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Vamos falar de séries + Bolinhos de limão da Sansa

Eu sei que nessa vida não existe unanimidade. Já conheci até quem detestasse nutella, veja que coisa. Ainda assim, tenho dificuldade de entender aqueles que não gostam de Game of Thrones. Tudo bem, você pode até não assistir, achar que não é seu estilo. Mas ver o primeiro capítulo e não se sentir fisgado parece tão impossível quanto não achar graça no Joey bebendo um galão de leite em dez segundos.

Apesar de ser muito fã de GoT, não diria que é minha favorita. Aliás, quem inventou essa história de ter que escolher uma coisa preferida? Filme, livro, sobremesa, amigo. Detesto isso; fica parecendo que se eu escolher torta de maçã, o crème brûlée vai ficar bravo comigo.

Voltando ao assunto: séries. Fiz uma lista das que mais gosto atualmente. Como toda lista, tenho certeza que está faltando alguma  incrível que você assiste e eu não. Me conta?

A muito foda

Essa categoria teve empate: não consegui escolher entre Game of Thrones e Breaking Bad. As duas são sensacionais de jeitos bem diferentes, mas compartilham de importantes semelhanças: história e personagens muito bem construídos, que fogem do lugar-comum e do maniqueísmo. Com Breaking Bad, a sensação é de que você está sempre no penúltimo capítulo; que em breve tudo vai dar errado. Já Game of Thrones subverte nossas expectativas a todo momento, mesmo quando esperamos pelo absurdo. Bem cedo aprendi a não tentar adivinhar o final da história e, principalmente, não me apegar a nenhum personagem. Quer dizer, acho que ainda não aprendi essa última parte.

A que mudou minha vida

O dia a dia de uma família dona de uma funerária não me parecia o tipo de história que gostaria de acompanhar. Ainda assim, dei uma chance para Six Feet Under – e me dei bem. A série é brilhante em apresentar a morte como algo real, natural e até meio engraçado. Ao mesmo tempo, não te deixa esquecer o quanto é também difícil. Nenhum filme, livro ou série tinha tirado meu sono, até que assisti o episódio final desse seriado. Passei a noite em claro, pensando (literalmente) na vida.

A que mora no coração

Não sei quantas vezes já assisti cada capítulo de Friends e quanto diálogos decorei. Recentemente li algumas críticas sobre como a série é coxinha e seus personagens alienados, e até concordo em parte. Ainda assim, até hoje dá um quentinho no coração quando estou zapeando pela TV e encontro um episódio qualquer passando.

A mais recente paixão

Lena Dunhan tem 27 anos e é quem eu quero ser quando crescer. Ela dirige, escreve e atua em Girls, uma série sem medo de ser honesta e onde nada segue um padrão, desde os corpos que aparecem pelados na tela até as relações entre amigas. Exatamente por isso, é tão fácil se identificar com as histórias.  Morro de raiva quando falam que Girls é um novo Sex and the City. Enquanto a vida de Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha girava em torno dos relacionamentos amorosos, Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna estão atrás de si mesmas. Sim, elas são egocêntricas, mas quem não é aos 20?

A que acompanho há mais tempo

Desde 2005 eu troquei de namorado, de emprego e de casa mais de um vez. Uma coisa permaneceu: ainda assisto Grey’s Anatomy. Mesmo quando os episódios são ruins, os personagens meio chatos e os desastres de final de temporada cada vez piores, tem Cristina e Grey, o motivo pelo qual acompanho até hoje. O embate entre carreira, família, relacionamento e identidade nunca fica velho.

Mensão honrosa

Mad Men tem um lugar na minha lista mesmo sendo uma série inconsistente: tem episódios incríveis, outros ruins e vários médios. Basicamente o que me segura é o personagem do Don Draper, um cara muito babaca, atormentado e genial – mas também assisto para alimentar meu fetiche pelos anos 60, principalmente com as roupas e acessórios de Joan e Betty.

***

Bolinhos de limão da Sansa

Sansa, personagem de Game of Thrones, faria qualquer coisa por um bolinho de limão – até se abrir com quem não devia, como vimos em um episódio da última temporada. Como parte de uma campanha de divulgação de Game of Thrones, em 2011 o chef Tom Colichio desenvolveu receitas inspiradas na série que eram vendidas em um food truck, e esse bolinho era uma delas. O jeito de assar faz com que o ele tenha duas texturas, uma bem aerada e outra que lembra pudim. Juntando isso com o sabor bem acentuado de limão, é uma sobremesa que me convenceria a falar de qualquer coisa também.

Rendimento: 18 bolinhos

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Ingredientes

- ½ xícara de açúcar comum
- 2 ovos
- ⅔ de xícara (chá) de leite comum
- 1 colher (sopa) de vinagre branco
- 3 colheres (sopa) + 1 colher (chá) de farinha de trigo
- 2 colheres (sopa) de suco de limão (usei limão capeta e acredito que daria certo com o siciliano ou tahiti)
- Raspas de 2 limões
- ⅛ colher (chá) de sal
- Manteiga e açúcar comum para polvilhar as forminhas
- Açúcar de confeiteiro para polvilhar e chantilly para servir (opcional)

Como fazer

1. Misture o leite com o vinagre e deixe repousar até que o leite talhe, cerca de 10 minutos.

2. Enquanto isso, preaqueca o forno a 150 graus. Unte 18 forminhas de empada de 6 cm de diâmetro. Polvilhe açúcar para forrar os fundos e as laterais de cada forminha. Arrume-as em uma assadeira de laterais altas.

2. Misture a farinha, o açúcar e o sal em uma tigela.

3. Separe as claras das gemas.

4. Com a tigela da batedeira e os batedores bem limpos e secos, bata as claras em neve até que se formem picos macios. Reserve.

5. Bata as gemas com o suco de limão, as raspas de limão e o leite talhado até que espume. Junte os ingredientes secos e continue batendo apenas até a farinha desaparecer da massa.

6. Junte ⅓ das claras misturando vigorosamente com um batedor de arames. Adicione o restante e incorpore delicadamente, usando uma espátula e fazendo movimentos de baixo para cima.

