Mixtape 5 – Férias + Torta de frango com catupiry e creme de milho

Ficar de pijama o dia todo, beber mojito no almoço, maratona de “Friends”, tomar  sorvete às 4 da tarde (ou da manhã), cinema na primeira sessão, suspirar no sofá da sala, receitas que precisam de horas, viajar ouvindo um cd antigo, viajar de verdade para um lugar novo, visitar aquele lugar de sempre…

férias…

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Torta de frango com catupiry e creme de milho
Essa é aquela torta tipo empadão, presença certeira nas festinhas e lanches de quando era criança. É gostosa comida quente, em temperatura ambiente e até direto da geladeira – e ainda é um bom jeito de reaproveitar sobras.

Inspirada aqui.

Rendimento: uma torta pequena de 20cm X 20cm

Ingredientes

Massa

- 250 gramas de farinha de trigo (2 xícaras + 1 e 1/2 colher de chá)
- 125 gramas de manteiga gelada cortada em cubinhos
- 1 ovo
- 1/2 colher de chá de sal
- 1 a 2 colheres de água gelada (se necessário)
- 1 gema para pincelar

Recheio

Frango:
- 350 gramas de frango cozido e desfiado (cerca de 2 xícaras)
- 7 colheres de sopa requeijão Catupiry (ou outro de sua preferência)

Creme de milho:
- 200 gramas de milho
- 1 e 1/2 xícara de leite
- 1/2 cebola picadinha
- 1 colher de sopa de manteiga
- 1 colher de sopa de farinha de trigo
- 2 folhas de louro

Como fazer

1. Misture o frango desfiado com 5 colheres do requeijão. Reserve as outras 2 para a finalização.

2. Para o creme de milho, aqueça o leite com as folhas de louro. Quando ferver, deligue e retire as folhas. Em outra panela, derreta a manteiga e adicione a cebola, mexendo até começar a dourar. Adicione então a farinha e frite um pouco, mexendo sempre. Vá colocando o leite quente aos poucos, sem parar de mexer para não empelotar. Junte o milho e desligue o forno. Use um mixer manual para bater a mistura ou então coloque-a no liquidificador/processador. Quando formar um creme, volte com ela para o fogão e cozinhe em fogo baixo até uma engrossar um pouco, como um mingau ralo. Tempere com sal, noz-moscada e pimenta do reino. Deixe esfriar e prepare a massa enquanto isso.

3. Para a massa, numa tigela, coloque a farinha e a manteiga e vá esfarelando com as pontas dos dedos, até que a mistura fique granulada e úmida, com aparência de uma farofa grossa. Ainda será possível ver pedacinhos de manteiga envoltos na farinha. Adicione o ovo e misture com as mãos até formar uma massa coesa. Se estiver muito seca, adicione uma colher de sopa de água gelada. Trabalhe a massa um pouco, apenas até que seja possível formar uma bola. Se o dia estiver muito quente, deixe-a na geladeira por uns 30 minutos para que fique mais fácil de trabalhar.

4. Pré-aqueça o forno a 200 graus.  Divida a massa em duas partes iguais. Com uma delas, forre o fundo e as laterais de uma assadeira: você pode ir colocando a massa aos poucos e pressionando o fundo e as laterais com os dedos, ou então abrir com um rolo de massas e depois tranferir para a forma.

5. Distribua o frango com catupiry e depois coloque por cima o creme de milho (que a essa altura já deve estar em temperatura ambiente). Distribua o restante do requeijão por cima do creme em pequenos montinhos.

6. Abra com um rolo o outro pedaço da massa e use como tampa, pressionando com os dedos onde as duas massas se encontram para fechar bem a torta. Pincele a gema de ovo por cima e leve ao forno por cerca de 20 minutos, até dourar.

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Ternura por galinhas + Frango assado com vinagre balsâmico

Esse blog começou comigo contando uma história sobre a primeira galinha que conheci na vida e de como tivemos um pequeno “desentendimento” quando resolvi pegar um de seus pintinhos na mão. Ainda que essa tenha me dado um grande susto, continuei sempre adorando galinhas, principalmente as galinhas-d’angola – mas essas eu gosto bem à distância, já que são as mais nervosinhas de todas. Ainda que tenham personalidade forte, galinhas são animais muito simpáticos, né?

Fiquei pensando sobre isso ontem, quando fui mexer na minha estante e achei um livro chamado “As Frangas”, do Caio Fernando de Abreu. Também tenho o “A Vida Íntima de Laura” (que é uma galinha), da Clarice Lispector. Não é um pouco estranho uma pessoa ter dois livros cujos personagens principais são galinhas? Talvez  elas sejam um símbolo importante da parte da minha infância que passei em sítios. Então quem sabe pensar e ler sobre elas seja um jeito de relembrar, de materializar a saudade. Ou então é só porque é um animal legal, mesmo.

“Quando eu era do tamanho de você, ficava horas e horas olhando para as galinhas. Não sei por quê. Conheço tanto as galinhas que podia nunca mais parar de contar. Vou contar uma coisa meio enjoada de se contar. É o seguinte: sabe que a galinha tem um cheiro um pouco chato? Parece cheiro de cesto de roupa suja ou de quando a gente não toma banho todos os dias. Não é cheiro limpo não. Então embaixo das asas é aquela morrinha. Mas não faz mal. Todas as coisas têm mesmo um cheiro, não é?”
(…)
“É engraçado gostar de galinha viva mas ao mesmo tempo também gostar de comer galinha ao molho pardo. É que pessoas são uma gente meio esquisitona.”

Clarissa Lispector – A Vida Íntima de Laura

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Frango assado com azeite balsâmico e mostarda
Muita gente por aí tem preconceito com frango porque diz que é uma carne seca e sem gosto. Mas é que o frango precisa de um carinho extra para pegar tempero, e é isso que a marinada dessa receita faz. Além disso, usar pedaços com osso também ajudam a manter a umidade e sabor do frango. Se puder, opte por um orgânico.

