A vida secreta das abelhas + Bolo de mel (Lekach)

Viruda odiava ter nascido rainha. Aprendeu bem pequena que, como a única abelha fértil da colmeia dela dependia o futuro de todas as outras moradoras dali. Ela sabia que devia se preparar para o seu destino: fazer único vôo para o lado de fora, onde seria fecundada por algumas dezenas de zangões, voltar para casa para colocar os ovos e lá permanecer até o momento em que outra rainha seria escolhida. Em vez de se acostumar com essa ideia, ficava pensando em diferentes planos de fuga para quando saísse para o acasalamento. E não sabia o que seria pior: trair sua família inteira ou ver o sol somente uma vez na vida.

Ceci ouvia as amigas falarem de como achavam a vida na colmeia entediante e invejavam as abelhas solitárias que, por não viverem em comunidade, eram livres para fazer o que quiserem, sem prestação de contas. Biúrna nunca falava o que estava pensando, já que, no fundo, ela gostava de ser uma operária. Sentia satisfação em ter um dever a cumprir e saber que suas ações implicavam no bem de milhares de outras abelhas. Não queria de jeito nenhum a vida da abelha solitária – aliás, seu maior medo na vida era ficar sozinha. É por isso que ela fingia compartilhar das opiniões do grupinho. Para ela, discordar das amigas também era uma forma de solidão.

Milde às vezes emitia sinais confusos para as outras abelhas durante sua busca por comida. Ela achava injusto passar tanto tempo procurando flores perfeitas e depois ter que dar o caminho das pedras para as outras. Ela entendia a teoria de que, quanto mais néctar e pólen recolhido, mais a colmeia produziria e cresceria. Mas ela sentia que já se doava tanto para o grupo que se permitia atitudes egoístas de vez em quando. Mesmo morrendo de medo da rainha descobrir.

Foi nesse tipo de história que pensei quando li o título do livro “A Vida Secreta das Abelhas”. Imagine minha decepção quando descobri que era sobre uma menina em busca da história verdadeira da mãe. Penso que os possíveis segredos das abelhas seria um tema muito mais interessante…

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Bolo de mel (Lekach)

Esse bolo judaico, chamado Lekach, é servido no ano-novo como símbolo de dias mais doces. Ele lembra o pão de mel, mas sua textura é diferente, já que é bem úmido. O sabor de mel também é mais marcante, sem ser muito doce. Par perfeito para acompanhar um chazinho num dia de bobeira.

bolo umido de mel

Ingredientes

– 1 ¾ xícara (chá) de farinha de trigo
– ½ colher (chá) de fermento
– ½ colher (chá) de bicarbonato
– ¼ de colher(chá) de sal
– 1 colher (chá) de canela
– ¼ de colher (chá) de noz-moscada ralada
– ½ xícara (chá) de óleo de coco, canola ou girassol
– ½ xícara (chá) de mel
– ½  xícara (chá) de açúcar cristal
– ¼ de xícara (chá) de açúcar mascavo
– 2 ovos pequenos
– ½ colher chá de extrato baunilha
– ½ xícara de chá pronto forte (usei chá de camomila – um saquinho para  ½ xícara de água) ou café pronto sem açúcar
– ¼ de xícara de suco de laranja natural
– 2 colheres de sopa de conhaque, whiskey ou rum

Para servir:

– 2 colheres de sopa de mel

Como fazer

1. Unte com manteiga e enfarinhe uma forma quadrada ou redonda de 20 cm. Preaqueça o forno a 180 graus.

2. Numa tigela grande (pode ser a da batedeira), misture a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal, canela e a noz moscada. Faça um buraco no meio e acrescente o óleo, o mel, os açúcares, os ovos, a baunilha, o chá ou café, o suco de laranja e a bebida alcoólica que estiver usando. (Dica: se você medir o óleo antes do mel, vai ser mais fácil tirá-lo da xícara).

3. Com um batedor de arames grande ou na velocidade baixa da batedeira, misture tudo muito bem, até que fique uma massa lisa e grossa, sem nenhum ingrediente grudado no fundo da tigela.

4. Entorne a massa na forma, alisando com uma espátula, e leve ao forno por cerca de 40 minutos, até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Não se preocupe se ele afundar levemente no meio: como é uma massa bem úmida, isso pode acontecer mesmo.

5. Deixe amornar por cerca de 20 minutos antes de desenformar. Se conseguir esperar, deixe esfriar totalmente antes de servir, para que os sabores se intensifiquem. Pode ser guardado num pote fechado e fica ainda melhor de um dia para o outro. Sirva com mel por cima.

bolo umido de mel 2

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4 Resultados

  1. Opi Matoaka disse:

    Deus, não consigo parar de ler! As crônicas são excelentes, as receitas são de dar água na boca e as fotos parecem ter vida própria. Tudo de primeiríssima qualidade!

  2. Wair de Paula disse:

    Adoro este bolo, e embora não seja judeu, gosto de presentea-lo aos amigos. Costumo encomendar na ZDeli, em SP, as este ano acho que tentarei fazer – a receita promete. Abraços!

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