7. Com ajuda de uma colher grande, encha as forminhas, deixando 1 cm de espaço na borda.

8. Ferva uma chaleira com água e entorne a água quente na assadeira, bem devagar, até que alcance a metade da altura das forminhas. Cubra a assadeira com papel alumínio, segure nas duas laterais e, com MUITO CUIDADO, leve a assadeira ao forno.

9. Asse por 25 minutos. Retire o papel alumínio e asse por mais 15 ou até que o topo esteja levemente dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio do bolinho. Retire do banho-maria e deixe esfriar um pouco antes de desenformar.

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A vida secreta das abelhas + Bolo de mel (Lekach)

Viruda odiava ter nascido rainha. Aprendeu bem pequena que, como a única abelha fértil da colmeia dela dependia o futuro de todas as outras moradoras dali. Ela sabia que devia se preparar para o seu destino: fazer único vôo para o lado de fora, onde seria fecundada por algumas dezenas de zangões, voltar para casa para colocar os ovos e lá permanecer até o momento em que outra rainha seria escolhida. Em vez de se acostumar com essa ideia, ficava pensando em diferentes planos de fuga para quando saísse para o acasalamento. E não sabia o que seria pior: trair sua família inteira ou ver o sol somente uma vez na vida.

Ceci ouvia as amigas falarem de como achavam a vida na colmeia entediante e invejavam as abelhas solitárias que, por não viverem em comunidade, eram livres para fazer o que quiserem, sem prestação de contas. Biúrna nunca falava o que estava pensando, já que, no fundo, ela gostava de ser uma operária. Sentia satisfação em ter um dever a cumprir e saber que suas ações implicavam no bem de milhares de outras abelhas. Não queria de jeito nenhum a vida da abelha solitária – aliás, seu maior medo na vida era ficar sozinha. É por isso que ela fingia compartilhar das opiniões do grupinho. Para ela, discordar das amigas também era uma forma de solidão.

Milde às vezes emitia sinais confusos para as outras abelhas durante sua busca por comida. Ela achava injusto passar tanto tempo procurando flores perfeitas e depois ter que dar o caminho das pedras para as outras. Ela entendia a teoria de que, quanto mais néctar e pólen recolhido, mais a colmeia produziria e cresceria. Mas ela sentia que já se doava tanto para o grupo que se permitia atitudes egoístas de vez em quando. Mesmo morrendo de medo da rainha descobrir.

Foi nesse tipo de história que pensei quando li o título do livro “A Vida Secreta das Abelhas”. Imagine minha decepção quando descobri que era sobre uma menina em busca da história verdadeira da mãe. Penso que os possíveis segredos das abelhas seria um tema muito mais interessante…

***

Bolo de mel (Lekach)

Esse bolo judaico, chamado Lekach, é servido no ano-novo como símbolo de dias mais doces. Ele lembra o pão de mel, mas sua textura é diferente, já que é bem úmido. O sabor de mel também é mais marcante, sem ser muito doce. Par perfeito para acompanhar um chazinho num dia de bobeira.

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Ingredientes

- 1 ¾ xícara (chá) de farinha de trigo
- ½ colher (chá) de fermento
- ½ colher (chá) de bicarbonato
- ¼ de colher(chá) de sal
- 1 colher (chá) de canela
- ¼ de colher (chá) de noz-moscada ralada
- ½ xícara (chá) de óleo de coco, canola ou girassol
- ½ xícara (chá) de mel
- ½  xícara (chá) de açúcar cristal
- ¼ de xícara (chá) de açúcar mascavo
- 2 ovos pequenos
- ½ colher chá de extrato baunilha
- ½ xícara de chá pronto forte (usei chá de camomila – um saquinho para  ½ xícara de água) ou café pronto sem açúcar
- ¼ de xícara de suco de laranja natural
- 2 colheres de sopa de conhaque, whiskey ou rum

Para servir:

- 2 colheres de sopa de mel

Como fazer

1. Unte com manteiga e enfarinhe uma forma quadrada ou redonda de 20 cm. Preaqueça o forno a 180 graus.

2. Numa tigela grande (pode ser a da batedeira), misture a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal, canela e a noz moscada. Faça um buraco no meio e acrescente o óleo, o mel, os açúcares, os ovos, a baunilha, o chá ou café, o suco de laranja e a bebida alcoólica que estiver usando. (Dica: se você medir o óleo antes do mel, vai ser mais fácil tirá-lo da xícara).

3. Com um batedor de arames grande ou na velocidade baixa da batedeira, misture tudo muito bem, até que fique uma massa lisa e grossa, sem nenhum ingrediente grudado no fundo da tigela.

4. Entorne a massa na forma, alisando com uma espátula, e leve ao forno por cerca de 40 minutos, até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Não se preocupe se ele afundar levemente no meio: como é uma massa bem úmida, isso pode acontecer mesmo.

5. Deixe amornar por cerca de 20 minutos antes de desenformar. Se conseguir esperar, deixe esfriar totalmente antes de servir, para que os sabores se intensifiquem. Pode ser guardado num pote fechado e fica ainda melhor de um dia para o outro. Sirva com mel por cima.

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Acabare + Blondies versáteis

Como diria Marcelo Jeneci, a gente é feito pra acabar.

Minha travessa de porcelana preferida, herdada da vó Geralda, também. Ela foi feita pra quebrar. E o sofá, pra sujar,  manchar, desfiar, desbotar, soltar mola. A parede da minha casa de infância foi construída pra desaparecer, uma lasca por vez, até ficar no cimento. E o cimento foi feito pra sumir com chuva e vento, até sobrar só o tijolo, que vai desmanchar na terra até não restar mais casa.

E o ano começa pra terminar. Para alguns, é um encerramento sutil – certamente não como uma travessa espatifando no chão. O velho é substituído pelo novo tão depressa que quase não parece um fim. Para essas pessoas, o último dia do ano é como qualquer um. Já tentei ser assim – mas parece que, para mim, os dias que nos fazem perceber a passagem do tempo, que nos confrontam com a realidade do começo e do término, nunca são como os outros, que se disfarçam de iguais.