Adaptado daqui

Ingredientes

- 2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
- 1 colher de sopa de mostarda Dijon
- 1 colher de sopa de suco de limão
- 1 dente de alho picadinho
- 1 colher de sopa de azeite
- Sal e pimenta do reino moída na hora
- 1 quilo de frango em pedaços (eu usei peito de frango com osso e sobrecoxa)
- 2 colheres de sopa de vinho branco (ou outra bebida de sua preferência)

Como fazer

1.Num saquinho do tipo ziplock, coloque os pedaços de frango e os cinco primeiros ingredientes. Tempere com sal e pimenta, feche o saco e sacuda bem para que todos os pedaços estejam envolvidos no tempero. Deixe por mínimo 3 horas na geladeira, de preferência de um dia para o outro. Dê uma mexida no saco eventualmente durante esse tempo.

2. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Coloque os pedaços de frango e a marinada numa travessa, cubra com papel alumínio e cozinhe por cerca de 15 minutos. Depois retire o papel e deixe-os até que dourem (cerca de 20 minutos).

3. Retire os pedaços de frango e reserve-os no prato que irá servir. Leve a assadeira para o fogão, ligue o fogo médio e entorne o vinho (ou a bebida que estiver usando). Mexa com uma colher para desprender o tempero que ficou grudado no fundo. Deixe o caldo engrossar um pouquinho e entorne sobre o frango. Sirva.

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Sinônimos de alegria + Brownie com nutella

Alegria: sf. 1. Qualidade ou estado de quem tem prazer de viver. 2. Contentamento, satisfação. 3. Achar dinheiro numa calça velha. 4. Achar um chocolate intacto numa calça velha. 5. Esse porco de botas. 6. Sexta-feira. 7. Pão de queijo saindo do forno no café da manhã. 8. Férias. 9. Férias e Curtindo a Vida Adoidado passando na Sessão da Tarde. 10. Happy hour na segunda. 11. Piscina gelada no calor escaldante. 12. .

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Brownies com Nutella
O segredo desse brownie é a etapa em que é preciso bater vigorasamente a massa por um minuto. Isso influencia na textura final, por isso não pule essa parte! E não deixe o brownie passar do ponto no forno, ou ele ficará ressecado. Você também pode fazê-lo sem a nutella e as castanhas. Mas por que ia querer fazer isso?

Adaptado do livro Ready for Dessert, do David Lebowitz

Rendimento: 9 a 12 pedaços

Ingredientes

- 6 colheres de sopa (85 gramas) de manteiga (sem sal ou com), cortada em pedacinhos
- 225 gramas de chocolate amargo (acima de 50% de cacau) picado
- ¾ de xícara de açúcar
- 1 colher de chá de extrato de baunilha
- 2 ovos grandes
- ¼ de xícara de farinha
- ½ xícara de castanhas picadas (ou nozes, ou amêndoas, ou avelãs…)
- 1/2 xícara de Nutella

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Unte uma forma quadrada de 20X20 cm e depois cubra com papel manteiga ou papel alumínio, de forma que o papel cubra o fundo e duas laterais, deixando um pouco de papel extra nessas laterais, formando duas alças. Isso ajudará na hora de desenformar. Unte também por cima do papel. (Se a sua assadeira não for deste tamanho, considere dobrar a receita).

2. Numa panela média e em fogo baixo, derreta a manteiga. Adicione o chocolate e mexa até que esteja tudo incorporado. Fora do fogo, misture o açúcar e a baunilha. Adicione os ovos, um de cada vez, misturando bem a cada adição.

3. Adicione a farinha e coloque um timer para contar um minuto. Durante esse tempo, mexa vigorosamente a massa. Força nos braços! Pode ser que no início a massa parece que vai separar, ou que está granulada, mas no final do minuto ela estará densa, cremosa e brilhante.

4. Adicione as castanhas e mexa para incorporar. Entorne a massa na forma preparada. Coloque a Nutella no microondas por cerca de 20 segundos, apenas para amolecê-la. Com ajuda de uma colher, entorne a Nuttela aos poucos por cima da massa. Depois pegue uma faquinha e, com ela em pé, faça movimentos de redemoinho, criando um desenho de curvas que misturam Nutella e massa de brownie.

5. Asse por cerca de 30 minutos ou até que o topo esteja fosco e craquelado, e uma faca bem fina inserida no meio saia praticamente seca. É importante lembrar que o centro do brownie ainda estará úmido.

6. Espere esfriar completamente e passe uma faquinha pelas laterais para ajudar o brownie a soltar. Com ajuda das alças de papel, retire-o da forma. Corte em quadrados e sirva. Para cortar, use uma faca grande, tipo de chef, e passe-a em água corrente cada vez que cortar uma fileira, enxugando com papel-toalha depois. A faca limpa deixa o corte mais bonito.

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Flanelinhas de texto + Salmão com crosta de amêndoas

Da série “diálogos reais”:

1.
- Mas aqui não é “o evento acontece na semana que vem”, é “o evento vai acontecer na semana que vem”.

- É, pode ser assim, está correto. Mas na linguagem jornalística se usa o verbo no presente para deixar a notícia mais atual e próxima do leitor.
- Mas isso não faz sentido, porque a coisa ainda vai acontecer, ou seja, é no futuro mesmo.
- Eu entendo a questão gramatical, só estou querendo te mostrar que, jornalisticamente falando, o texto fica mais ágil com o verbo no presente.
- Mas….
(continua discutindo até me fazer desistir e escrever “vai acontecer”).

