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Filosofia de quinta e minialmôndegas com especiarias

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Outro dia vi um pedaço do programa da Nigella em que ela fazia almôndegas. Ultimamente, sempre que vejo ela na TV me pego pensando como deve ser fantástico ganhar dinheiro para falar e escrever sobre comida. Era isso que eu queria fazer. Não posso negar, no entanto, que já tive esse mesmo pensamento com relação a milhares de outras coisas: por um bom tempo achei que o melhor emprego do mundo era ser bailarina do Grupo Corpo. Já achei também que o dream job era trabalhar em projetos de preservação de tartarugas ou golfinhos. Durante a faculdade meu sonho era escrever roteiros de cinema…

Me chamem de volúvel, inconstante, instável – eu não ligo. Até já liguei: houve um tempo em que sentia uma pressão muito grande de “ter que saber o que eu quero fazer da minha vida”, mas hoje eu sei que não adianta perseguir a tal certeza absoluta, porque essa coisa de viver nunca é em linha reta. Hoje, acho que vale mais abraçar a vontade e o desejo daquele momento do que levar isso como uma decisão para o resto da vida.

A melhor parte de andar um caminho sem se preocupar quanto tempo vamos ficar nele é que não há pesar quando dá vontade de ir para outra estrada que parece mais interessante.

***

Minialmôndegas com especiarias
Usei essas almôndegas num curry de legumes, por isso quis dar um toque indiano no tempero. Ficou uma delícia e acho que é uma opção legal para servir como belisquete para os amigos, já que fica pronto rapidinho e todo mundo pode ajudar a fazer bolinhas…

SAMSUNG


Ingredientes

250 gramas de carne moída (gosto de usar patinho)
250 de linguiça de porco (retire o recheio da película e use uma faca afiada para deixar tudo bem picadinho)
1 ovo
1 dente de alho amassado
3 colheres de farinha de rosca
¼ de colher de chá de canela
¼ de colher de chá de noz moscada
¼ de colher de cominho em pó
½ colher de chá de curry em pó
Suco de meio limão pequeno
1 colher de chá de sal
Um pitada de pimenta caiena


Como fazer

1. Coloque todos os ingredientes em uma tigela grande. Misture com as mãos até que tudo fique bem combinado, mas sem trabalhar a massa de carne demais, ou as almôndegas ficarão duras.

2. Antes de formar as bolinhas, eu gosto de pegar um pouquinho da massa, enrolar e preparar numa frigideira aquecida com azeite. Assim dá para provar se os temperos estão bons ou se precisa de mais alguma coisa.

3. Forme bolinhas bem pequenas com a massa. Eu consegui fazer 60.

4. Na mesma frigideira que você testou a almôndega, aqueça uma colher de sopa de azeite no fogo alto. Coloque as bolinhas com espaço entre elas – vai ser preciso fazer isso em algumas levas. Não fique mexendo as almôndegas demais: deixe que dourem bem de um lado e depois vire-as com ajuda de um pegador. Vá fazendo isso até que estejam totalmente douradas.

5. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

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Essa tal de humildade + Bife à rolê

Vamos todos para a cozinha, gente. Vamos ver os programas culinários na TV a cabo, visitar restaurantes novos, provar alho negro, aprender a fazer macaron. Esse interesse todo pela comida, que vem aumentando nos últimos anos, pode ser uma coisa muito boa. Pode reforçar a imagem da cozinha como uma ambiente democrático que, em vez de assustar, deve acolher.

Só que para isso é preciso também desligar um pouco das Nigellas e Jamie Olivers da vida e ouvir sua tia explicando como se faz cocada. É preciso continuar indo nos bons e antigos restaurantes, que há tempo saíram de moda (ou nem entraram), mas ainda servem um ótimo filé à parmegiana. É preciso parar de achar que tudo que tem trufa é bom.

O que estou tentando dizer e que há muito interesse e isso é muito bom, mas falta… humildade. Humildade para saber que o mundo da cozinha é vasto e há muito para se aprender. Que não há problema em gostar mais do PF do boteco da esquina do que do menu executivo do restaurante novo.

Que ainda que seja relevante conhecer os ingredientes e o modo de preparo de determinado prato, essas informações nunca serão mais importantes do que o resultado final, do que o sabor. Ouço pessoas dizerem que não conseguem apreciar comida requintada porque não tem “paladar apurado”. Essa noção de que o jeito de avaliar um prato não se baseia mais em “é gostoso” e sim em “consigo perceber um leve gosto de cardamomo” ou qualquer outra coisa do gênero se espalhou. Parece que se alguém “só” achou delicioso é motivo de constrangimento. E o hype da gastronomia, que deveria aproximar as pessoas da comida, acaba afastando-as.

Acredito que nesse mundo onde existe até coxinha gourmet, o que vai manter nossa relação com a comida saudável é a humildade. Então vamos sim, vamos todos para a cozinha, mas com os pés no chão e sem nariz em pé, por favor.

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Bife à rolê
Essa receita do tipo “minha avó fazia” tem um monte de variações – cada um tem seu jeito de fazer. Na minha maneira, o bife é enrolado com bacon e cenoura, selado e depois cozido em molho de tomate. 