Talvez a finitude das coisas seja o que dê sentido a elas. Só havendo um início e um fim é possível existir um meio, que, desconfio, é onde a vida acontece. A vida da minha travessa teve muito frango assado, batatas coradas, torta de maçã e algumas gororobas que não deram certo. A vida da casa de infância teve piscina de plástico, tombos, aniversários com cajuzinho, lágrimas e mordidas de cachorro. A vida do meu ano teve Nova York, bebês, balé, mudanças de rumo, escritos, muito amor e muita dúvida.

E agora esse ano acabou.

Que venha o próximo. Que o meio seja lindo.

***

Blondies versáteis

Para terminar 2013 já no clima de simplicidade, que é minha palavra para 2014, fiz essas blondies,  que alguns definem como um brownie sem chocolate na massa. O chocolate, no entanto, não faz a menor falta aqui: com seu sabor caramelado e textura bem úmida e amanteigada, as blondies tem um lugar cativo no meu coração. Ainda mais porque é uma receita fácil, rápida e pode ter infinitas variações.

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Ingredientes

- 1 xícara de farinha de trigo
- ¼ de colher (chá) de fermento em pó
- ¼ de colher (chá) de bicarbonato de sódio
- ¼  de colher (chá) de sal
-100 gramas de manteiga sem sal
- ¾  xícara (chá) de açúcar mascavo (aperte na xícara para medir)
- 1 ovo grande
- 1 colher (chá) de extrato de baunilha

Adicionais (você pode adicionar uma ou mais dessas sugestões):

- ½ xícara (chá) de chocolate amargo picado
- ½ xícara (chá) de nozes, castanhas, macadâmias ou amendoins
- ¼ xícara (chá) de bourbon, rum ou conhaque (aumente a farinha em duas colheres de sopa neste caso)
- ¼ de xícara (chá) de nutella
- ¼ de xícara (chá) de manteiga de amendoim
- 2 colheres (sopa) de café solúvel (adicione junto com a baunilha)
- ½ xícara (chá) de frutas secas como damasco picado, passas ou cranberries
- ½ xícara (chá) de cerejas, framboesas, mirtilos ou amoras frescas
- ½ xícara chá de coco ralado
- ½ xícara (chá) de aveia em flocos
- ½ xícara (chá) de balas de caramelo partidas em 4

Exemplos de combinações:

* cerejas + nozes pecan (foi a que usei)
* avelãs+ nutella
* bourbon + café solúvel
* balas de caramelo + chocolate amargo picado + nozes
* framboesas + flocos de aveia + macadâmia
* coco ralado + rum + chocolate amargo picado

Como fazer

1. Preaqueça o forno a 180 graus. Forre o fundo e as laterais de um forma de 20 x 20cm com dois pedaços de papel alumínio, cruzando um sobre o outro, de forma que sobre um pouco do papel para fora, como alças. Unte o papel com manteiga.

2. Numa tigela, misture a farinha, o sal, o fermento e o bicarbonato.

3. Derreta a manteiga no micro-ondas ou em uma panelinha.

4. Com um batedor de arames (fouet), bata a manteiga derretida com o açúcar até ficar cremoso. Adicione o ovo e a baunilha e continue batendo até ficar bem liso.

4. Adicione os ingredientes secos à mistura e mexa apenas até a farinha desaparecer na massa. Misture também os ingredientes que escolher da listinha acima (eu usei cerejas frescas picadas e nozes pecan).

5. Distribua a massa na forma, alisando a superfície com ajuda de uma espátula, e leve ao forno por cerca de 20 minutos, até que esteja firme no topo. Ao inserir um palito, ele deve sair com migalhas grudadas, pois o meio ainda estará cremoso. Cuidado para não passar do ponto: as blondies tem o centro úmido mesmo.

6. Quando amornar, use as alças de papel alumínio para retirar a blondie da forma. Deixe esfriar completamente sobre uma gradinha antes de cortar. Eu gosto de deixar algumas horas na geladeira antes de partir os pedaços, pois assim eles saem mais certinhos.

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Sdds vida offline + Bolo de avelãs e chocolate

Eu sei que sou uma pessoa saudosista. Mas não é como se passasse 24 horas por dia sentindo falta das coisas. Na maioria das vezes, passo pelas minhas saudades como se estivesse folheando alguns livros, que logo voltam para a estante. Tem um tempo já, no entanto, que apareceu uma saudade bem diferente, grande e genérica, que por isso ainda não coube na minha biblioteca. É uma saudade de ver mais as pessoas. Não de ver as suas fotos ou atualizações de status, mas de ver mesmo, pessoalmente. Ver a roupa que estão usando, ver seus olhos e perceber se estão felizes, cansadas ou preocupadas, de abraçar na hora que encontra e na hora de ir embora.

Mais do que tudo, estou sentindo falta da informalidade do encontro, que não precisa ser marcado com uma semana de antecedência, às 18:45 de uma quarta-feira, mas que acontece meio sem planejar, porque estou na porta da sua casa e te chamo no interfone, falando “desce aí rapidinho”, ou porque te ligo e falo “vamos comer um pastel?”. De quando os encontros não tinham um clima de raridade, então era permitido falar coisas frívolas e idiotas, em vez de relatar os últimos marcos “importantes” da sua vida nas seis últimas semanas.

Eu sei que as redes e tecnologias sociais são muito importantes para aproximar pessoas. Sem elas, por exemplo, seria muito mais difícil ter contato com meus amigos que moram longe . Só acho que, talvez, essas formas de se relacionar nos dão uma falsa noção de proximidade e de aproveitamento do tempo – afinal, se é possível conversar com quatro pessoas simultaneamente e ainda terminar a revisão de um texto entre uma resposta e outra, virou uma espécie de “luxo” dedicar todo esse tempo e esforço para ver pessoalmente uma ou duas destas pessoas.

Eu me sinto uma pessoa velha e rabugenta por sentir saudade disso. Acho que talvez a geração que nasceu com as redes sociais sinta que a proximidade de conversar com alguém pelo Facebook é a mesma de sentar no bar e falar da vida. Pode ser mesmo uma coisa só minha, que tive uma infância e adolescência em que conversava com vizinhos, conhecia o dono da banca de jornal e podia ir diariamente na casa das minhas tias conferir se tinha bolo no café da tarde.