2.
- Você escreveu ministro com letra minúscula.
- É com letra minúscula mesmo, pois se refere ao cargo. Apenas o seu ministério é com maiúscula.
- Mas é o ministro! É o mi-nis-tro. E se fosse o presidente?
- Também seria com minúscula.
- Mas é o presidente!

3.
- Nesse trecho o nome do homem está vindo antes do nome da mulher, tá errado.
- Tá errado por quê?
- A regra diz que o nome do homem tem que vir DEPOIS do nome da mulher no texto.
- Olha, não existe essa regra em termos de redação ou gramática.
- É lógico que existe, todo mundo sabe dessa regra…

Se eu fosse um médico, o paciente não ia discutir o diagnóstico comigo. Podia desconfiar, questionar, podia até pedir uma segunda opinião, mas não ia discutir comigo. Se eu fosse um arquiteto, ninguém ia pedir para arredar tal coluna mais para a esquerda se eu falasse que aquele jeito não era o certo. Mas eu não sou nada disso, eu escrevo; aí todo mundo tenta, como diria uma amiga, “manobrar” meu texto…

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Salmão com crosta de amêndoas
Uma receita clássica e saudável que combina texturas e sabores. É fácil de fazer e faz bonito na mesa – bom para impressionar os convidados do jantar! Só tome cuidado para não deixar o salmão assar demais, senão ele ficará ressecado.

Ingredientes

- 1/4 de xícara de amêndoas picadas (30 gramas)
- 1/4 de xícara de farinha de pão
- 1/4 de colher de chá de coentro em pó
- 1/8 de colher de chá de cominho em pó
- 2 fiés grandes de salmão (cerca de 250  gramas cada)
- 2 colheres de chá de suco de limão
- 1/2 colher de chá de sal
- 1/4 decolher de chá de pimenta do reino moída na hora

Como fazer

- Pré aqueça o forno a 250 graus e ajuste a grade para o lugar mais alto do forno. Forre uma assadeira com papel alumínio (com o lado fosco para fora) do tamanho suficiente para embrulhar os pedaços de salmão. Unte levemente com manteiga.

- Numa prato raso, misture a farinha de pão, as amêndoas picadas, o coentro e o cominho.

- Tempere os filés com o sal, a pimenta e o suco de limão. Passe um pouco de azeite em cada um. Trabalhando com um filé de cada vez, encoste o topo dele (lado oposto da pele) na farinha, pressionando levemente para aderir. Tranfira-os para a assadeira e salpique mais farinha por cima se necessário, lembrando de pressionar de leve para formar a crosta.

- Levante os lados do papel alumínio e deixe-o aberto, como se fosse uma cesta, de modo que a crosta do salmão fique exposta. Leve ao forno por cerca de 15 minutos, até que a carne fique um tom de rosa claro. Teste com um garfo, tirando um pedacinho do canto, para saber se a carne está macia. Sirva com um fio de azeite.

Dicas!

- Para fazer sua própria farinha de pão, passe um pão de sal velho (daqueles que já ficaram bem duros) pelo ralador. Ou então faça torradas e coloque no liquidificador/processador.
- Para tirar a pele das amêndoas, coloque-as numa vasilha e jogue por cima água fervente até que fiquem totalmente cobertar. Deixe descansar por uns dez minutos e as casquinhas vão sair facilmente.

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Geleia de bacon: a experiência

Já tem bastante tempo que vi essa receita de geleia num blog americano. Achei que era apenas uma daquelas experiências culinária estranhas, tipo ““. Só que a receita se espalhou por outros blogs e vi muita gente dizendo que testou e amou. Desde então, toda vez que passava pelo supermercado e via uma caixinha de bacon, eu pensava na tal geleia. Um dia resolvi parar de ser maricas e experimentá-la de uma vez.

Antes de começar eu li muitas, MUITAS receitas diferentes. Percebi que existia uma base mais ou menos fixa e outras coisas que as pessoas decidiram adicionar. Então eu também bolei minha própria combinação. Quando tudo vai para a panela, não dá para acreditar que aquilo vai dar certo. O cheiro é um pouco esquisito no início, mas depois a mistura toma corpo e um gosto genial.

Eu sei que você ainda está pensando algo entre  ”como assim?”,  ”é doce ou salgado??” e “eca!”. Vou responder a esses pensamentos, um de cada vez:

1. Se pensar nisso como um aperitivo, ou patê, ou conserva, ajuda? Nesse caso, chama-se geleia por conta da textura final e não devido ao processo em si, já que uma geleia é tradicionalmente feita com açúcar e fruta.
2. É difícil descrever. O doce está lá, mas não como numa geleia comum. É bem mais sutil. O sabor defumado e levemente salgado do bacon também aparece.
3. É uma delícia.

Ainda tá sentindo um medinho de experimentar? Faça como eu e teste num “grupo de controle”. Fiz apenas meia receita pensando que, caso ficasse ruim, não teria desperdiçado tanto bacon. Porque desperdiçar bacon é CRIME INAFIANÇÁVEL, né.

Agora posso mesmo comprovar aquela velha premissa de que “se tem bacon, não pode ser ruim”.

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Geleia de bacon
Você pode ainda estar pensando “mas Marina, como eu uso essa geleia?”. Algumas ideias: faça brusquetas, use no hambúrguer ou no acompanhamento de carnes, adicione na massa de panqueca. Comer direto numa torrada também é vida.