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Ingredientes

- 3 bifes de coxão duro (os meus tinham 120 gramas cada)
- 3 fatias de bacon
- 1 cenoura pequena
- 1 colher de sopa de azeite
- 1 colher de sopa de manteiga
- Sal e pimenta-do-reino à gosto
- 1 cebola pequena picada
- 2 dentes de alho picados
- 1 xícara de molho de tomates (usei esse aqui)
- ½  xícara de água
- 1 xícara de caldo de carne caseiro (se não tiver o caseiro, dissolva ½ tabletinho do caldo industrializado em uma xícara de água)
- ¼ de colher de chá de canela
- ¼ de colher de pimenta caiena
- 2 folhas de louro
- Salsinha à gosto

Como fazer

1. Tempere os bifes com sal e pimenta-do-reino à gosto.

2. Corte a cenoura em palitos do mesmo tamanho dos bifes. Numa das pontas da carne, coloque um ou dois palitos de cenoura e uma fatia de bacon dobrada ao meio (para ficar mais grossinha). Vá enrolando com cuidado e use palitos para prender a carne no lugar (eu usei quatro). Se quiser rolinhos menores, como eu, corte ao meio.

3. Na panela de pressão aberta, em fogo algo, aqueça o azeite e a manteiga e refogue a cebola e o alho até começar a dourar. Junte os bifes enrolados com cuidado para o palito não soltar. Usando uma pinça de carne longa, vá virando os rolinhos delicadamente para dourar todos os lados. Depois de dourados, junte o molho de tomates, o caldo, a água e os temperos.

4. Tampe a panela e, quando começar a dar pressão, abaixe o fogo. Conte de 20 a 30 minutos e faça um primeiro teste: veja se a carne já está macia e se o molho reduziu. Se não, volte por mais alguns minutos.

5. Se a carne já estiver pronta e o molho ainda muito líquido, retire e reserve os rolinhos e deixe o molho apurando na panela aberta até reduzir. Se acontecer o contrário, do molho estar muito grosso e a carne pouco macia, adicione um pouco mais de água. Acerte o tempero final do molho e sirva-o por cima dos bifes.

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Comida americana e um “mac and cheese” de gouda

Estive nos Estados Unidos duas vezes, em 2002 e 2004, onde morei por alguns meses na cidade de Gainesville, na Georgia. Lá trabalhei como monitora de colônia de férias e pude conviver com vários estereótipos que temos dos norte-americanos. O mais legal, no entanto, foi aprender como estava errada sobre a maioria deles.

Essa é uma história longa, mas uma parte do que me impressionou foi descobrir que a alimentação lá não se resumia a fast-food, refrigerante e biscoito Oreo. Que existiam vários pratos típicos em cada região e algumas famílias ainda se dispunham a cozinhá-los em casa.

Na minha primeira viagem, a crise adolescente falou mais alto e eu só me alimentei de porcarias – basicamente pizza, hamburguer e sorvete. Acho que comi uma maçã em algum momento dos dois meses que passei lá, mas foi só.

Na segunda vez, um pouco mais velha, me interessei sobre o que se comia nas casas daquela cidade sulista de 30 mil e poucas pessoas. E aprendi a tomar sweet tea, uma chá gelado tão doce que parece horrível da primeira vez, mas depois vicia. Comi o melhor frango frito do universo. No café-da-manhã dos fins de semana, às vezes tinha biscuits, um pãozinho amanteigado delicioso, e às vezes cornbread, um pão de milho bem tradicional. Aos poucos fui conhecendo as raízes da cidade e entendendo o que existia para além das redes de fast-food.

O macaroni and cheese, ou simplesmente “mac and cheese”, não é específido da Georgia ou do sul dos EUA, ainda que algumas histórias contem que ele apareceu primeiro na Virgínia. Ainda assim, foi sem dúvida uma das comidas que mais aprendi a gostar. Nunca arrisquei fazê-lo no Brasil porque é muito difícil encontrar cheddar por aqui (falo do queijo de verdade, e não aqueles requeijões com sabor artificial).

Um dia, passando pelo supermercado, vi um pedaço de gouda e imaginei que poderia ser um bom substituto. O sabor não ficou igual, mas me surpreendi com o quanto ficou gostoso. Me fez matar um pouco a saudade de ser adolescente nas terras do Tio Sam…

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Mac & cheese de gouda
O preparo da receita não tem muito segredo, mas é importante não deixar o molho branco muito denso, já que ele engrossa quando vai ao forno. É uma delícia comer bem quentinho e combina com um bom vinho!

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Para duas pessoas com fome

Ingredientes

- 2 colheres de sopa de manteiga
- 1 ⅓ xícara de chá de leite
- 1 colher de sopa de farinha de trigo
- Sal, noz moscada e pimenta do reino à gosto
- 1 xícara cheia de queijo gouda ralado (130 gramas)
- ⅓  xícara de parmesão ralado na hora (35 gramas)
- 2 xícaras de macarrão curto (o mais tradicional é o “elbow” ou “cotovelo”, que é difícil de achar, então usei o “serpentini”)
- 2 fatias de pão de forma branco sem a casca cortado em cubinhos

Como fazer

1. Pré aqueça o forno a 200 graus. Unte uma travessa média com manteiga e reserve.

2. Coloque os cubos de pão numa tigela. Numa panela pequena ou no microondas, derreta ½ colher de manteiga e jogue sobre o pão picado, misturando delicadamente.

