Estrogonofe de filé mignon

A história de como o estrogonofe surgiu é cheia de contradições. Uma das explicações de sua origem é de que o prato leva o nome de uma rica família de comerciantes russos, os Stroganov, que tinham um cozinheiro francês responsável pela criação do prato. Outra é que essa era a comida de soldados russos, que levavam para a guerra carne em pedacinhos armazenada em vodca e sal grosso e comiam com creme azedo.

Seja como for, acontece que o estrogonofe se espalhou pela Europa e Estados Unidos e foi se modificando. Chegou no Brasil como um picadinho de carne metido a besta e, depois de seu auge como comida chique nos anos 70, ganhou fama injusta de cafona. Por isso, é difícil hoje achar algum restaurante que sirva um bom estrognofe. Acho que não querem arriscar ter o prato no cardápio – o que é uma bobeira, já que não conheço ninguém que não goste desse prato (fora os vegetarianos, claro). É como ouvir aquelas músicas cafonas clássicas, que a gente curte e sabe a letra, mas tem vergonha de cantar em voz alta. Minha amiga Carol é especialista nesse tipo de música e no carro dela a rádio sempre está na Antena 1. Sempre que sento no lado do passageiro, minha primeira reação é querer rir da música que está tocando, mas logo sou tomada por uma vontade incontrolável de cantar e fazer coreografias com as mãos.

Existe um motivo pelo qual essas músicas sobrevivem até hoje – e é a mesma razão de um estrogonofe bem feito ser uma delícia. Tem coisa que simplesmente não tem a ver com moda.

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Estrogonofe de carne

Eu testei alguma receitas até chegar nessa e concluí que o conhaque realmente faz toda a diferença: quando estou sem a bebida em casa, sinto que o sabor do prato muda totalmente. Diferente do que a minha mãe costumava fazer, eu não uso molho de tomate: apenas um toque de páprica e catchup para dar cor.

Serve 2 pessoas

Ingredientes

– 250 gramas de filé mignon
– 1/3 de xícara (chá) de conhaque
– ½ colher (sopa) de manteiga
– ½ colher (sopa) de azeite
– 1/2 cebola média picada
– ½ colher (sopa) de farinha de trigo
– 1 colher (chá) de páprica picante
– ½ colher (sopa) de mostarda dijon
– 1 colher (sopa) de catchup de boa qualidade (opcional)
– 200 gramas de creme de leite fresco ou de caixinha
– Sal, noz-moscada e pimenta-do-reino moída na hora à gosto

Como faz

1. Corte o filé mignon em tiras no sentido contrário das fibras da carne e coloque-o numa vasilha. Adicione o conhaque e deixe descansando fora da geladeira por cerca de 20 minutos ou até uma hora.

2. Reserve o líquido da marinada. Tempere a carne com sal e pimenta  e leve para dourar: em uma frigideira grande, derreta a manteiga e o azeite e frite os pedaços aos poucos, deixando espaço entre eles para que não soltem muita água (aqui eu fiz em duas levas). Reserve.

3. Nessa mesma panela, adicione a cebola e mexa no fogo médio até que comece a dourar. Se necessário, adicione um pouco mais de azeite. Volte a carne já frita para a panela e misture bem.

4. Chegou a hora de flambar.  Primeiro, certifique-se que não há cabelos, sobrancelhas ou panos de prato por perto. Junte à panela o conhaque em que a carne marinou. Com cuidado, mas sem demorar demais (senão o álcool evapora), incline a frigideira de forma que o caldo se acumule na lateral. Mova a panela para deixar que o fogo entre em contato com o líquido e afaste-se. O fogo irá durar apenas alguns segundos.

5. Diminua o fogo. Junte então a farinha de trigo, polvilhando-a displicentemente com as mãos. Mexa bem. Acrescente a páprica, a mostarda e o catchup (se estiver usando), sempre mexendo, e depois o creme de leite. Deixe levantar fervura, prove o sal, desligue e sirva.

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10 Resultados

  1. Akemi disse:

    Oi, Marina! Vou adorar sua participação na festinha! Olha por enquanto tenho um bolo, esfiha, cookies e bolo de fubá. Então, as opções são muitas ainda! Bjss

  2. Mario C. disse:

    Noz moscada = delícia instantânea.

  3. Luiza de Sá disse:

    Ai que loucura! Essa playlist SENSA que a Carol fez me deu vontade de passar estrogonofe no corpo!!! Coisa linda! hahahaha, Nina, posso palpitar mais? Experimente dar uma raladinha safada numa nós moscada nesse prato. Fica cheio de dignidade! 😉 Beijooo

  4. Taís disse:

    Adoro estrogonofe! Nada pode ser cafona quando é tão gostoso 🙂

  5. Carol Furtado disse:

    hahhahahahahahahahahahhahahaha… AMEI, li!!! “Assim como você não quer arriscar que alguém descubra que você ouve Antena 1 quando está sozinho no carro”. O estrogonofe foi a metáfora perfeita! Parabéns, amiga!

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