Rendimento: cerca de uma xícara

Ingredientes

- 500 gramas de bacon em fatias
- 1 cebola pequena, cortada em cubinhos
- 4 dentes de alho picados
- 1/2 xícara de açúcar mascavo (aperte na xícara para medir)
- 1/4 de café pronto sem açúcar (de preferência coado na hora, mas não precisa estar quente)
- 1/4 de água
- 1/4 de xícara de glucose de milho (Karo)
- 4 colheres de sopa de vinagre de maçã ou de vinho branco
- 1/2 de colher de chá de páprica picante
- Sal e pimenta do reino moída na hora à gosto

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Forre uma assadeira grande com papel manteiga Disponha as tiras de bacon uma do lado da outra e leve ao forno por cerca de 15 minutos, até que as bordas estejam começando a ficar crocantes. Não deixe que fiquei completamente crocante, ou ele vai passar do ponto quando formos fazer a geleia. Eu gosto de cozinhar o bacon no forno porque é mais simples e não faz tanta sujeira. Se você quiser fazê-lo na panela ou frigideira, siga a mesma orientação do ponto.

2. Retire o bacon do forno e transfira cerca de uma colher de sopa da gordura que soltou dele para uma panela média (descarte o resto da gordura). Corte as tiras de bacon em quadrados de mais ou menos 2cm. Ligue o fogo alto e adicione a cebola e o alho à gordura do bacon, cozinhando por cerca de 5 minutos, até que comecem a dourar.

3. Abaixe o fogo e adicione os pedaços de bacon e os outros ingredientes. Mexa em fogo baixo por cerca de 40 minutos, até que a mistura atinja a consistência de geleia. Se você perceber que a mistura está muito seca, adicione um pouquinho mais de vinagre. Se o bacon soltar mais gordura, drene-a da panela.  Quando atingir o ponto, experimente e coloque sal e/ou pimenta ao seu gosto. Deixe esfriar.

4. Você pode serví-la assim ou, se quiser os pedaços de bacon bem pequenos, passe a geleia pelo processador, pulsando algumas vezes. Cuidado para não bater demais.

5. A geleia deve ser guardada na geladeira num pote fechado por até uma semana.

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O dilema da carne + Costelinha ao molho barbecue e purê de batatas com alho

A receita deste post é minha primeira carne que deu certo. Estou descontando dessa categoria qualquer coisa feita com linguiça ou carne moída. Explico: tenho certa dificuldade com carnes que realmente me lembram o animal de onde vieram. Se estão disfarçadas dentro de uma membrana ou picadas em pedaços minúsculos, acho (um pouco) mais tranquilo.

A mestre Julia Child dizia que um cozinheiro nunca deve revelar seu ponto fraco, mas eu falo demais, então já era. Quando vejo um pedaço de bife cru na minha frente, fico sem reação. No máximo dou uns cutucões com o dedo, com quem quer fazer amizade, mas no final acabo deixando para outra pessoa cuidar dele.

Não que isso seja necessariamente um problema, já que carne, principalmente vermelha, nunca me fez falta. Tenho vontade de comer bem de vez em quando. Ainda assim, acredito que é importante saber preparar pelo menos o básico: bife, carne de panela, lombo, essas coisas. Só que quando o pedaço de frango está lá na minha frente, não tem jeito. Na hora imagino direitinho a galinha morta e travo.

Talvez a dificuldade tenha surgido na minha tal infância bucólica. Com 10 anos vi meu tio matando uma galinha pela primeira vez, quebrando o pescoço num só “trac”. Também vi como se matavam vacas e porcos – desse último tenho a lembrança mais vívida, pois depois de morto, sua pele era queimada. Me lembro bem do cheiro daquilo, das labaredas do fogo, dos estalos da pele. E eu, que antes estava brincando com esses animais, fazendo carinho e dando nomes, de repente via o sangue deles pingando na bacia de metal. Era meio traumatizante.

Devagarinho estou fazendo as pazes com as carnes. Como poucas vezes na semana e dou sempre prefência para as orgânicas. Confesso que quando vi essa costelinha na minha frente foi difícil, pois fiquei imaginando o porquinho simpático de onde ela saiu. Mas acho que no final das contas consegui pelo menos honrá-lo: a carne ficou bem gostosa.

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Costelinha ao molho barbecue e purê de batatas com alho
A receita dessa costelinha tem uma grande vantagem: a marinada e o molho são uma coisa só, o que garante um preparo fácil e muito saboroso. É preciso de tempo, mas o resultado vale a pena. O purê eu aprendi a fazer quando morei nos Estado Unidos. O alho assado sá um sabor muito especial, mais sutil do que se fosse usado cru.

Rendimento: 4 porções

Ingredientes

Costelinha
1 quilo de costelinha
4 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de mostarda dijon
4 colheres de sopa de açúcar mascavo
4 colheres de sopa catchup
2 colheres de sopa molho de soja
5 a 6 colheres de sopa de vinagre
2 a 3 colheres de chá de pimenta do reino moída na hora
2 colheres de chá de sal

Como fazer

1. Se a sua costelinha está com uma membrana fina cobrindo um dos lados, tire-a com uma faquinha bem afiada.

2. Amasse o alho com o sal num pilão ou usando um garfo. Depois misture o restantes dos ingredientes, deixando o vinagre por último. Vá colocando-o aos poucos, pois o molho não deve ficar ralo. Ele deve ter consistência suficiente para cobrir a carne sem escorrer totalmente pelos lados.

3. Coloque a costelinha numa vasilha rasa, onde ela encoste totalmente no fundo. Espalhe a marinada por todos os lados da carne, massageando levemente. Cubra com uma tampa ou um plástico e leve à geladeira por pelo menos 5 horas (ou deixe de um dia para o outro).

4. Pré-aqueça o forno a 150 graus. Coloque a costelinha num pedaço de papel alumínio grande o suficente para embrulhá-la com o lado brilhante voltado para a carne. Guarde o líquido restante da marinada – ele será usado para finalizar a costelinha.

5. Leve ao forno por cerca de duas horas e meia. De tempos em tempos, regue a costelinha com seu próprio molho. Quando a carne estiver bem macia, abra o embrulho de papel alumínio e espalhe um terço do restante da marinada que foi reservada. Aumente o forno para 220 graus e deixe a costelinha assando descoberta. A cada 10 minutos, pincele mais um pouco da marinada. Asse até que esteja bem dourada e caramelizada.