3. Aqueça o leite numa panela ou microondas.

4. Derreta o restante da manteiga (1  ½ colher) numa panela pequena. Quando a manteiga começar a borbulhar, adicione a farinha. Misture rapidamente até que a farinha cozinhe, cerca de um minuto.

5. Usando um batedor de arames, vá adicionando o leite quente à farinha aos poucos (aos poucos mesmo, quase pingando), mexendo constantemente para não empelotar. A mistura vai borbulhar e começar a engrossar. Quando atingir um ponto cremoso, retire do fogo.

6. Adicione a pimenta, noz moscada e sal. Lembre-se que os queijos já possuem sal, então é bom não colocar muito. Misture ¾ de xícara do gouda e ¼ de xícara do parmesão.

7. Coloque água para ferver numa panela grande e cozinhe o macarrão por três minutos a menos do tempo indicado na embalagem. Jogue o macarrão no escorredor e passe-o por água corrente, escorrendo bem a água.

8. Misture o macarrão ao molho. Transfira para a assadeira untada e salpique o restante dos queijos por cima seguidos pelos cubos de pão. Asse por cerca de 20 minutos, até que fique dourado por cima e o macarrão esteja al dente.

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Frango crocante com molho de shitake para mim mesma

Eu gosto muito de cozinhar para meus amigos e família, principalmente quando sei que aquela comida não vai satisfazer só a fome ou o desejo, mas de alguma forma vai também aquecer o coração. Por mais que as nutricionistas digam que isso não é bom, a gente sabe que muitas vezes a comida tem esse papel de oferecer algum tipo de conforto, de alento.

No entanto, quando sou eu quem precisa desse quentinho, nunca penso em cozinhar para mim mesma. É porque acho que quando buscamos esse afago na comida, ele vem parte de comer algo gostoso e parte de saber que alguém fez aquilo para você. Sem essa segunda metade, parece não fazer sentido. Fora o desânimo que sempre bate de cozinhar só para um…

Hoje eu tentei mudar um pouco essa ideia. Estava precisando de um carinho em forma de comida e decidi fazer algo delicioso só para mim. Coloquei o avental, separei as coisas, cortei tudo certinho, temperei, finalizei, montei o prato. Sentei na mesa para comer e… não foi a mesma coisa. Estava um delícia, fiquei bem satisfeita. Mas o coração ficou só morninho…

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Frango crocante com molho de shitake
Eu levei exatos 30 minutos na preparação desse prato. Ou seja, não dá para usar a desculpa do “não tenho tempo” para deixar de fazer a receita, que fica ainda melhor servida com uma saladinha. Como fiz o só para mim, dobre as quantidades de acordo com o número de pessoas.

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Inspirado aqui

Rende uma porção

Ingredientes

Para o frango:
- 1 bife de peito de frango limpo
- 2 colheres de sopa de farinha de trigo
- 1 ovo batido
- 2 colheres de sopa de farinha de milho
- Sal e pimenta-do-reino à gosto

Para o molho:
- ½  colher de sopa de azeite
- ½ colher de sopa de manteiga
- ½ colher de sopa de cebola picada
- 1 dente de alho pequeno picado
- 100 gramas de cogumelo shitake
- 75ml de creme de leite
- 3 colheres de sopa de vinho branco
- Sal e pimenta do reino à gosto
- Gotinhas de limão

Como fazer

1. Comece pelo frango. Tempere com sal e pimenta dos dois lados e reserve. Em seguida, pré-aqueça o forno a 200 graus.

2. Separe três pratos rasos, colocando em um a farinha de trigo, em outro o ovo batido e no terceiro a farinha de milho. Passe o peito de frango primeiro na farinha, retirando o excesso; depois no ovo; e por último na farinha de milho.

3. Aqueça um fio de azeite em uma frigideira antiaderente pequena e doure os dois lados do frango. Depois leve a frigideira ao forno (se a sua tiver cabo de plástico, envolva-o em papel alumínio) e deixe o frango terminar o cozimento – cerca de 5 minutos, dependendo da grossura do filé.

4. Enquanto isso, faça o molho. Retire os cabinhos e limpe a superfície dos cogumelos com um paninho umedecido com água e algumas gotinhas de vinagre. Nunca lave cogumelos em água corrente, pois são esponjosos e irão absorver a água. Depois corte em fatias.

5. Numa frigideira em fogo médio, aqueça o azeite e a manteiga. Junte a cebola e o alho e refogue até que a cebola comece a dourar. Junte o shitake e mexa até que eles murchem e soltem um pouco de água. Adicione o vinho, espere evaporar e junte o creme de leite. Tempere com sal, pimenta e gotas de limão.

6. Deixe o molho apurar alguns minutos e desligue. Nesse ponto, o frango já deve estar bom – teste enfiando uma faca no centro e sentindo se a ponta dela está aquecida. Se estiver fria, ele ainda está cru.