Ainda assim, insisto que o mundo está realmente num paradoxo muito doido, onde todos parecem mais próximos mas, ao mesmo tempo, mais distantes. Me chamem de antiquada, eu não ligo. Continuo sentindo falta de VER as pessoas rindo, em vez de só LER um “hahahaha”.

***

Bolo de avelãs e chocolate

Eu já fiz esse bolo algumas vezes, mas não sei por que nunca veio parar blog. É meio difícil explicar o quanto ele é bom, só experimentando para entender. É perfeito para tomar com chá ou dar de presente para alguém querido. Ou quem sabe deixar pronto no fim de semana para uma visita inesperada – essas da vida offline, que chegam para “filar” o café da tarde.

 

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Levemente adaptado daqui. 

Ingredientes

- 150 gramas de avelã sem casca e sem pele (se você só encontrar a com pele, veja a dica no final do post de como tirá-la)
– 60 gramas de chocolate meio-amargo picado em cubinhos
– 125 gramas de manteiga
– 180 gramas (1 xícara de chá) de açúcar mascavo (não aperte para medir)
– 3 ovos
– 250 gramas (2 xícaras de chá) de farinha
– 1 colher de chá de fermento em pó

Como fazer

1. Triture as avelãs no processador até que fiquem como uma farofa grossa. Se não tiver processador, pique na mão mesmo, com uma faca bem afiada. Misture com o chocolate picado e reserve.

2. Chegou a hora de fazer a chamada manteiga queimada, que não é queimada de verdade, mas passa por um processo que intensifica o sabor dela. O processo demora alguns minutos, mas nunca tire o olho da panela.

Em uma panelinha de inox, alumínio ou de qualquer outra de fundo claro, derreta a manteiga em fogo baixo (as antiaderentes ou de fundo escuro atrapalham ver a mudança de cor da manteiga). Vá mexendo delicadamente com uma colher. Depois de derretida, ela vai espumar e em seguida vai borbulhar e estalar. Continue mexendo. Após a fase de borbulha, ela vai de novo soltar uma espuma fina e o estalo vai silenciar. Essa espuma então some aos poucos e a manteiga começa a ganhar cor, indo de um dourado claro até uma cor âmbar, como de caramelo.

Nesse ponto, é possível sentir também uma mudança no cheiro, que passa a ser de avelã. Desligue imediatamente o fogo (a manteiga queima de verdade rápido – se o cheiro passar de avelã para queimado e a manteiga ficar com muitos pontos pretos, é porque queimou – jogue fora e comece de novo). Deixe esfriar completamente antes de continuar a receita.

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2. Preaqueça o forno a 180 graus. Unte e enfarinhe uma forma de bolo inglês.

3. Bata os ovos e açúcar mascavo na batedeira, na velocidade máxima, por 2 ou 3 minutos, até que a mistura ganhe mais volume, fique cremosa e com cor de cappuccino.

4. Abaixe a velocidade para a mínima e junte a farinha. Quando não der para ver nenhum pontinho branco na massa, adicione a manteiga e bata apenas até misturar tudo.

5. Desligue a batedeira, raspe as laterais da tigela com uma espátula e adicione as avelãs trituradas e o chocolate picado. Misture para distribuir bem.

6. Leve ao forno por 15 minutos, depois abaixe a temperatura para 160 graus e continue assando por uns 30 minutos, ou até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Espere amornar, passe uma faquinha nas laterais e deixe esfriar por completo antes de desenformar.

 

 

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Dica: como  tirar a pele das avelãs

1. Como eu faço: preaqueça o forno a 150 graus, coloque as avelãs numa travessa e leve ao forno por cerca de 10 minutos, até perceber que a pele está começando a soltar. Distribua as avelãs em um pano limpo e deixe esfriar por alguns minutos. Depois feche o pano como uma trouxa e esfregue vigorosamente as avelãs, umas contra as outras. Isso fará com que a maior parte da pele saia, mas talvez seja necessário repetir esse movimento algumas vezes. Se algumas ficarem com um pouquinho de pele, não tem problema.

2. Como eu deveria fazer, mas sempre esqueço de tentar: ferva duas xícaras de água numa panela grande e coloque três colheres de bicarbonato de sódio (essa medida serve para uma xícara de avelãs). Adicione as avelãs e ferva por três minutos. A água vai ficar escura. Enquanto isso, coloque água gelada em um tigela. Passado o tempo, faça um teste com uma das avelãs, transferindo para a água gelada e esfregando com os dedos para ver se a pele está saindo facilmente. Se não, ferva por mais um ou dois minutos e faça o teste de novo. Quando estiverem no ponto, escorra e coloque todas as avelãs na bacia com a água. Retire a pele e seque bem.

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Paraísos + Brownies para o dia-a-dia

Quando eu era criança, imaginava que depois da morte todo mundo iria para um lugar muito verde, com colinas, margaridas e coelhinhos pulando, onde estariam todas as pessoas que eu amava e tinham morrido antes de mim. (Qualquer semelhança com o lugar onde os teletubbies moravam é mera coincidência).

Um pouco mais velha, passei a acreditar que a gente podia escolher como seria esse lugar após a morte, graças a uma amiga que me convenceu que era assim. Ou seja, não seria um lugar “de verdade”, mas uma projeção da sua mente. Essa ideia me seguiu por muito tempo, principalmente porque gostava de imaginar todos os lugares que seria capaz de inventar na minha cabeça. Em algum momento, acreditei que o ideal seria recriar o mundo exatamente como o que eu vivia, pois assim nunca pareceria que tinha morrido.

A ideia que surgiu nessa época que acho mais engraçada é a de ir para um lugar onde você pode comer todas as suas coisas favoritas sem se preocupar com saúde ou peso. Onde só com um desejo da mente seria possível materalizar todas as comidas que você pudesse se lembrar, aquelas que te marcaram durante a vida. Quando contei essa ideia para a minha mãe – acho que tinha uns 12 anos – ela respondeu algo como: “melhor ainda seria estar num lugar onde você nem deseja nada, nem precisa de nada”. Na época achei meio boba essa resposta dela. Pensei: “que vida chata essa de não querer nada”.