Purê de batatas com alho
Ingredientes

- 600 gramas de batata de casca amarela (cerca de 5 batatas)
- 1 cabeça de alho
- 4 colheres de sopa de creme de leite
-2 colheres de sopa de manteiga
- Sal e noz moscada à gosto

Como fazer

1. Retire apenas a casca externa da cabeça do alho, mantendo os dentes juntos. Com uma faca afiada, corte a ponta dos dentes, deixando a beirada deles exposta, como na foto.

Foto: Simply Recipes

2. Regue a cabeça com um pouco de azeite, salpique sal e embrulhe em papel alumínio. Leve ao forno por cerca de 30 minutos, até que esteja bem macio e começando a dourar.

3. Enquanto isso, cozinhe as batatas. Se você tem um espremedor, parta as batatas em 8 com casca e coloque-as numa panela grande com água para ferver. Se não tem espremedor, descasque-as antes dessa etapa. Cozinhe até que fiquem bem macias e depois amasse-as.

4. Descasque os dentes de alho assados e amasse-os até formar uma pastinha. Se você gosta do sabor mais leve de alho e não quer usar tudo, é possível congelar essa pasta para ser usada depois.

5. Adicione o creme de leite, a manteiga, o sal e a noz moscada à batata. Misture bem e adicione o alho aos poucos, provando até chegar no ponto desejado.

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Pão com cerveja preta do Game of Thrones

Hoje quem vai escrever aqui é o Mário, o fã mais fã que eu conheço da série de livros Crônicas de Gelo e Fogo (no original em inglês A Song of Ice and Fire) do autor George R. R. Martin. No último domingo estreou a segunda temporada de Game of Thrones, programa de TV exibido pela HBO baseado nesses livros. Eu nunca li as histórias, mas gostei demais da primeira temporada. Então convidei o Mário para falar um pouco sobre os livros, que já venderam mais de 10 milhões de unidades no mundo todo e estão na lista de mais vendidos no Brasil. E de quebra ganhei uns elogios no final!

A Song of Ice and Fire é, sem dúvidas, a melhor coisa que li nos últimos anos. Falo sem medo. Muita gente torce o bico para os livros, principalmente porque são de fantasia (com castelos, espadas, um cenário medieval, etc). Mas eu sempre defendo dizendo que é uma literatura bastante madura, bem escrita e “de gente grande”.

A qualidade do texto que se vê em cada um dos livros – até agora são cinco, de prováveis sete – é algo realmente difícil de encontrar por aí. Cada palavra é colocada em seu lugar por um motivo, cada uma tem um propósito, além de um significado maior que a própria palavra, se encaixando de várias formas dentro da obra. O trabalho é minucioso e a impressão é de que o tempo inteiro o autor tem o controle completo de todas as letras que estão ali. É Literatura com L maiúsculo.

Como se não bastasse a qualidade da escrita em si, o homem é um verdadeiro mestre do desenvolvimento de personagens. Os livros não têm foco nos “fatos” da história que se desenrola, mas na visão dos personagens sobre o que está ocorrendo. Não é raro você odiar certos personagens enquanto são vistos pelo ponto de vista dos outros, mas mudar de ideia quando são eles narrando a história. Você entende do que cada um desses personagens é feito.


Mas o que isso tudo tem a ver com comida? Eu vim aqui para uma receita, oras! Pois não se afobe, caro leitor. O mesmo cuidado no desenvolvimento dos personagens ou das tramas que se desenrolam nos livros, o autor também usa para descrever as comidas. Cada refeição – desde um banquete no castelo a uma caça preparada na fogueira – tem cor, cheiro e sabor. É impossível ler e não ficar com água na boca. E é esse esmero que vejo aqui toda semana com cada receita da Marina. O cuidado com os detalhes e a maneira sagaz de passar cada sensação pelo texto é o que fazem desse blog um canto tão diferente dessa internet afora.

Apreciem um típico pão preto de Westeros e lembrem-se: “winter is coming“.

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Pão com cerveja preta
A receita desse pão vem de um blog genial, o Inn at the Crossroads, em que eles fazem receitas baseadas nas comidas citadas nos livros do da série Crônicas de Gelo e Fogo. Além de ser muito fácil de fazer, resulta num pão macio e de sabor marcante. Ótimo para acompanhar sopas ou ser comigo com uma boa manteiga.

Rendimento: 2 pães grandes
Tempo de preparo: 4 horas

Ingredientes

- 350 ml de cerveja preta
- 2 e 1/4 de colher de chá (7 gramas) de fermento biológico seco instantâneo
- 2 colheres de sopa de mel
- 1 ovo
- 2 colheres de chá de sal
- 4 a 5 xícaras de farinha (eu usei 3 xícaras de farinha branca e 1 de farinha integral. Lembrando que a quantidade de farinha pode variar muito de acordo com o tipo de farinha e o clima, então tenha uma quantidade a mais reservada)

Como fazer

1. Numa tigela grande, adicione o fermento e depois a cerveja, misturando levemente para que o fermento dissolva. Deixe descansar por cerca de 5 minutos, até que se forme uma espuma fina.

2. Adicione o ovo levemente batido, o mel e o sal. Vá colocando a farinha aos poucos, misturando com as mãos ou com uma colher grande, até que seja possível formar uma bola de massa coesa. A massa não deve estar grudenta, mas ainda estará “colando” levemente nas mãos, como se fosse um durex fraquinho.