7. Coloque o molho no fundo do prato e sirva com o frango por cima.

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Alguém que admiro + Fusilli ao forno com creme de queijos e tomate

Quem já passou por muitas entrevistas com a área de RH das empresas sabe que não dá pra escapar de algumas perguntas: qual sua melhor qualidade, seu pior defeito, onde se vê daqui a 10 anos, etc (a não ser que seja o RH do Google, que vai te perguntar coisas como “quantas bolas de golfe cabem em um ônibus escolar”). Depois de um tempo você se prepara para essas respostas. Mas tem uma que sempre me deixa cabreira: citar alguém que admiro.

Eu penso em muitas figuras histórias, que fizeram coisas incríveis, e em pessoas “comuns”, que viraram exemplo de inspiração. Mas admiração mesmo, aquela que “começa onde acaba a compreensão”, como disse Baudelaire, o sentimento de estar diante de alguém que desperta surpresa do melhor tipo, nos deixa estupefatos  essa é difícil dizer por quem sinto. Na última vez que me perguntaram isso, me veio uma figura na cabeça: a Magali Exorcista.

Primeiro preciso explicar que já estive (tipo) na pele dessa garota: na adolescência eu me vestia de personagens para animar festinhas de criança. E digo com propriedade, não é uma coisa fácil carregar essa cabeça para lá e pra cá. Faz um calor desgraçado. Cansa. Mesmo assim, a Magali mostra a que veio. Ela resolveu que não seria um simples personagem ajudando a divulgar seja lá o que for.

Pra começar, a dancinha é simplesmente sensacional. Dá para perceber que ela leva esse trabalho a sério: os passos são cadenciados, estudados e bem executados. E ainda por cima não deixa de entregar os panfletos para as poucas pessoas que aparecem por ali. O que mais me impressiona é como ela “se joga” mesmo, dança como se não tivesse ninguém assistindo, se exibe pra câmera, faz dancinha no poste do lixo. Como pode alguém confiar tanto no próprio taco, vestida de Magali, na frente de uma loja no centro?
Essa é uma pessoa que admiro.

E aí, você me contrataria?

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Fusilli ao forno com creme de queijos e tomate
Essa massa  tem a combinação perfeita: é fácil, deliciosa e permite muitas variações. Além de tudo, é boa para usar aqueles “restinhos” que vão ficando na geladeira, sabe? Um resto de molho, uma pedaço de queijo…


Rendimento: 4 a 6 porções

Ingredientes

2 caixinhas (400 ml) de creme de leite
1 xícara (240 ml) de tomate pelado
½ xícara de parmesão ralado na hora
1 xícara de queijo minas ralado
¼ de xícara de gorgonzola esmigalahdo
2 colheres de creme de ricota, requeijão ou cream cheese
¾ de colher de chá de sal, mais 1 colher de sopa para cozinhar o macarrão
12 folhinhas de manjericão
500 gramas de fusilli (ou outra massa curta)
4 colheres de manteiga cortada em padacinhos

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 250 graus. Coloque água para ferver.
2. Coloque todos os ingredientes em uma tigela, menos a manteiga e a massa. Misture bem.
3. Cozinhe a massa por 4 minutos (ela terminará o cozimento no forno).
4. Passado esse tempo, escorra a massa e transfira para a tigela com o molho. Misture um pouco mais, distribua em uma assadeira rasa e coloque a manteiga em pedacinhos por cima. Leve ao forno até que fique al dente e dourada, de 7 a 10 minutos.

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Sinfonias locais e um farfale ao molho de abóbora e manjericão

Morei na mesma casa durante 25 anos. Quando saí de lá, achei que estava deixando o paraíso do silêncio para trás. No novo lugar, encontrava barulho em tudo: eram dramas da vizinha, cachorros latindo o tempo todo, móveis arrastando, descargas, música alta, entregador de pizza buzinando…

Só que na verdade a casa onde eu cresci era muito barulhenta. Ficava num bairro residencial e, ainda que fosse possível ouvir passarinhos, junto com eles havia o som animado das crianças chegando e saindo da aula todos os dias, já que minha casa ficava em frente a uma escola. Na rua passava ônibus e ainda por cima era uma subida, o que causava aquele barulho alto que a primeira marcha faz. Isso sem contar os vários cachorros nas casas vizinhas e as sessões de música sertaneja no domingo. Mesmo com tudo isso eu estranhamento achava minha antiga casa muito silenciosa.

Muitas pessoas me disseram que é porque eu acostumei depois de tantos anos. Minha teoria é de que não é só uma questão de costume. Com o tempo, aprendemos a ouvir a sinfonia do lugar. Como numa orquestra, tudo surge num determinado momento e, depois de ouvir aquela música várias vezes, ela vira uma trilha sonora própria do dia a dia.

Quando mudei para a nova casa, precisei aprender quais eram os sons e o ritmo próprios do lugar. E, além disso, perceber como os meus próprios sons se encaixavam nele. Hoje acredito que eu sentia falta não do silêncio, mas daquela sinfonia específica da casa antiga. Ainda me incomoda os latidos do cachorro da vizinha, mas já quase consigo ouvir a música dos armários abrindo e fechando no andar de cima…

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Farfale ao molho de abóbora e manjericão
Essa massa saiu sem querer: tinha muita preguiça de ir ao supermercado e um resto de abóbora congelada no freezer. Me lembrei de um livro de receitas antigo em que a autora dizia como a combinação de abóbora e manjericão era incrível. E ela tinha razão!

