Um papo com o Papai Noel + Torta de maçã francesa

Sempre que vejo esses homens vestidos de enchimento vermelho e barba falsa nos shoppings, fico tentando me lembrar de quando eu acreditava em Papai Noel. Esse é um exercício que acontece sempre nesta época do ano, pois não consigo aceitar que fui uma criança sem crença nessa figura mística. Minha mãe diz que eu acreditava, sim, mas não me lembro de ter escrito para ele ou aguardado sua chegada.

Não é uma questão de memória fraca: como já deu para perceber pelos textos que posto, meu reportório de lembranças é extenso. A única que guardo do Papai Noel aconteceu enquanto passeava no shopping com minha mãe, que sugeriu que eu fosse até o senhor de cetim pedir o meu presente. Eu devia ter uns 6 ou 7 anos e achei aquela sugestão estranha, pois de alguma forma eu já sabia que meus presentes eram comprados pelos meus pais.

Mesmo assim, fui lá. Ele me sentou no colo e começou a conversar com um tom de voz desanimado:

– E você, querida, o que vai querer que eu te traga no Natal?
– Eu queria uma Super Massa da Estrela.
– Ah, legal. Vou ver o que posso fazer. Mas é só isso? Não quer pedir nada mais?
– Não, acho que isso já está bom. Qualquer outra coisa que meus pais quiserem me dar, está bom também.
– Seus pais não, né. Sou eu que trago seus presentes.
– Olha, eu sei que você é só um moço vestido de Papai Noel, tá. Não tem como você trazer presentes para todas as crianças do mundo. E não tem jeito de você estar no shopping Del Rey e no BH Shopping ao mesmo tempo.
– Mas eu não fico nos dois ao mesmo tempo. Eu saio daqui e vou para lá. Eu tenho um poder mágico de ir de um lado para o outro muito rápido. É assim que eu consigo entregar os presentes para todas as crianças.
–  Como vocês faz então para conseguir bilhões de presentes diferentes?
– Eu tenho uma fábrica muito grande, muito maior que todas as maiores fábricas de brinquedos do mundo.
– Não tem como uma fábrica deste tamanho caber no planeta.
– Claro que tem. Lá no Pólo Norte tem muito espaço com todo aquele gelo.
– E como você sabe o endereço de todas as crianças?
– Pelas cartinhas que elas me mandam.
– E as crianças que não sabem escrever e que tem pais que também não sabem escrever?
– Aqui, mocinha, tem um monte de outras crianças na fila querendo conversar comigo, tá? Pergunta para a sua mãe que ela te explica.

Eu não precisava perguntar, porque sabia que tudo aquilo era balela. O mais engraçado é que até os 11 anos eu deixava todos os dias uma maçã no meu quarto para os duendes e até os 14 rezava às  2:20 da madrugada quando queria ajuda do meu anjo da guarda (esse era o horário que Haziel estava na Terra). Mas acreditar num ser que conseguisse produzir bilhares de presentes e se teletransportar  já era demais para mim.

***

Torta de maçã francesa

Para a sobremesa do Natal, em vez de sugerir algo que rende muito, queria uma receita menor e mais simples, que seria bom tanto para famílias pequenas quanto para levar numa ceia como convidado. Aproveitando que estou inspirada pela França esta semana, resolvi sugerir essa torta de maçã francesa, mais simples de fazer que as tradicionais americanas. Ela é perfeita sozinha, mas se quiser incrementar, sirva com chantilly e calda de caramelo.

torta de maçã francesa-2

Do chef francês Jacques Pepin, cuja receita está no livro “The Art of Simple Food”, da Alice Waters

Rendimento: 6 pedaços grandes ou 8 médios

Ingredientes

Para a massa

– 1 xícara (chá) de farinha de trigo
– ½ colher(chá) de açúcar
– ⅛ colher (chá) de sal
– 85 gramas de manteiga sem sal
– 3 ½ colheres (sopa) de água bem gelada

Para o recheio

– 4 maçãs verdes (do tipo Granny Smith)
– 1 ½ colher (sopa) de manteiga derretida
– 4 colheres (sopa) de açúcar
– Suco de um limão
– 2 xícaras (chá) de água

Para a calda

– Cascas e meios das maçãs
– ½ xícara (chá) de açúcar
– ⅓ xícara (chá) de água

Como fazer

Massa

1. Pique a manteiga em cubinhos e leve ao freezer por alguns minutos, até que esteja bem gelada (mas sem congelar).

2. No processador: pulse os ingredientes secos e a manteiga até que se forme uma farofa grossa e irregular (com pedaços do tamanho de uma ervilha; outros maiores, outros menores). Coloque a água gelada aos poucos e aumente o tempo da pulsada, até que vire uma massa. Trabalhe rapidamente a massa apenas para juntá-la, forme uma bola, achate para virar um disco, embrulhe em papel filme e leve à geladeira por 20 minutos. Sem processador: numa tigela grande, misture todos os ingredientes secos. Adicione a manteiga e, trabalhando rápido com as mãos, faça movimentos de “esfarelar” os cubinhos, até que se misturem com a farinha, ficando com a aparência descrita acima. Pingue água e vá mexendo com uma colher de metal até começar a formar uma massa. Despeje o conteúdo na bancada, junte numa bola e siga os passos acima.

3. Depois que a massa descansou na geladeira, polvilhe levemente com farinha uma superfície de trabalho e abra a massa com um rolo. Comece achatando o disco e vá fazendo movimentos do centro para as bordas, aliviando a pressão nas beiradas. Levante e rode a massa um pouquinho a cada movimento. Paciência é o segredo: continue até que a massa esteja mais ou menos com 30 cm de diâmetro Não tem problema se não ficar redondinha: a torta tem cara de rústica mesmo.

4. Transfira a massa para a forma de cerca de 22 cm e acomode os cantinhos, pressionando com os dedos. Deixe as beiradas para fora e volte para a geladeira, enquanto prepara o recheio.

Recheio

1. Preaqueça o forno a 200 graus.

2. Num recipiente grande, misture a água e o limão. Descasque e tire os caroços das maçãs, reservando essas partes em um recipiente. Com uma faca bem afiada ou mandoline, corte as maçãs em fatias de mais ou menos 0,5 cm e coloque-as de molho na água com limão.

3. Quando terminar de fatiar, escorra a água e disponha as fatias na forma em forma de leque, ou seja, com uma leve sobreposição. Dobre as pontas da massa para dentro.

4. Pincele as bordas e as maçãs com a manteiga derretida. Polvilhe 1 colher de sopa de açúcar sobre as beiradas de massa e outras 3 colheres sobre as maçãs.

5. Leve ao forno até que a maçã esteja macia e com beiradas douradas, assim como as bordas da massa (cerca de 40 minutos).

6. Enquanto a torta assa, faça a calda: junte os restos das maçãs com o açúcar e a água e deixe no fogo baixo por cerca de 25 minutos, até reduzir e ficar uma calda rala. Passe por uma peneira e reserve o líquido.

7. Quando a torta estiver pronta, deixe esfriar por pelo menos 15 minutos e pincele a calda por cima. Espere esfriar para partir e sirva em temperatura ambiente.

torta de maçã francesa-4

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1 Resultado

  1. 8 de maio de 2014

    […] – Torta de maçã Das duas que já fiz aqui, gosto mais dessa torta de maçã porque é rápida de fazer e não me sinto tão culpada depois de comer ela inteira, sozinha. É pequena, vai. […]

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