3. Enfarinhe uma superfície lisa e sove a massa por cerca de 10 minutos, adicionando um pouco mais de farinha quando necessário. Forme uma bola e volte com ela para a tigela. Cubra com um pano e deixe num canto escuro e quente (eu gosto de deixar dentro do forno desligado) por cerca de uma hora ou até que a massa dobre de tamanho. Dependendo do clima do dia, esse tempo pode variar bastante. No dia que fiz estava quente e a massa levou só meia hora para crescer.

4. Soque a massa para tirar o ar, divida em duas partes iguais e dê o formato desejado para o pão. Separe duas assadeiras, unte levemente com azeite e coloque cada pão em uma. Deixe crescer novamente por duas horas.

5. Pré-aqueça o forno a 220 graus. Enfarinhe levemente o topo dos pães e leve-os para assar por cerca de 30 minutos, ou até que fiquem com uma casca dourada. Deixe esfriar por alguns minutos e sirva.

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Um nhoque para lembrar meu avô

Sempre gostei muito do meu avô materno. Acho que ele foi um cara legal, engraçado, inteligente, inquieto  e doce. Eu nunca cheguei a conhecê-lo, mas isso não parece fazer diferença. Tenho uma espécie de saudade dele, como se tivéssemos convivido em algum período da vida.

Claro que o que eu tenho, na verdade, é só uma ideia, uma imagem construída com vários pedacinhos, desde as histórias que minha mãe conta até as fotos antigas. Mas isso para mim não explica tudo. Também ouvi casos e vi fotografias de outros familiares que não conheci. Com esse avô é diferente.

Antes eu achava que era porque ele gostava muito de escrever e conversar com as pessoas, duas coisas com as quais me identificava. Depois pensei que poderia ser uma admiração do seu jeito “faz tudo”, já que ele nunca teve profissão formal e mudou de negócio várias vezes. Hoje sei que é tudo isso, mas recentemente descobri o mais importante: meu avô era dramático. Muito dramático.

Consigo enxergar várias coisas da minha personalidade que herdei do meu pai e da minha mãe. O drama, não. E esse sempre foi o maior dos mistérios para mim. Nunca entendi de onde vem esse exagero meu na hora de ver e sentir as coisas. Um dia lendo as cartas que o vovô escrevia para a minha avó, entendi. Veio dele.

Nas correspondências, ele parece sempre viver o auge do romantismo, achando que qualquer desgosto é o fim do mundo e qualquer alegria é felicidade permanente. A minha carta favorita é uma em que ele ainda namorava minha avó e se defende de um boato que inventaram sobre ele. Não vou reproduzir a carta toda aqui para não ferir a intimidade dessa história que, acredito, nem eu deveria ter ficado sabendo. É difícil escolher o melhor trecho, mas acho que é esse:

“A mentira inocente, ameniza a vida; mas a mentira que afeta a honra ou a dignidade de quem quer que seja, é um ato torpe, vil baixo, desprezível, proprio de gente bronca e sáfara. Se eu conseguir descobrir o autor (ou autora) de tão infame ignominia, far-lhe-ei um protesto condigno.”

Morro de rir lendo essa carta. Parece que me vejo numa versão do século passado. Sinto ainda mais como se eu o conhecesse. Além de me identificar, fico aliviada. Desde que li seus textos, tenho um jeito de explicar porque sou tão dramática desde pequena: é coisa do sangue. Coisa do vô Joaquim.

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Nhoque de batatas – um passo a passo
Minha mãe sempre fala com alegria do nhoque que ela comia em casa na infância. De como era uma comida que envolvia a família toda e demorava um bom tempo para ficar pronta. Quando penso nos meus avós maternos, penso em nhoque. Imagino meu avô ajudando a fazer os rolinhos e minha avó na beira do fogão cozinhando.

Antes de tentar fazer em casa, li bastante sobre o assunto e realmente o segredo está nas batatas, que precisam estar com o mínimo de água. Como é difícil saber se a batata está boa para nhoque ou não, preferi garantir usando o tipo Asterix, que é mais seca, e assá-las em vez de cozinhar na água. Depois é só usar o mínimo de farinha possível. Isso vai garantir um nhoque leve e de ótima textura.

Rendimento: seis porções

Ingredientes

- 600 gramas de batata de casca roxa, tipo Asterix (de 4 a 6 batatas, dependendo do tamanho)
- sal grosso (2 colheres de sopa para cada batata)
- 2 gemas
- 80 gramas de parmesão ralado (3/4 de xícara)
- 120 gramas de farinha (1 xícara)
- 1 colher de chá de sal
- noz moscada à gosto

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Corte quadrados de papel alumínio de tamanho suficiente para enrolar as batatas. Coloque duas colheres de sopa de sal grosso no papel, formando uma “caminha” para as batatas. O sal grosso ajuda a absorver a umidade. Embrulhe-as e leve ao fogo por cerca de 40 minutos, até que esteja bem macias.

2. Passe as batatas pelos espremedor ou descasque e amasse com um garfo. É importante trabalhar com elas ainda quentes. Misture o queijo,as gemas, o sal e a noz moscada. Adicione a farinha aos poucos, pois o melhor nhoque é aquele que tem a menor quantidade de farinha possível. Dependendo da batata, pode ser que você não precise use toda a farinha – eu, por exemplo, usei só metade da xícara. Vá colocando farinha e misturando apenas até que vire uma massa coesa e seja possível moldar rolinhos sem grudar nas mãos. A massa deve, no entanto, permanecer macia  e úmida.


3. Numa superfície levemente enfarinhada, faça rolinhos com porções da massa e corte em pedaços de mais ou menos dois dedos. Você pode cozinhá-los nesse formato ou então fazer do jeito tradicional, como minha avó fazia, passando-os pelo garfo. Dessa forma o nhoque cozinha mais uniformemente e absorve mais molho. Você vai enfarinhar levemente um garfo e segurá-lo com uma mão. Com o dedo indicador ou o dedão da outra, pressione levemente um dos pedaços contra a parte curva do garfo e ao mesmo tempo deslize (e não arraste) ele em direção às pontas do garfo. Deixe-os cair na superfície de trabalho.