Rende uma refeição para duas pessoas

Ingredientes

200 gramas de macarrão curto, tipo penne ou farfale
250 gramas de abóbora
½ cebola picadinha
100 ml de requeijão
¼ de xícara de creme de leite
1 colher de sopa cheia de folhas manjericão fresco
4 colheres de sopa de parmesão
Sal, pimenta-do-reino e noz moscada à gosto

Como fazer

1. Cozinhe a abóbora em pedaços e com casca numa panela com água e sal até que fique macia. Você pode também assá-las embrulhadas em papel alumínio e temperadas com sal, pimenta-do-reino e um fio de azeite. Passe-as pelo espremedor ou retire a casca e amasse com o garfo.

2. Aqueça uma panela grande com água. Quando ferver, adicione uma colher de chá de sal e a massa escolhida. Cozinhe pelo tempo indicado na embalagem. Enquanto isso, faça o molho.

3. Em fogo médio, refoque a cebola até que comece a dourar. Junte o purê de abôbora, mexa um pouco e adicione o requeijão e o creme de leite. Tempere com sal, pimenta e noz moscada e abaixe o fogo. Deixe o molho apurar por alguns minutos e desligue. Junte o parmesão e o manjericão em seguida, já fora do fogo. Misture e despeje o molho na travessa em que irá servir a massa.

4. Quando o farfale estiver al dente, escorra e rapidamente entorne-o na travessa com molho. Mexa delicadamente para incorporar e sirva.

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Ternura por galinhas + Frango assado com vinagre balsâmico

Esse blog começou comigo contando uma história sobre a primeira galinha que conheci na vida e de como tivemos um pequeno “desentendimento” quando resolvi pegar um de seus pintinhos na mão. Ainda que essa tenha me dado um grande susto, continuei sempre adorando galinhas, principalmente as galinhas-d’angola – mas essas eu gosto bem à distância, já que são as mais nervosinhas de todas. Ainda que tenham personalidade forte, galinhas são animais muito simpáticos, né?

Fiquei pensando sobre isso ontem, quando fui mexer na minha estante e achei um livro chamado “As Frangas”, do Caio Fernando de Abreu. Também tenho o “A Vida Íntima de Laura” (que é uma galinha), da Clarice Lispector. Não é um pouco estranho uma pessoa ter dois livros cujos personagens principais são galinhas? Talvez  elas sejam um símbolo importante da parte da minha infância que passei em sítios. Então quem sabe pensar e ler sobre elas seja um jeito de relembrar, de materializar a saudade. Ou então é só porque é um animal legal, mesmo.

“Quando eu era do tamanho de você, ficava horas e horas olhando para as galinhas. Não sei por quê. Conheço tanto as galinhas que podia nunca mais parar de contar. Vou contar uma coisa meio enjoada de se contar. É o seguinte: sabe que a galinha tem um cheiro um pouco chato? Parece cheiro de cesto de roupa suja ou de quando a gente não toma banho todos os dias. Não é cheiro limpo não. Então embaixo das asas é aquela morrinha. Mas não faz mal. Todas as coisas têm mesmo um cheiro, não é?”
(…)
“É engraçado gostar de galinha viva mas ao mesmo tempo também gostar de comer galinha ao molho pardo. É que pessoas são uma gente meio esquisitona.”

Clarissa Lispector – A Vida Íntima de Laura

***

Frango assado com azeite balsâmico e mostarda
Muita gente por aí tem preconceito com frango porque diz que é uma carne seca e sem gosto. Mas é que o frango precisa de um carinho extra para pegar tempero, e é isso que a marinada dessa receita faz. Além disso, usar pedaços com osso também ajudam a manter a umidade e sabor do frango. Se puder, opte por um orgânico.

Adaptado daqui

Ingredientes

- 2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
- 1 colher de sopa de mostarda Dijon
- 1 colher de sopa de suco de limão
- 1 dente de alho picadinho
- 1 colher de sopa de azeite
- Sal e pimenta do reino moída na hora
- 1 quilo de frango em pedaços (eu usei peito de frango com osso e sobrecoxa)
- 2 colheres de sopa de vinho branco (ou outra bebida de sua preferência)

Como fazer

1.Num saquinho do tipo ziplock, coloque os pedaços de frango e os cinco primeiros ingredientes. Tempere com sal e pimenta, feche o saco e sacuda bem para que todos os pedaços estejam envolvidos no tempero. Deixe por mínimo 3 horas na geladeira, de preferência de um dia para o outro. Dê uma mexida no saco eventualmente durante esse tempo.

2. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Coloque os pedaços de frango e a marinada numa travessa, cubra com papel alumínio e cozinhe por cerca de 15 minutos. Depois retire o papel e deixe-os até que dourem (cerca de 20 minutos).

3. Retire os pedaços de frango e reserve-os no prato que irá servir. Leve a assadeira para o fogão, ligue o fogo médio e entorne o vinho (ou a bebida que estiver usando). Mexa com uma colher para desprender o tempero que ficou grudado no fundo. Deixe o caldo engrossar um pouquinho e entorne sobre o frango. Sirva.