Sinal de que estou ficando velha é que hoje eu entendo o que ela quis dizer. Desejar coisas em alguma medida nos deixam presos a elas. Liberdade mesmo não seria comer o tabuleiro inteiro desse brownie e não engordar, seria não ter nem vontade de comê-lo…

***

Brownies para o dia-a-dia

Só mesmo a Nigella para dar para um brownie esse nome: como se fosse algo que pudéssemos sempre ter em nossa rotina. De qualquer forma, ele é bem fácil e fica muito gostoso. O mais interessante é que dar pra controlar a textura dele, ficando mais puxento ou mais parecido com um bolo.

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Levemente adaptado do livro Nigella Kitchen

Ingredientes

- 125 gramas de manteiga sem sal
- 1 ¾ de xícara de açúcar mascavo (aperte levemente na xícara para medir)
- ¾ de xícara de cacau em pó peneirado
- 1 xícara + 1 colher de sopa de farinha de trigo
- 1 colher de chá de bicarbonato
- uma pitada de sal
- 4 ovos
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- Cerca de 150 gramas de chocolate picado (usei amargo, mas a receita original pede ao leite)

Como fazer

1. Preaqueça o forno a 190 graus.

2. Numa tigela, misture o cacau, a farinha, o bicarbonato e o sal.

3. Leve uma panela média no fogo baixo e derreta a manteiga. Junte o açúcar e misture. Adicione os ingredientes secos e mexa rapidamente até ficar homogêneo – vai ficar uma mistura seca.

4. Tire do fogo e deixe amornar. Enquanto isso, bata levemente os ovos com a baunilha. Aproveite também para forrar uma forma de 25cm X 25cm com papel alumínio, deixando sobrar do lado para formar alças. Unte por cima do papel.

5. Na mistura já bem morninha, adicione os ovos e misture vigorosamente com um batedor de arames. Acrescente o chocolate picado, mexa para distribuí-lo pela massa e despeje na forma, alisando com uma espátula.

6. Asse por 20 a 25 minutos, ou até que a superfície esteja seca e as beiradas firmes, mas o centro ainda vai estar um pouco mole. Ao inserir um palito, ele vai sair com um pouco de massa ainda úmida. Se você gostar do brownie mais parecido com bolo, deixe ele mais tempo no formo, até que o palito saia quase (mas não totalmente) seco.

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8 bolos imperdíveis do SdB

Uma casa ideal para mim cheira a bolo. Aliás, uma casa ideal para mim teria um bolo diferente por semana. Se bem que isso nem é tanto uma questão de ter ou não um bolo na casa, mas sim de poder ou não comer doce toda semana, mas enfim. Se minha genética permitisse, eu teria bolo sempre. De camadas, simples, elaborado, com ou sem cobertura, de fruta, de chocolate, da roça. O único bolo que não gosto é aquele que as pessoas dão! ;)

Pensando no meu amor por bolos, resolvi fazer um compilado das melhores receitas de bolo que já passaram por aqui. Vem comigo:

8 bolos imperdíveis do Sal de Bolinha

1. Bolo de chocolate

Esse é meu bolo de chocolate favorito. Hoje em dia, às vezes troco o café por água quente na lista de ingredientes para um sabor mais sutil – mas ele continua maravilhoso do mesmo jeito. Se for assado em duas formas menores, de 20 cm, e coberto com ganache de chocolate, dá um ótimo bolo de aniversário!
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2. Blondie de amendoim e pedaços de chocolate

Ainda que não seja tecnicamente um bolo, esse talvez seja um dos mais saborosos que já fiz. Eu sei que pode parecer um trabalhão ter que comprar manteiga de amendoim só para a receita, mas eu garanto que vale muito a pena.
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3. Brownie de nutella

Falando em bolos que não são bem bolos, esse é meu brownie favorito. A nutella forma uma casquinha e, ao contrário do que pode parecer, não deixa o resultado muito doce.
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4. Bolo de peras no conhaque e chocolate branco

Esse tem um sabor indescritível. É simplesmente amor em forma de bolo – te deixa de bom humor na primeira garfada.
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5. Bolo amanteigado de rum

Sabe um bolo que você não dá nada por ele quando vê na bancada, aí come uma fatia e pira? É esse.
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6. Bolo cookie

Viciada em cookies com gotas de chocolate como sou, amei essa versão que assa numa forma. Ela fica bem úmida por dentro e crocante por fora. É um opção legal de bolo pra um aniversário de criança (eu faria no meu, mas sei que não sou parâmetro). Dá para assar numa forma redonda e fazer tipo um cookie gigante!
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7. Bolo de cenoura

O clássico dos clássicos, não tem ninguém que não goste. A questão não é só que é bom demais, mas que relembra uma época boa da vida.
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8. Bolo de maracujá

Do rol de bolos de fruta, esse é o meu favorito. É perfumado e dá para sentir mesmo o gosto do maracujá. É importante usar a fruta fresca, por isso só faço quando é época de maracujá. Fica maravilhoso coberto com essa geleia.
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Escolha seu lado + Brownies de manteiga queimada e nozes

Um confeiteiro americano que gosto muito, David Lebowitz, disse em um dos seus livros de receita que o mundo é dividido entre dois tipos de pessoas: as que gostam do brownie com textura parecida com bolo e as que preferem a textura “fudge”, que é úmida e densa. Ele conta que precisou incluir receitas para agradar os dois tipos no livro porque percebeu como as pessoas são ferozes em defender o seu tipo favorito que, para elas, é sempre “o jeito certo de fazer brownie”.

