Um bolo de laranja em homenagem aos clássicos

Sou do pensamento que todo clássico é clássico por um motivo. É claro que precisa existir no mundo inovações e reinvenções, mas é prudente não mexer demais em coisa que já é boa.

Por exemplo, a nova mania de refilmagens de filmes dos anos 80. Alguns desses filmes só se tornaram clássicos para uma geração porque representavam um momento no tempo e espaço e um jeito de fazer cinema que eram próprios daquela época. As chances de uma refilmagem de Fame, Footloose ou Dirty Dancing serem boas são muito pequenas. Não basta copiar roteiro e personagens. Até porque isso não era o forte do filme, e sim o contexto em que foi criado, o que não tem como se copiar.

Essa prática de recriar os clássicos muita vezes torna difícil a missão de encontrar os originais. Ou então deixa-os cada vez mais caros.

Por exemplo, a camiseta branca. O clássico dos clássicos da moda. Aonde você vai para comprar uma camiseta branca feminina simples, corte reto, manga tradicional? Já te digo, não é em qualquer loja de roupas. Vai ter um estampinha. Vai ter um detalhe na manga. Ou gola V, ou com elastano. A comum, de algodão, é difícil de achar, e quando existe, custa mais do que deveria-se pagar por algo tão simples.

Aí chegamos na culinária. E me vem uma pessoa fazer brigadeiro gourmet. Ok, pelo menos ainda é com chocolate, o princípio é o mesmo, só tentando melhorar o paladar usando um  chocolate de maior qualidade. Aceito. Mas daí a colocar numa loucinha bonita e servir como “brigadeiro de colher” a OITO reais é demais para mim.

Depois me aparece o brigadeiro de lavanda, de capim-limão, de damasco. Eles podem ser gostosos? Até podem. Mas são melhores que o tradicional? Com certeza não. Então para que mexer com o brigadeiro, minha gente? Só pelo desejo de inovar? De provar algo diferente? Tudo bem, isso pode ser válido também. Mas coloca na mesa um monte desses brigadeiros inventivos ao lado dos tradicionais. Quero ver qual some primeiro.

E mais: aonde eu vou hoje em dia pra comer esse brigadeiro clássico, de achocolatado e granulado? Não vende mais. Não tem nem nas festinhas para criança. Só se fizer em casa.

Outro dia vi um cupcake de cenoura com cobertura de brigadeiro vendido por R$ 6,50. Nada contra cupcakes (aliás, tenho alguma coisa contra, mas fica para outro post), mas então é esse o preço que tenho que pagar hoje para comer um clássico. Um mísero bolinho igual o que eu comia assistindo sessão da tarde custando SEIS REAIS E CINQUENTA CENTAVOS.

Ah, não. Não dá não.

***

Bolo de Laranja
Um bolo clássico, típico bolo de vó: fofo e bem perfumado, sem cobertura ou outras firulas, apenas uma caldinha para umedecê-lo um pouco. É simples e delicioso – ou melhor, delicioso porque é simples.

A receita da massa é da Lena Gasparetto, a rainha dos bolos. A calda foi por minha conta.

Ingredientes

Massa
– 1 xícara (200 gramas) de manteiga em temperatura ambiente
– 1 e 1/3 de xícaras de açúcar
– 4 ovos
– Raspas de 2 laranjas grandes (de preferência laranja-baía)
– 1 xícara (240 ml) de suco de laranja
– 3 xícaras de farinha de trigo
– 1 colher de sopa de fermento em pó
– 1/2 colher (de chá) de sal

Calda
– 1 xícara de suco de laranja
– 5 colheres de sopa açúcar refinado

Como faz

1. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Forre com papel manteiga um forma redonda grande. Unte por cima do papel e também las laterais. Eu gosto de enfarinhar só o fundo, para não formar aquela casquinha nas laterais, mas você pode enfarinhar tudo.

2. Peneire a farinha e o fermento juntos.

3. Na batedeira, bata a manteiga e o açúcar até que vire um creme fofo. Adicione então os ovos um a um, batendo um pouco a cada adição, e por último o sal.

4. Acrescente as raspas e o suco da laranja, raspe as bordas da tigela e bata por cerca de um minuto. Pode ser que a misture talhe no início, não se preocupe: continue batendo que ela voltará ao normal.

5. Adicione a farinha aos poucos, batendo brevemente a cada adição. Derrame na forma preparada e leve ao forno por cerca de 30 minutos ou até que, ao enfiar uma faca no centro do bolo, ela saia limpa.

6. Enquanto isso, prepare a calda: numa tigelinha, misture o açúcar no suco de laranja até que esteja completamente dissolvido.

7. Depois do bolo pronto, desenforme-o ainda quente e coloque-o sobre uma grade ou outra superfície que possa sujar. Fure o bolo com um palito e entorne a calda por cima aos poucos, ajudando a espalhar com um pincel culinário ou com uma colher.

Dica:
Faça o dobro da calda. Achei que se tivesse dobrado a receita, o bolo teria ficado mais molhadinho e ainda mais gostoso.

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8 Resultados

  1. Ana disse:

    Meu suco de laranja não quis se misturar à massa, mesmo depois de 1 min, 2 e mais um pouco de batedeira.. tive que recorrer ao mixer, mas deu tudo certo, ficou ótimo! Parabéns pelo blog!

    • marina maria disse:

      Que estranho, Ana! A mistura costuma talhar no início por conta da acidez da laranja, mas quando continuamos batendo, tudo volta ao normal… bom, não sei explicar o que aconteceu, mas no final das contas fico feliz que tenha dado certo! Que bom que vc gostou!

      Beijoca!

  2. Lylia disse:

    Esse bolo é bom demais.Já experimentei essa receita da Lena.Agora vou ter que fazer com sua calda.Combinação perfeita.
    Bj e boa terça,
    Lylia

  3. Taís disse:

    Adorei o texto! Bjos 😉

  4. Mario C. disse:

    MUITO bom esse bolo. Só não foi mais clássico porque você é muito nova pra ser avó.

  1. 7 de novembro de 2011

    […] Classudo Eu sou radical com brigadeiros, como já falei aqui. Essas versões de “capim limão” e “damasco” para mim deveriam chamar outra coisa. Abro […]

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