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Flanelinhas de texto + Salmão com crosta de amêndoas

Da série “diálogos reais”:

1.
- Mas aqui não é “o evento acontece na semana que vem”, é “o evento vai acontecer na semana que vem”.

- É, pode ser assim, está correto. Mas na linguagem jornalística se usa o verbo no presente para deixar a notícia mais atual e próxima do leitor.
- Mas isso não faz sentido, porque a coisa ainda vai acontecer, ou seja, é no futuro mesmo.
- Eu entendo a questão gramatical, só estou querendo te mostrar que, jornalisticamente falando, o texto fica mais ágil com o verbo no presente.
- Mas….
(continua discutindo até me fazer desistir e escrever “vai acontecer”).

2.
- Você escreveu ministro com letra minúscula.
- É com letra minúscula mesmo, pois se refere ao cargo. Apenas o seu ministério é com maiúscula.
- Mas é o ministro! É o mi-nis-tro. E se fosse o presidente?
- Também seria com minúscula.
- Mas é o presidente!

3.
- Nesse trecho o nome do homem está vindo antes do nome da mulher, tá errado.
- Tá errado por quê?
- A regra diz que o nome do homem tem que vir DEPOIS do nome da mulher no texto.
- Olha, não existe essa regra em termos de redação ou gramática.
- É lógico que existe, todo mundo sabe dessa regra…

Se eu fosse um médico, o paciente não ia discutir o diagnóstico comigo. Podia desconfiar, questionar, podia até pedir uma segunda opinião, mas não ia discutir comigo. Se eu fosse um arquiteto, ninguém ia pedir para arredar tal coluna mais para a esquerda se eu falasse que aquele jeito não era o certo. Mas eu não sou nada disso, eu escrevo; aí todo mundo tenta, como diria uma amiga, “manobrar” meu texto…

***

Salmão com crosta de amêndoas
Uma receita clássica e saudável que combina texturas e sabores. É fácil de fazer e faz bonito na mesa – bom para impressionar os convidados do jantar! Só tome cuidado para não deixar o salmão assar demais, senão ele ficará ressecado.

Ingredientes

- 1/4 de xícara de amêndoas picadas (30 gramas)
- 1/4 de xícara de farinha de pão
- 1/4 de colher de chá de coentro em pó
- 1/8 de colher de chá de cominho em pó
- 2 fiés grandes de salmão (cerca de 250  gramas cada)
- 2 colheres de chá de suco de limão
- 1/2 colher de chá de sal
- 1/4 decolher de chá de pimenta do reino moída na hora

Como fazer

- Pré aqueça o forno a 250 graus e ajuste a grade para o lugar mais alto do forno. Forre uma assadeira com papel alumínio (com o lado fosco para fora) do tamanho suficiente para embrulhar os pedaços de salmão. Unte levemente com manteiga.

- Numa prato raso, misture a farinha de pão, as amêndoas picadas, o coentro e o cominho.

- Tempere os filés com o sal, a pimenta e o suco de limão. Passe um pouco de azeite em cada um. Trabalhando com um filé de cada vez, encoste o topo dele (lado oposto da pele) na farinha, pressionando levemente para aderir. Tranfira-os para a assadeira e salpique mais farinha por cima se necessário, lembrando de pressionar de leve para formar a crosta.

- Levante os lados do papel alumínio e deixe-o aberto, como se fosse uma cesta, de modo que a crosta do salmão fique exposta. Leve ao forno por cerca de 15 minutos, até que a carne fique um tom de rosa claro. Teste com um garfo, tirando um pedacinho do canto, para saber se a carne está macia. Sirva com um fio de azeite.

Dicas!

- Para fazer sua própria farinha de pão, passe um pão de sal velho (daqueles que já ficaram bem duros) pelo ralador. Ou então faça torradas e coloque no liquidificador/processador.
- Para tirar a pele das amêndoas, coloque-as numa vasilha e jogue por cima água fervente até que fiquem totalmente cobertar. Deixe descansar por uns dez minutos e as casquinhas vão sair facilmente.

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O dilema da carne + Costelinha ao molho barbecue e purê de batatas com alho

A receita deste post é minha primeira carne que deu certo. Estou descontando dessa categoria qualquer coisa feita com linguiça ou carne moída. Explico: tenho certa dificuldade com carnes que realmente me lembram o animal de onde vieram. Se estão disfarçadas dentro de uma membrana ou picadas em pedaços minúsculos, acho (um pouco) mais tranquilo.

A mestre Julia Child dizia que um cozinheiro nunca deve revelar seu ponto fraco, mas eu falo demais, então já era. Quando vejo um pedaço de bife cru na minha frente, fico sem reação. No máximo dou uns cutucões com o dedo, como quem quer fazer amizade, mas no final acabo deixando para outra pessoa cuidar dele.

Não que isso seja necessariamente um problema, já que carne, principalmente vermelha, nunca me fez falta. Tenho vontade de comer bem de vez em quando. Ainda assim, acredito que é importante saber preparar pelo menos o básico: bife, carne de panela, lombo, essas coisas. Só que quando o pedaço de frango está lá na minha frente, não tem jeito. Na hora imagino direitinho a galinha morta e travo.