Essa expressão “o mundo é dividido entre dois tipos de pessoas” só existe porque as pessoas podem ser vorazes em defender (pequenas) coisas pelas quais são muito apaixonadas. Quando morei no sul dos Estados Unidos, havia uma bebida lá chamada “sweet tea”, um chá mate bem gelado com bastante açúcar. A primeira vez que me perguntaram o quão doce eu queria o chá e eu respondi “bem pouco”, quase fui expulsa da casa. A anfitriã me explicou: “existem dois tipos de pessoas aqui: as que gostam do chá doce e as que gostam dele MUITO doce”.

Já sofri discriminação também porque disse que não gosto de Simpsons, no que me responderam que essa não é uma possibilidade, já que estamos falando  do melhor desenho do mundo e eu tinha apenas a opção de entrar para um dos dois grupos: quem gostava mais da dublagem antiga ou da atual.

Fato é: em coisas bobas ou causas grandes, é importante ter bandeiras para defender. Não há nada pior do que gente que nunca se posiciona. Seja em brownies ou lutas políticas, é preciso escolher um lado.

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Brownies de manteiga queimada e nozes
Eu ainda estou decidindo se gosto mais de brownies tipo bolo ou tipo fudge. Esse, no caso, é da turma dos fudge: bem úmido, bem denso. A manteiga queimada junto com as nozes dão um sabor maravilhoso para o brownie. É, acho que vou ter que fazer de novo para decidir.

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Ingredientes

- 125 gramas de manteiga sem sal
- 1 ¼ xícaras de chá de açúcar
- ¾ de xícara de cacau em pó
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- 2 colheres de chá de água
- ¼ de colher de chá de sal
- 2 ovos
- ⅓ de xícara de chá + 1 colher de sopa de farinha de trigo
- 1 xícara de nozes picadas


Como fazer

1. Preaqueca o forno a 160 graus e forre uma forma quadrada de 20 cm com papel alumínio. Deixe que o papel alumínio sobre de dois lados, formando uma alça que vai ajudar na hora de desenformar. Unte o papel.

2. Misture o açúcar, o cacau, a água, a baunilha e o sal.

3. Numa panela pequena, derreta a manteiga em fogo baixo, mexendo sempre. Depois que manteiga parar de espumar, ela vai começar a adquirir um tom dourado, que vai escurecer aos poucos. Continue mexendo e, quando sentir um cheiro de castanha e a manteiga estiver âmbar, com pedacinhos queimados no fundo da panela, desligue o fogo imediatamente. Esse processo leva uns 5 minutos. Se sentir cheiro de queimado, a manteiga passou do ponto. então, comece de novo.

4. Entorne a manteiga imediatamente na vasilha com os outros ingredientes e misture até ficar homogênio. Deixe esfriar por 5 minutos.

5. Adicione os ovos, um de cada veze, batendo vigorosamente depois de cada adição. Quando a mistura estiver grossa e brilhante, junte a farinha e misture. Agora vem uma parte importante: coloque o timer para marcar 1 minuto e durante esse tempo misture mais uma vez vigorosamente a massa.

6 Junte as nozes, misture e entorne na forma preparada. Use uma espátula para alisar a mistura e, se quiser, decore com algumas nozes por cima. Leve ao forno por cerca de 30 minutos, ou até que um palito inserido no centro saia com algumas migalhas grudadas. Se sair com massa, ainda não está no ponto. Se sair totalmente seco, ele passou do ponto. Deixe esfriar, de preferência numa grade, e desenforme com ajuda das alças de papel alumínio. Se quiser cortar pedaços mais certinhos, deixe o brownie na geladeira por algumas horas antes de cortar.

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Paixonites offline e o melhor bolo de chocolate (com cobertura)

Outro dia estava observando um menino no ônibus “xavecando” (deu pra sentir minha idade?) uma garota sentada. Os dois deviam ter no máximo 13 anos. Quando ele estava descendo no ponto, disse: “vou te adicionar no ‘face’!”.  Talvez essa seja a frase mais dita hoje para começar ou continuar uma paquera (sentiu o drama de novo?). E antes do Facebook tinha Orkut, e antes do Orkut a frase era “me dá seu msn?”.

Talvez a gente não perceba, mas ter um computador entre duas pessoas que estão começando uma história é a maior dádiva do mundo moderno. É um jeito mais relaxado de se conhecer. Não tem problema se a conversa é curta. Se rola uma pausa ou silêncio, ele não é constrangedor como se acontecesse por telefone ou pessoalmente. Além disso, não importa se a pessoa está com uma espinha gigante na cara ou com dor de barriga. Fora que depois de jogar conversa fora na rede social, fica muito mais fácil encontrar cara a cara, porque já não é um encontro entre dois estranhos.

Aos 11 anos me apaixonei por um garoto na praia. Naquela época, claro, não existia nada disso. Depois que o verão acabou, voltei para casa sem telefone ou endereço da paixonite. Eu até podia conseguir essas informações, pois ele era filho de um amigo do meu pai, mas aí ia fazer o quê? Simplesmente ligar? Era preciso coragem demais para isso. E se a mãe dele atendesse? Podia também mandar uma carta, mas e se o irmão dele pegasse a correspondência primeiro? Se a rede social existisse naquela época, talvez seria mais fácil encontrá-lo online e conversar. Acho até que o contato ia me ajudar a desiludir mais rápido. Em vez disso, nunca mais falei com ele e foi preciso um longo período ouvindo“More than words” diariamente, chorando de coração partido, para a paixão finalmente passar.

Eu queria que meu primeiro beijo tivesse sido com ele. Em vez disso, aconteceu bem depois, com uma garoto que morava perto da minha casa. É isso, naquela época precisava morar perto de casa. Ah, Facebook, aonde estava você em 1994?

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Hoje é o último dia para participar do sorteio dos livros “Tudo e mais um pouco”, volumes 1 e 2, do Mark Bitmann! Corre lá!

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O melhor bolo de chocolate (com cobertura)
Já falei sobre meu bolo de chocolate favorito aqui. Essa receita é bem parecida com aquela, mas resulta num bolo mais úmido (e por isso um pouco mais difícil de desenformar e rechear). Além disso ele tem uma cobertura enlouquecedora de boa. Eu quase comi ela pura da tigela.

