha ralada e o fubá. Mexa até ficar uma massa grossa. Por último, incorpore delicadamente a farinha, o açúcar, o fermento e o sal, até que não seja possível ver pontos de farinha na massa.

3. Distribua a massa na forma e alise o topo com uma espátula. Leve ao forno por cerca de 25 minutos, até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Espere amornar, corte em quadrados e sirva. Fica gostosa também em temperatura ambiente.

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Resoluções culinárias + Truta com manteiga de nozes

Sei que já estamos na segunda quinzena de janeiro, mas só na semana passada eu tive vontade de estabelecer resoluções de ano novo relacionadas à comida. A ideia veio quando comprei e preparei uma truta que não teve final feliz. O triste destino dela me fez pensar em como posso melhorar a forma como cozinho e me relaciono com a comida.

Essa é a minha lista:

1. Não cozinhar cansada.

Quando estou muito cansada, tenho sempre a impressão de que vai ser relaxante preparar e comer uma comida especial. Foi o que aconteceu no dia que comprei a truta: estava um caco, mas ainda assim fui no supermercado, escolhi ingredientes, entrei na fila, peguei ônibus, cheguei em casa e cozinhei. O peixe não ficou como eu gostaria, e não foi a primeira vez que isso aconteceu. Este ano, quero aprender a identificar este nível de cansaço que impossibilita a dedicação necessária para qualquer receita que não seja um sanduíche ou uma salada.

(Ainda bem que sobrou um pouco da truta para eu tentar a receita de novo, dessa vez descansada.)

2. Fazer pelo menos uma receita de um livro por mês.

Tenho o maior amor do mundo pela minha pequena biblioteca culinária, mas o vício no Pinterest me afastou um pouco dos livros em 2013. Estou sentindo falta de sentar no sofá com uma pilha de livros, folheá-los para encontrar uma receita específica – ou só para me perder nas páginas – e ir para a cozinha com um deles embaixo do braço.

3. Consumir alimentos de acordo com a época.

Isso é algo que tentei em 2013 e não consegui muito bem, na maioria das vezes por preguiça de consultar o que realmente está na safra. Cozinhar de acordo com a sazonalidade tem várias vantagens: alimentos na época são mais baratos, estão na sua melhor forma (morangos mais doces, tomates mais suculentos, verduras mais crocantes etc), têm mais vitaminas, minerais e antioxidantes e fazem bem para o meio ambiente, já que, para disponibilizar produtos fora de época, é preciso tratar o solo com mais química ou arranjar longas viagens entre uma localidade e outra.

E você, o que vai fazer diferente na sua cozinha este ano?

***

Truta na manteiga de nozes

Antes que você ache que esse é um prato sofisticado, deixe eu explicar: apesar de usar ingredientes mais caros, ele não envolve nenhuma técnica avançada ou utensílio diferente. E, ainda por cima é rápido, já que levei meia hora para fazer tudo. A truta pode ser substituída facilmente por salmão. Aliás, eu só não levei este porque ele estava mais caro. As nozes podem ser substituídas por castanhas-do-pará ou amêndoas. Comida especial não é sinônimo de complicação, eu juro!

truta na manteiga de nozes

Rendimento: duas porções

Ingredientes

- 2 filés de truta (cerca de 170 gramas cada)
- 6 colheres (sopa) de manteiga sem sal
- 2 colheres (sopa) de nozes picadas grosseiramente
- 1 colher (chá) de raspas de limão (evite ao máximo ralar a parte branca, que é amarga)
- 1 colher (chá) de suco do limão
- ¼ de xícara (chá) de farinha
- Sal e pimenta do reino à gosto

Opcional: salsinha picada para finalizar, limões para servir

Como fazer

1. Bata no processador ou liquidificador 4 colheres de manteiga com 1 colher de sopa de nozes, as raspas e o suco de limão, o sal e a pimenta, até virar uma pastinha.

2. Tempere os filés com sal e pimenta. Coloque a farinha em um prato e pressione os dois lados do peixe sobre a ela, tirando o excesso em seguida com leves batidinhas.

3. Coloque uma frigideira grande em fogo médio e derreta as duas colheres restantes da manteiga. Quando espumar, adicione as trutas e doure os dois lados, virando apenas uma vez, até que estejam bem douradas e seja possível desfiar a carne com um garfo – cerca de 3 ou 4 minutos. Se a frigideira não for grande, faça esse processo em duas levas, usando uma colher de manteiga para cada filé.

4. Transfira os filés para um prato. Na mesma frigideira, junte o restante das nozes picadas e mexa até ficarem douradas. Adicione a mistura de manteiga e continue mexendo com uma colher até que a manteiga fique bem dourada e solte um cheiro de avelã.

5. Distribua o molho por cima das trutas, decore com salsinha e sirva com limões partidos.

truta na manteiga de nozes-3

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