Talvez a dificuldade tenha surgido na minha tal infância bucólica. Com 10 anos vi meu tio matando uma galinha pela primeira vez, quebrando o pescoço num só “trac”. Também vi como se matava vacas e porcos – desse último tenho a lembrança mais vívida, pois depois de morto, sua pele era queimada. Me lembro bem do cheiro daquilo, das labaredas do fogo, dos estalos da pele. E eu, que antes estava brincando com esses animais, fazendo carinho e dando nomes, de repente via o sangue deles pingando na bacia de metal. Era meio traumatizante.

Devagarinho estou fazendo as pazes com as carnes. Como poucas vezes na semana e dou sempre prefência para as orgânicas. Confesso que quando vi essa costelinha na minha frente foi difícil, pois fiquei imaginando o porquinho simpático de onde ela saiu. Mas acho que no final das contas consegui pelo menos honrá-lo: a carne ficou bem gostosa.

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Costelinha ao molho barbecue e purê de batatas com alho
A receita dessa costelinha tem uma grande vantagem: a marinada e o molho são uma coisa só, o que garante um preparo fácil e muito saboroso. É preciso de tempo, mas o resultado vale a pena. O purê eu aprendi a fazer quando morei nos Estado Unidos. O alho assado sá um sabor muito especial, mais sutil do que se fosse usado cru.

Rendimento: 4 porções

Ingredientes

Costelinha
1 quilo de costelinha
4 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de mostarda dijon
4 colheres de sopa de açúcar mascavo
4 colheres de sopa catchup
2 colheres de sopa molho de soja
5 a 6 colheres de sopa de vinagre
2 a 3 colheres de chá de pimenta do reino moída na hora
2 colheres de chá de sal

Como fazer

1. Se a sua costelinha está com uma membrana fina cobrindo um dos lados, tire-a com uma faquinha bem afiada.

2. Amasse o alho com o sal num pilão ou usando um garfo. Depois misture o restantes dos ingredientes, deixando o vinagre por último. Vá colocando-o aos poucos, pois o molho não deve ficar ralo. Ele deve ter consistência suficiente para cobrir a carne sem escorrer totalmente pelos lados.

3. Coloque a costelinha numa vasilha rasa, onde ela encoste totalmente no fundo. Espalhe a marinada por todos os lados da carne, massageando levemente. Cubra com uma tampa ou um plástico e leve à geladeira por pelo menos 5 horas (ou deixe de um dia para o outro).

4. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Coloque a costelinha num pedaço de papel alumínio grande o suficente para embrulhá-la com o lado brilhante voltado para a carne. Guarde o líquido restante da marinada – ele será usado para finalizar a costelinha.

5. Leve ao forno por cerca de duas horas e meia. De tempos em tempos, regue a costelinha com seu próprio molho. Quando a carne estiver bem macia, abra o embrulho de papel alumínio e espalhe um terço do restante da marinada que foi reservada. Aumente o forno para 220 graus e deixe a costelinha assando descoberta. A cada 10 minutos, pincele mais um pouco da marinada. Asse até que esteja bem dourada e caramelizada.

Purê de batatas com alho
Ingredientes

- 600 gramas de batata de casca amarela (cerca de 5 batatas)
- 1 cabeça de alho
- 4 colheres de sopa de creme de leite
-2 colheres de sopa de manteiga
- Sal e noz moscada à gosto

Como fazer

1. Retire apenas a casca externa da cabeça do alho, mantendo os dentes juntos. Com uma faca afiada, corte a ponta dos dentes, deixando a beirada deles exposta, como na foto.

Foto: Simply Recipes

2. Regue a cabeça com um pouco de azeite, salpique sal e embrulhe em papel alumínio. Leve ao forno por cerca de 30 minutos, até que esteja bem macio e começando a dourar.

3. Enquanto isso, cozinhe as batatas. Se você tem um espremedor, parta as batatas em 8 com casca e coloque-as numa panela grande com água para ferver. Se não tem espremedor, descasque-as antes dessa etapa. Cozinhe até que fiquem bem macias e depois amasse-as.

4. Descasque os dentes de alho assados e amasse-os até formar uma pastinha. Se você gosta do sabor mais leve de alho e não quer usar tudo, é possível congelar essa pasta para ser usada depois.

5. Adicione o creme de leite, a manteiga, o sal e a noz moscada à batata. Misture bem e adicione o alho aos poucos, provando até chegar no ponto desejado.

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Dá para esconder o gosto? + Peixe frito na cerveja e batatas com alecrim

“As pessoas mentem sobre um monte de coisas, mas você não pode mentir sobre o que você gosta de comer ou não. O seu gosto para comida é a expressão verdadeira de quem você é”. Quando ouvi a Nigella Lawson falando isso numa entrevista, nunca mais esqueci. Gosto é realmente algo impossível de esconder. Bom, se não impossível, bastante difícil. Talvez seja a mentira mais custosa.