No dia seguinte o bolo já estava pela metade…

Ingredientes

Cobertura (se além de cobrir você quiser rechear o bolo, dobre as quantidades)
- ½ xícara de chá de creme de leite
- ¼ de xícara de chá (50 gramas) de manteiga sem sal
- 2 colheres de sopa de açúcar
- pitada de sal
- 225 gramas de chocolate meio amargo picado
Opcional
- 1 colher de sopa café pronto, sem açúcar, quente
- ½ colher de chá de extrato de baunilha

Massa do bolo
- 2 xícaras de açúcar
- 2 xícaras de farinha de trigo
- ¾ de colher de chá de bicarbonato
- ½ colher de chá de sal
- 100 gramas de chocolate amargo picado (acima de 60% de cacau)
- 1 xícara de café pronto, sem açúcar e quente
- 2 ovos grandes
- ½ xícara de óleo
- ½ xícara de iogurte
- 1 ½ colher de chá de extrato de baunilha

Como fazer

1. Comece preparando a cobertura. Aqueça numa panelinha o creme de leite, o açúcar, a manteiga e o sal no fogo baixo, até que vire uma creme homogênio. Retire do fogo e junte o chocolate meio-amargo picado, mexendo delicadamente, até que ele derreta e a mistura fique lisa. Se estiver usando, adicione também o café e a baunilha. Deixe que a mistura esfrie por cerca de duas horas, até que atinja uma boa conscistência para ser espalhada.

2. Enquanto isso, prepare o bolo. Pré-aqueça o forno a 160 graus. Unte e enfarinhe uma forma redonda de 25 cm (ou duas de 23 cm, caso queira fazer o bolo em duas camadas com recheio – lembre-se que nesse caso é preciso dobrar a quantidade de cobertura). Cubra o fundo com papel manteiga, untando e enfarinhando o papel também.

3. Numa tigela pequena, junte o café pronto bem quente e o chocolate picado. Mexa delicadamente com uma espátula até que o chocolate esteja todo derretido.

4. Em outro recipiente, peneire o açúcar, a farinha, bicarbonato e o sal.

5. Numa tigela média, bata com um batador de arames os ovos, o óleo, a baunilha e o iogurte, até que fiquem totalmente misturados. Junte a mistura de chocolate e café.

6. Vá colocando a farinha em três adições, mexendo delicadamente até que esteja totalmente incorporada. É importante não bater o bolo nessa etapa, apenas misturar com leveza, para não desenvolver o glúten da farinha.

7. Leve o bolo ao forno por cerca de 40 minutos ou até que um palito inserido no meio do bolo saia limpo. Deixe que o bolo amorne e passe uma faquinha nas laterais para ajudar a soltar. Quando estiver frio, desenforme e use uma espátula para cobrir com a cobertura. Se conseguir esperar, deixe o bolo coberto por cerca de 2 horas ou de um dia para o outro antes de servir. O sabor fica melhor com o tempo. Mas confesso que eu não consegui!

Dica
O café é utilizado para realçar o sabor do chocolate. Eu não consigo sentir o sabor dele na massa. Se você não quiser usar café de jeito nenhum, substitua por água quente.

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O lugar da cozinha + Bolo de peras, conhaque e chocolate branco

Durante alguns anos o sitio do meu tio Antônio em Casa Branca consistia em apenas uma cozinha enorme e um banheiro. Nos fins de semana que eu e minha família passávamos lá, nós dormimos em colchões espalhados pelo chão de cimento batido, ao lado da mesa grande de madeira. Acordávamos ouvindo meu tio cantando e sentindo o cheiro de toucinho sendo frito para o café da manhã.

Com o tempo os outros cômodos da casa foram sendo construídos, mas a cozinha nunca perdeu a majestade. Me lembrei desses anos no sítio ao ouvir a Nigella Lawson dizer, em uma entrevista, que “a cozinha não é apenas um cômodo onde se cozinha, mas onde se vive”. A cozinha de Casa Branca levava ao pé da letra essa afirmação.

Eu já li muito sobre como a cozinha foi ganhando o papel que tem hoje nas construções e aprendi que ela nem sempre teve esse lugar central nas casas. Na Roma e Grécia antigas elas funcionavam nos átrios, o pátio central, pois era preciso que a fumaça do fogo tivesse para onde escapar. Com o tempo o átrio se tornou um lugar de convivência, o que fez a cozinha se mudar para um pedaço separado da casa.

Na Idade Média, a cozinha voltou para dentro das construções, mas num cômodo abaixo dos quartos e próximo ao banheiro, pois o fogo ajudava a esquentar a água. Nessa época, a cozinha era considerada uma lugar ruim, pois nela era realizado um trabalho braçal, sujo e perigoso, feito por escravos e mais tarde por empregados.

O tempo passou, a revolução industrial chegou, as casas passaram a ter eletricidade e encanamento. A classe média surgiu e as mulheres foram aprender a cozinhar. A partir desse momento, as cozinhas começaram a ter o desenho e o papel parecidos com o que temos hoje.

Dados históricos à parte, sendo ou não o centro da casa, a cozinha ganhou importância ao longo dos anos junto com a comida, que foi deixando de ter apenas uma função de sustento e passou a se conectar com um lado mais emotivo e lúdico das pessoas. E hoje ela virou o coração da casa, onde as pessoas se reúnem não só para comer, mas para conviver, conversar. Onde é possível falar de tudo de uma forma mais despretensiosa  Entre uma cebola picada e outra, o desabafo parece mais à vontade.

Talvez isso ajude a entender porque nas festas, por mais que os outros cômodos de uma casa sejam lindos e aconchegantes  se há alguém preparando algum coisa na cozinha, é para lá que todo mundo acaba indo…

***

Bolo de peras, conhaque e chocolate branco
A combinação de sabores desse bolo é tão única e tão saborosa que fica difícil descrever. Tem que comer para entender. Só vou deixar uma dica: ele é delicioso tanto comido em temperatura ambiente, com o chocolate macio, quanto depois de um tempo na geladeira, com a pera bem úmida e geladinha.

Receita tirada daqui.