4. Antes de cozinhar o nhoque, separe uma bacia com água e gelo e uma travessa com pedacinhos de manteiga no fundo. Coloque uma panela grande com água no fogo. Quando ferver, jogue metade dos nhoques. Assim que eles subirem à superfície, retire com uma escumadeira e dê um choque térmico jogando-os na bacia com gelo, e logo depois na travessa. Cozinhe a outra metade dos nhoques da mesma forma.


5. Distribua o molho de sua preferência bem quente por cima dos nhoques na assadeira e  misture. Eu finalizei com parmesão e manjericão.

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Dá para esconder o gosto? + Peixe frito na cerveja e batatas com alecrim

“As pessoas mentem sobre um monte de coisas, mas você não pode mentir sobre o que você gosta de comer ou não. O seu gosto para comida é a expressão verdadeira de quem você é”. Quando ouvi a Nigella Lawson falando isso numa entrevista, nunca mais esqueci. Gosto é realmente algo impossível de esconder. Bom, se não impossível, bastante difícil. Talvez seja a mentira mais custosa.

Quando era adolescente, comi uma carne moída MUITO salgada na casa de uma amiga. Todos na mesa estavam almoçando  normalmente e eu não conseguia entender como ninguém estava precisando de dois litros de água para engolir a comida. E nessa família líquidos eram proibidos durante a refeição. Como eu não conseguia disfarçar minha cara na mesa, eu fingia que estava com o nariz escorrendo e fazia intervalos no banheiro, bebendo água da pia como um gato sedento. Só assim consegui terminar o prato todo.

A pior lembrança é de quando uma colega de trabalho me hospedou pelo fim de semana na época em que morava nos Estados Unidos. A mãe dela, querendo agradar, resolveu fazer um almoço para que a família inteira me conhecesse. Me perguntou se eu gostava de peixe e eu disse que sim. Mais tarde, ela me contou que nunca tinha preparado peixe e estava esperando essa oportunidade, já que ninguém mais na casa gostava. Eu devia ter desconfiado ali.

Quando a comida ficou pronta e estávamos sentados na mesa, ela apareceu com um tipo de ensopado de peixe e colocou na minha frente, avisando que aquele era só meu.  Me senti muito agradecida e, toda satisfeita, pus um pedação no prato. Quando coloquei a primeira garfada na boca… o peixe estava claramente estragado. E com um gosto meio oleoso. Lembro exatamente do desespero que me bateu. Eu olhava pros lados, comia um purê de batatas, me embebedava de refrigerante. Mas tive que comer pelo menos o que estava no prato. Não tinha outra saída – o prato tinha sido feito só para mim! Foram minutos de terror.

Nós, mineiros, poderíamos até contestar essa afirmação da Nigella, dizendo que em nome do medo de fazer desfeita a gente mentiria sobre o gosto, sim. Ô povo preocupado em agradar. Só que não é bem assim. Podemos até tentar disfarçar, mas o olhar tenso vai denunciar que você não gosta de comer aquilo. Se não for o olhar, vai ser aquela gotinha de suor que brota no cantinho da testa, sabe? Aquela de nervoso? Essa não mente.

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Peixe frito na cerveja e batatas assadas com alecrim
Essa é a minha versão do famoso prato inglês “fish and chips”, mas aqui eu deixo a fritura só para o peixe. A verdade é que eu raramente faço frituras em casa: não gosto da bagunça e sei que não é saudável. Mas tudo de vez em quando não faz mal. E esse peixe crocante e sequinho faz a exceção valer a pena.

Rendimento: 4 porções

Ingredientes
Para o peixe
- 650 gramas de peixe com carne branca, tipo cação, pintado ou merluza
- 1 e ½ xícara de farinha de trigo
- ½ xícara de maizena
- 2 colheres de chá de sal
- ½ colher de chá de pimenta caiena
- ½ colher de chá de páprica
- Uma pitada de pimenta do reino
- 1 colher de chá de fermento em pó
- 350 ml de cerveja gelada
- Óleo de canola para fritar

Para as batatas
- 600 gramas de batatas (cerca de 5 batatas, dependendo do tamanho)
- 3 colheres de sopa de azeite
- 2 dentes de alho
- Galinhos de alecrim
- Sal à gosto

Como fazer

1. Comece pelas batatas. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Corte as batatas em cubos de cerca de 3 cm. Coloque-os numa panela e cubra com água. Acrescente uma colher de sopa de sal e coloque no fogo alto. Quando ferver, escorras as batatas. Em seguida, aqueça o azeite numa frigideira ou outra panela que possa ir ao forno. Junte as batatas pré-cozidas, o alho com casca e as folhinhas de alecrim. Tempere com um pouco de sal e pimenta. Mexa com uma colher por cerca de 30 segundos, envolvendo todos os pedaços no azeite. Leve ao forno por cerca de 20 minutos.

2. Enquanto as batatas estão no forno, tempere o peixe com sal e pimenta e corte-o em pedaços médios. Deixe-os absorver o tempero por alguns minutos e depois seque cada pedaço com papel toalha ou um pano limpo.

3. Separe duas tigelas. Na primeira, misture a farinha, a maizena e os temperos, mexendo bem. Depois, retire ¾ de xícara dessa mistura e transfira para a outra tigela. Nessa segunda, junte o fermento em pó e vá colocando a cerveja aos poucos, misturando com um fouet. A mistura deve ficar grossinha, como uma massa de panqueca. Pode ser que você não precise usar a cerveja toda.

4. Cheque a batata: os pedaços devem estar dourados e sequinhos. Se ainda não estiverem, aproveite para mexer um pouco a panela.

