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Aniversários e um brigadeiro classudo

Minha mãe sempre fez do meu aniversário o melhor dia do ano. Eu sempre tinha uma festa muito legal, com temas diferentes e docinhos lindos feitos por minhas tias, e a melhor parte de tudo era me preparar para o dia. Eu saía de casa para que as pessoas pudessem arrumá-la sem que eu ficasse atazanando pelos cantos. Fazia papelote no cabelo. Passava batom. E quando finalmente chegava em casa e via tudo decorado, sentia uma felicidade sem tamanho. A festa, na verdade, era minha e do meu irmão, já que fazemos aniversário em datas bem próximas. Era o meu dia e o dele também. E era bom demais.

2 anos - Tema: Moranguinho (meu irmão já estava participando na barriga da minha mãe)

3 anos - Tema: Circo

4 anos - Tema: Fundo do mar

5 anos – Tema: Primavera (reparem no meu tio enfiando um balão na cara do meu irmão para que ele não soprasse a vela antes que fosse acesa)

Conforme fui ficando mais velha, naturalmente as festinhas mudaram de tom. Mas o que mudou mesmo foi a percepção de que não existe isso de que o aniversário é um dia mágico, só seu, onde tudo tem que dar certo. Essa visão egocêntrica esconde o fato de que o dia pode até ser muito importante para você e um número limitado de pessoas, mas isso não impede que o mundo continue rodando e que coisas chatas aconteçam. Você pode acordar com o maior mau humor do planeta, ou resolver brigar com seu namorado ou, sei lá, bater o carro algumas horas antes da festa (história real).

Engana-se quem pensa que essa percepção me fez gostar menos da data. Pelo contrário. Passei a curtir ainda mais, justamente porque tirei dos meus ombros essa “obrigação” de que precisa ser um dia especial. Vivo o meu dia comum e uso-o como desculpa para fazer coisas que me trazem uma imensa alegria – como comer brigadeiro.

(Quero aproveitar para oferecer essa receita para outro aniversariante: o blog Pecado da Gula,  da querida Akemi, que está fazendo 6 anos! Parabéns!)

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Brigadeiro Classudo
Eu sou radical com brigadeiros, como já falei aqui. Essas versões de “capim limão” e “damasco” para mim deveriam chamar outra coisa. Abro uma exceção para essa variação “phyna”, que consegue deixar o sabor do chocolate bem acentuado. Afinal de contas, é o gosto do chocolate que importa em um bom brigadeiro. 

Inspirado aqui.

Ingredientes

- 1 lata de leite condensado
- 1 colher de sopa de manteiga sel sal
-  1/3 de xícara de cacau em pó
-  1/3 de xícara de um bom chocolate meio-amargo (procure os que indicam que possuem 60% ou mais de cacau. Eu usei um da Lindt de 62%)
- 2 colheres de sopa de creme de leite em lata, sem o soro
- ¼ de colher de chá de sal
- 1 colher de chá de baunilha

Para cobrir:
- 100 gramas de chocolate ao leite ralado

Como faz

1. Para ajudar na hora de saber o ponto do brigadeiro, coloque um pires vazio no freezer.

2. Com exceção da baunilha, junte os ingrediente numa panela de fundo grosso e leve ao fogo alto. Assim que estiver tudo homogênio, abaixe o fogo.

3. Continue mexendo constantemente. Use uma espátula de silicone ir raspando as laterais e evitar que o brigadeiro forme aquela crostinha, o que pode deixá-lo açucarado. Alternadamente, utilize também um batedor de arames para mexer o creme, evitando que forme grumos e deixando o brigadeiro bem liso.

4. O brigadeiro irá ferver e pouco depois começará a aparecer o fundo da panela. Nesse momento, conte mais dois minutos mexendo sempre e desligue o fogo.

5. Tire o pires do freezer e coloque uma pequena porção do doce. Volte com ele para o freezer e espere cerca de 1 minuto, até esfriar. Nesse momento, teste o ponto, observando se a massa está firme o suficiente para enrolar. Se não estiver, devolva o pires para o freezer, reacenda o fogo e mexa o brigadeiro por mais uns 2 minutos, repetindo o teste do ponto depois desse tempo.

6. Ao chegar no ponto, acrescente a baunilha e despeje em um recipiente untado com manteiga.

7. Espere esfriar, enrole e passe no chocolate ao leite ralado. Para enrolar, eu umedeço minhas mãos com água. A maioria das pessoas passam manteiga na mão, mas eu acho que com a água a “lambança” é menor.

 

Dicas para o brigadeiro não açúcarar!

- Mantenha o fogo sempre baixo e não deixe que se forme a casquinha nas laterais da panela. Mas se isso acontecer, não raspe-a.
- Não cozinhe demais o brigadeiro. Assim que começar a desgrudar da panela, espere os 2 minutos e faça o teste do pires. Mesmo se o ponto não estiver bom, continue observando de minuto em minuto.
- Se você decidir não enrolar o brigadeiro no dia (eu sempre prefiro fazer com um dia de antecedência), guarde-o na geladeira em um pote fechado.

(Um agradecimento especial à Lena Gasparetto e à minha querida tia Sílvia, que me ensinaram a fazer um brigadeiro perfeito!)

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