Rendimento: 8 fatias grandes

Ingredientes:

Para a pera ao conhaque:

- 2 colheres de sopa de açúcar
- ¼ de xícara de conhaque
- 2 colheres de chá de suco de limão
- 2 xícaras de peras maduras, descascadas e cortadas em cubinhos (cerca de duas peras)

Para o bolo:

- 1 xícara de farinha de trigo
- 120 gramas de manteiga
- 3 ovos grandes
- ⅔ de xícara de açúcar
- 150 gramas (cerca de ½ xícara) de chocolate branco picado

Como fazer:

1. Numa tigelinha, misture o açúcar, o conhaque, o limão e as peras e deixe macerando por 20 minutos.

2. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte e enfarinhe uma forma quadrada de fundo removível de 20cm.

3. Em uma frigideira pequena e no fogo baixo, derreta a manteiga, cozinhando por cerca de 8 minutos, até que adquira um tom castanho claro e um aroma de nozes. Cuidado para não deixar passar desse ponto, pois senão ela irá queimar. Retire do fogo e reserve.

4. Numa tigela peneire a farinha, o fermento e o sal. Na batedeira, bata os ovos em velocidade alta até que fiquem bem claros e fofos. Vá juntando o açúcar aos poucos, batendo por mais uns dois minutos. Abaixe a velocidade da batedeira e junte uma colher de sopa do líquido em que as peras ficaram macerando. O restante do liquido não será usado. Vá adicionando a farinha e a manteiga de forma alternada, começando e terminando pela farinha. Bata apenas até que a farinha esteja incorporada.

5. Espalhe a massa na forma. Escorra o líquido que sobrou nas peras e coloque os pedacinhos de pera por cima da massa. Por fim, salpique os cubos de chocolate.

6. Leve ao forno por 45 minutos, ou até que um palito inserido no meio saia limpo e o bolo esteja dourado. Deixe esfriar completamente na forma antes de desenformar.

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Um radinho, uma broa e uma saudade

A luz do sol entrava nas frestas da persiana e refletia em filetes nas cobertas. O rádio-relógio piscava em verde-flúor às 7h da manhã e, junto com o alarme, eu ouvia as notícias do dia sendo narradas lá no fundo. De vez em quando era uma propaganda das lojas “Lua de Mel”.

Tia Ana levantava e eu ia um tempo depois, para já encontrar os sacos grandes de pão na mesa da cozinha. Para mim, e às vezes para o meu irmão também, ela fazia um achocolatado na medida certa: meio-claro-quase-escuro. O pão quentinho quase derretia a manteiga. Podia ser que tivesse broa, a melhor broa do mundo, que sobrava do café da tarde do dia anterior. Eu gostava de comer na sala, no chão, entre umas almofadas grandes e molengas. Ela até deixava eu fazer isso, mas eu tinha que catar minha migalhas depois com coisa engraçada de plástico marrom chamada “feiticeira”.

Sentada ali, frequentemente entediada, eu esperava o relógio chegar às 8 horas. Era uma regra da casa – só depois desse era o horário era permitido ligar a TV. Enquanto isso ouvíamos o programa do Acir Antão no rádio e conversávamos sobre qualquer coisa. E dali íamos vendo o resto da família acordar. Para cada um ela preparava um café da manhã diferente. Para um dos meus primos ela fervia o leite e separava a nata, que ele comia de colherada sentado no chão da cozinha, entre o fogão e a geladeira. Para o outro guardava um saco inteiro de dez pães. Sim, ele comia DEZ pães sozinho.

Ela sempre iniciava o dia do mesmo jeito que fazia tudo, com grandes doses de carinho. E foi assim começaram muitos sábados e domingos da minha infância. Existia algo nesse momento do dia que compartilhávamos, essa rotina serena, de um silêncio delicado, que foi muito importante para mim. Ao mesmo tempo em que ansiava pela hora de assistir meus desenhos animados, gostava de ser sua “assistente” da manhã, a pessoa com quem ela dividia aquelas primeiras horas. Era meu jeito de acordar favorito.

O dia então passava,  He-Man lutava contra o Esqueleto, o almoço cheirava da cozinha, as bicicletas rodavam na pracinha. A luz do sol ia embora aos poucos e chegava a hora do banho e de assistir Os Trapalhões. Como dividíamos o quarto na hora de dormir, eu observava atenta seus hábitos: o creme com cheiro de rosas, o pente fino no cabelo, os óculos no criado-mudo. Ela lia um pedaço de um livro de romance e deixava o rádio ligado baixinho. Eu me aninhava na coberta azul de pelinhos, respondia ao seu “boa noite” amoroso e ficava ali, sonhando com a brincadeira do dia seguinte e ouvindo o locutor falar de qualquer coisa lá no fundo, deixando sua voz me levar até o sono. Era meu jeito de dormir favorito.

Dessas manhãs e noites ficou uma saudade tremenda. Dessas e de tantas outras coisas.

Por isso hoje vou comer uma broa e dormir ouvindo rádio Itatiaia.

***

Broa de fubá com queijo
Aqui em Minas chamamos de broa o bolo de fubá. Essa é receita não é a da tia Ana. Não quis arriscar porque sabia que nunca ficaria do mesmo jeito. Mas ainda assim é uma ótima receita, muito gostosa e perfeita para acompanhar um café pingado.

Ingredientes

- 1 xícara de chá de farinha de trigo
- 1 xícara de chá de fubá
- 1 e 1/2 xícara de chá de açúcar
- ⅔ de xícara de óleo (a receita original pede uma xícara, mas gosto de reduzir um pouco)
- 1 xícaras de leite de coco (pode ser substituído por leite)
- 3 ovos (4 se os ovos forem pequenos)
- 4 colheres de sopa de queijo Minas ralado
- 1 colher de sopa de fermento em pó

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte e polvilhe com fubá uma assadeira ou uma forma com furo no meio.

2. Bata todos os ingredientes no liquidificador, menos o fermento, até que fique uma massa homogênea. Acrescente-o por último, batendo apenas até incorporar. Despeje na forma e asse por cerca de 30 minutos, ou até que um palito saia seco ao ser espetado no centro do bolo. Espere esfriar, desenforme e sirva.

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