5. Coloque dois dedos de óleo numa frigideira e aqueça no fogo alto. Passe os pedaços de peixe primeiro na farinha, tire o excesso, depois na massa de cerveja, envolvendo bem e novamente na farinha. Vá deixando os pedaços prontos numa assadeira. Quando o óleo estiver quente (teste colocando o cabo de uma colher de pau na panela. Se formarem muitas bolhas em voltam dele, está ok), frite os pedaços, virando-os assim que um dos lados estiver dourado. Vá controlando a temperatura do óleo durante a fritura, não deixando que fique quente demais, e frite alguns pedaços por vez. No final de cada fritura, coloque os pedaços em papel toalha.

6. Retire as batatas do forno e coloque-as num prato com papel absorvente. Sirva quente, junto com o peixe.

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Só isso, nada mais (e um Bolo de cookie de chocolate)

Há quase 50 anos existe em Belo Horizonte uma pastelaria chamada “Pastelaria Ouvidor”, que por sua vez fica num prédio comercial muito tradicional no centro da cidade, a “Galeira do Ouvidor”. Em 2010 eu estava escrevendo uma matéria para uma revista e precisei conversar com o dono da pastelaria, que, já velhinho, me contou tudo sobre a loja. De toda a história, o que achei mais engraçado foi o jeito que ele defendia os sabores dos pastéis: “pastel para mim é carne e queijo e só. Depois as minhas filhas me convenceram a vender também de frango e outros recheios. Eu concordei, mas contrariado. Acho que não se pode dar muita opção para as pessoas que elas ficam confusas, não sabem o que escolher”.

Nunca me esqueci da fala do seu  Haroldo porque muitas vezes eu queria ter só duas opções – e não vinte – na hora de comprar alguma coisa. Não estou dizendo que diversidade é sempre ruim. Eu sei que ter muitos produtos diferentes na prateleira é uma conquista econômica importante. Mas tem hora que tanta alternativa sufoca.

Não sei se é uma consequencia direta dessa overdose de opções, mas tem surgido no Brasil muitas casas com uma única especialidade. Em BH abriu há pouco tempo o L’Enctrecôte, que serve apenas um prato: entrecôte com fritas. Houve também a febre das lojinhas de empada. Em São Paulo elas aparecem em maior quantidade. Lá, além da mania das “ias” (temakeria, kebaberia, cupcakeria, bruschetteria), existem lojas que vendem só tortas salgadas, só quindins, só bombas, só omeletes… No restaurante Oryza, tudo é feito de arroz, desde à entrada até a sobremesa. O que acho fascinante desse tipo de loja é que você já entra nelas pelo menos com uma das escolhas feitas: vai ser quindim, ainda que você não saiba de quê. Já dá um certo alívio.

Se eu fosse abrir um negócio assim, acho que escolheira um tema tipo “fusões”, que ajudariam o cliente a se decidir. Para quem não sabe se quer bolo ou cookie, eu venderia um bolo de cookie. Não sabe se quer brownie ou cheesecake, faria um brownie de cheesecake. Ou um cheesecake de brownie. Acho que seria um sucesso, hein?

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Bolo cookie de chocolate
Imagine cookies daqueles com muitos pedaços de chocolate tranformados em um bolo macio e úmido. Não precisa explicar mais, né? Minha dica é não procurar uma textura de bolo na hora de fazer a massa. Ela precisa ficar mais pesada mesmo, sem muito ar, como a de um cookie normal. E se a família (ou o desejo) forem grandes, dobre a receita e faça numa forma de 33 X 22 centímetros.

Ingredientes

- 1 e 1/3 de xícara de farinha de trigo (150 g)
- ⅓  de xícara de açúcar cristal (65 g)
- ⅓ de xícara de açúcar mascavo (aperte na xícara para medir) (65g)
- ½ colher de chá de sal
- ½ colher de chá de canela
- ¼ de colher de chá de bicarbonato
- 110 gramas de manteiga sem sal em temperatura ambiente, bem molinha
- 1 ovo
- ½ colher de chá de extrato de baunilha
- 1 e ½ xícara de chocolate meio amargo picado (255 gramas) (você pode substituir 1/2 xícara de chocolate por nozes os castanhas picadas)

Como fazer

1. Pré-aqueça o forno a 180 graus. Forre uma forma de 20 X 20 cm com papel manteiga.

2. Na velocidade baixa da batedeira, misture a farinha, os dois açúcares, o sal, a canela e o bicarbonato em pó. Ainda na velocidade baixa, adicione a manteiga amolecida e bata apenas até que se forme umas pelotinhas, como uma farinha grossa (cerca de uma minuto).

3. Adicione o ovo e a baunilha e bata até que se forme uma mistura coesa. Aumente a velocidade para média e junte os pedaços de chocolate, misturando até que eles se incorporem à massa, cerca de 20 segundos.

4. Coloque porções de massa na assadeira e usa as costas de uma colher ou espátula para espalhar pela forma. O que ajuda também é cortar um pedaço de papel filme, colocá-lo em cima da massa e, com as mãos, ir ajeitando até que ela esteja igualmente distribuída.

5. Asse o bolo até por cerca de 30 minutos. Para saber o ponto,veja se ele já está dourado e começando a firmar no centro (pressione levemente com os dedos para sentir). Ele também terá formado uma fina casquinha, mas ainda estará úmido por dentro. Cuidado para não assar demais, pois o bolo irá firmar depois que sair do formo.

6. Deixe o bolo esfriar dentro da assadeira (cerca de 20 minutos). Vire de cabeça para baixo em outro tabuleiro, tire o papel manteiga e vire de volta para cima. Corte em pedaços e sirva. Os meus em embrulhei em papel manteiga e amarrei com um barbante para virarem  presente. Os pedaços também podem ser congelados.

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