O ovo é lindo (e uma omelete simples e sincera)

Primeiro tinha uma galinha. Bem, não sei se primeiro no paradoxo da existência, mas nessa história ela veio primeiro.

Eu era criança e estava numa das tantas viagens de pescaria que fiz com minha família, parada num restaurante de beira de estrada. Brincando no parquinho depois de comer, vi que embaixo do escorregador estava escondida uma galinha marrom, gorducha. Quando abaixei para ver mais de perto, ela saiu andando apressada. E atrás dela, seguiam um monte de pintinhos meio desorientados, piando loucamente, e despertando em mim uma vontade loua de pegar todos eles em meus braços e apertar feito bicho de pelúcia.

Foi nessa idade, aos 8 anos, que aprendi a primeira diferença entre comportamento animal de verdade e o que as ilustrações no livro da escola e a TV te mostram. Galinha era pra ser um bicho simpático, né? E pintinho amarelinho cabe aqui na minha mão, claro!

Claro que não. Quando peguei o primeiro e estava mirando no segundo, a galinha veio na minha direção correndo na velocidade da luz numa fúria assassina e bicou minha canela freneticamente, me punindo sem dó por sequestrar malignamente de um de seus filhos.

Algo do tipo:

E olha, bicada de galinha dói, viu.

Depois veio o ovo.

Passei alguns anos mantendo uma distância respeitosa de galinhas e sua prole. Até o dia em que estava na chácara do meu tio e ele me chamou para ver se tinham ovos no galinheiro. Fui de curiosidade, mas muito tensa. Se pegar o filho nascido tinha dado naquele episódio, roubar o ovo da galinha ia ser pena de morte com bicada no olho, certeza.  Fiquei então meio de longe, observando meu tio.  Ele chegou perto devagar, mas confiante; cumprimentou a galinha, pediu licença, enfiou a mão por debaixo dela, pegou os dois ovos que ela escondia e foi isso.

Não sei se era uma galinha “lady” que apreciava ser tratada com fineza  para doar sua produção ou se simplesmente era blasé. Só sei que senti uma ternura tão grande por ela. Aquele momento, para mim, foi como se ela compreendesse e aceitasse seu propósito de vida e por isso simplesmente deixou meu tio pegar a coisa mais preciosa que ela tinha. E sem nem uma bicada.

E não tem coisa mais linda do que um belo ovo. Não tem design mais perfeito. E nem alimento mais versátil: se você tem ovos na geladeira, tudo sempre vai ficar bem. Fica bom frito, cozido, assado, mexido, em omelete. Ele te dá aquela força na hora de fazer bolo, a mousse, a torta. Se misturar só claras com açúcar, você tem suspiros. E a gema com açúcar dá gemada. O ovo é o alimento mais gentil (ou como diz a Rita Lobo, mais generoso) de todos.

Por isso sou grata às galinhas, mesmo a que me bicou. Provavelmente foi o ovo dela que comi naquele dia no restaurante…

***

Omelete simples e sincera

Eu não sabia o que era uma boa omelete até ver esse vídeo da Rita. Achava que era algo meio seco e sem gosto. Mas não: uma omelete de verdade como essa  fica bem fofa e úmida, desmanchando na boca. Então nem vou postar a receita, é só assistir.

Algumas dicas sobre essa receita:

– O tamanho da sua frigideira vai influenciar na maciez da omelete. Se fizer uma omelete de três ovos na frigideira grande, ela cozinha rápido e fica fina em vez de fofinha.
– A Rita calcula três ovos por pessoa, eu gosto de fazer com dois. Mas uso uma frigideira bem pequena (do tamanho de um ovo frito, talvez um pouco maior).
– Salgar uma omelete ou qualquer prato a base de ovo é uma arte, porque não tem como provar antes de ficar pronto. Então comece salgando bem pouquinho e vá adequando com a prática.


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13 Resultados

  1. Ju disse:

    Marina! O link do video não tá aqui… sumiu 🙁

  2. Jessica Uema disse:

    Eu morri de rir com essa sua história, fiz esse omelete achei q ficou bem gostoso , eu comecei a acompanhar o seu canal faz poucos dias, mas eu ja gosto muito e eu gosto muito da sua visão das coisas e esse post foi um dos melhores para mim , não pela receita e sim pelo jeito que vc fala sobre o ovo e isso me encantou muito.
    Te desejo muito sucesso

    • marinamaria disse:

      Ei Jessica! Adorei que você gostou dessa história. Tenho muito carinho por ela, principalmente porque foi a primeira do blog. Se você já aprendeu a fazer omelete, o céu é o limite, viu? Um beijo enorme!

  3. Wilmara Sorice disse:

    Marina,
    Vou experimentar essa omelete esse final de semana. Achei ótimo não precisar bater as claras em neve primeiro! Vou fazer também a geléia de maracujá (postada dia 6/6/2011).
    Depois te conto como ficou.
    Beijos,
    Wilmara.

  4. Fiz a omelete outro dia. E ficou bem gostosa, macia e suculenta. Só tive um pouco de dificuldade na hora de fechar a omelete, pq parece que ela fica meio quebradiça… =x

    • marina maria disse:

      Eu também tenho dificuldades às vezes na hora de dobrar! Principalmente quando ela fica mais “gordinha”. Mas com o tempo a gente pega o jeito!

      beijoca!

  5. Me deu uma FOME! *-*
    E é1h13! Ah nemmmmmm!

  1. 25 de abril de 2012

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  2. 24 de outubro de 2014

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  3. 29 de agosto de 2015

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