Quando era adolescente, comi uma carne moída MUITO salgada na casa de uma amiga. Todos na mesa estavam almoçando  normalmente e eu não conseguia entender como ninguém estava precisando de dois litros de água para engolir a comida. E nessa família líquidos eram proibidos durante a refeição. Como eu não conseguia disfarçar minha cara na mesa, eu fingia que estava com o nariz escorrendo e fazia intervalos no banheiro, bebendo água da pia como um gato sedento. Só assim consegui terminar o prato todo.

A pior lembrança é de quando uma colega de trabalho me hospedou pelo fim de semana na época em que morava nos Estados Unidos. A mãe dela, querendo agradar, resolveu fazer um almoço para que a família inteira me conhecesse. Me perguntou se eu gostava de peixe e eu disse que sim. Mais tarde, ela me contou que nunca tinha preparado peixe e estava esperando essa oportunidade, já que ninguém mais na casa gostava. Eu devia ter desconfiado ali.

Quando a comida ficou pronta e estávamos sentados na mesa, ela apareceu com um tipo de ensopado de peixe e colocou na minha frente, avisando que aquele era só meu.  Me senti muito agradecida e, toda satisfeita, pus um pedação no prato. Quando coloquei a primeira garfada na boca… o peixe estava claramente estragado. E com um gosto meio oleoso. Lembro exatamente do desespero que me bateu. Eu olhava pros lados, comia um purê de batatas, me embebedava de refrigerante. Mas tive que comer pelo menos o que estava no prato. Não tinha outra saída – o prato tinha sido feito só para mim! Foram minutos de terror.

Nós, mineiros, poderíamos até contestar essa afirmação da Nigella, dizendo que em nome do medo de fazer desfeita a gente mentiria sobre o gosto, sim. Ô povo preocupado em agradar. Só que não é bem assim. Podemos até tentar disfarçar, mas o olhar tenso vai denunciar que você não gosta de comer aquilo. Se não for o olhar, vai ser aquela gotinha de suor que brota no cantinho da testa, sabe? Aquela de nervoso? Essa não mente.

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Peixe frito na cerveja e batatas assadas com alecrim
Essa é a minha versão do famoso prato inglês “fish and chips”, mas aqui eu deixo a fritura só para o peixe. A verdade é que eu raramente faço frituras em casa: não gosto da bagunça e sei que não é saudável. Mas tudo de vez em quando não faz mal. E esse peixe crocante e sequinho faz a exceção valer a pena.

Rendimento: 4 porções

Ingredientes
Para o peixe
- 650 gramas de peixe com carne branca, tipo cação, pintado ou merluza
- 1 e ½ xícara de farinha de trigo
- ½ xícara de maizena
- 2 colheres de chá de sal
- ½ colher de chá de pimenta caiena
- ½ colher de chá de páprica
- Uma pitada de pimenta do reino
- 1 colher de chá de fermento em pó
- 350 ml de cerveja gelada
- Óleo de canola para fritar

Para as batatas
- 600 gramas de batatas (cerca de 5 batatas, dependendo do tamanho)
- 3 colheres de sopa de azeite
- 2 dentes de alho
- Galinhos de alecrim
- Sal à gosto

Como fazer

1. Comece pelas batatas. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Corte as batatas em cubos de cerca de 3 cm. Coloque-os numa panela e cubra com água. Acrescente uma colher de sopa de sal e coloque no fogo alto. Quando ferver, escorras as batatas. Em seguida, aqueça o azeite numa frigideira ou outra panela que possa ir ao forno. Junte as batatas pré-cozidas, o alho com casca e as folhinhas de alecrim. Tempere com um pouco de sal e pimenta. Mexa com uma colher por cerca de 30 segundos, envolvendo todos os pedaços no azeite. Leve ao forno por cerca de 20 minutos.

2. Enquanto as batatas estão no forno, tempere o peixe com sal e pimenta e corte-o em pedaços médios. Deixe-os absorver o tempero por alguns minutos e depois seque cada pedaço com papel toalha ou um pano limpo.

3. Separe duas tigelas. Na primeira, misture a farinha, a maizena e os temperos, mexendo bem. Depois, retire ¾ de xícara dessa mistura e transfira para a outra tigela. Nessa segunda, junte o fermento em pó e vá colocando a cerveja aos poucos, misturando com um fouet. A mistura deve ficar grossinha, como uma massa de panqueca. Pode ser que você não precise usar a cerveja toda.

4. Cheque a batata: os pedaços devem estar dourados e sequinhos. Se ainda não estiverem, aproveite para mexer um pouco a panela.

5. Coloque dois dedos de óleo numa frigideira e aqueça no fogo alto. Passe os pedaços de peixe primeiro na farinha, tire o excesso, depois na massa de cerveja, envolvendo bem e novamente na farinha. Vá deixando os pedaços prontos numa assadeira. Quando o óleo estiver quente (teste colocando o cabo de uma colher de pau na panela. Se formarem muitas bolhas em voltam dele, está ok), frite os pedaços, virando-os assim que um dos lados estiver dourado. Vá controlando a temperatura do óleo durante a fritura, não deixando que fique quente demais, e frite alguns pedaços por vez. No final de cada fritura, coloque os pedaços em papel toalha.

6. Retire as batatas do forno e coloque-as num prato com papel absorvente. Sirva quente, junto com o peixe.

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