Os Descendentes + Smoothie de manga, hortelã e gengibre

Se eu fosse arriscar uma definição para o gênero cinematográfico “drama”, diria que é aquele em que o desenvolvimento do conflito de um protagonista está no centro da trama, sendo que isso é apresentando por meio de situações quotidianas, destacando a forma como o sujeito comum lida com as consequencias emocionais de suas ações.

É justamente porque a vida mundana está no centro do drama que acho um gênero difícil de se filmar. Corre-se sempre o risco de “pesar a mão” nos elementos emocionais e se valer de mais clichês do que deveria. Essas coisas fazem com que o espectador perca a conexão com a história, deixando de identificar nela elementos que valeriam também para a sua própria vida.

Nesse sentido, Os Descendentes é um drama puro e simples. É a história de um homem comum, Matt King, que está procurando acertar as contas com seu passado. Depois que a mulher sofre um acidente e está em coma no hospital, ele busca se reaproximar das filhas, enquanto precisa tomar uma grande decisão que irá influenciar toda a sua enorme família de irmãos, tios e primos.

Os simbolismos estão lá: um Havaí que não é feito só de praias e surfistas, mas que chove, fica nublado, tem trânsito e pobreza, mostrando que não só de dias ensolarados é feita a vida do homem. Uma ilha onde as pessoas estão interligadas e parece não haver para onde fugir, exatamente a forma como funciona uma família, já que é sempre preciso, em algum momento, lidas com as questões suscitadas pelos laços familares.

Todas essas metáforas, no entanto, são apresentadas de forma sutil, por assim dizer. A direção de Alexander Payne, já conhecido por filmar roteiros da busca do homem em tom de road movie, é quase impercepitível, permitindo que o espectador esqueça que está assistindo a um filme e comece a pensar sobre a sua própria vida.

Falta dizer ainda que George Clooney está sensacional no papel, dando a medida certa de emoção para os diálogos e protagonizando, já quase no final da película, quando Matt King está no hospital com sua mulher, uma das cenas mais emocionantes dos últimos tempos, por sua simplicidade e veracidade.

Eu saí do cinema pensando como as relações familiares são cheias de nuances e por isso tão complexas. E como o sentimento que temos pelas pessoas nunca possuem só um lado – só amor ou só raiva, como o cinema e a TV às vezes insistem em defender. Mas, principalmente, saí com muita vontade de largar tudo e ir morar no Havaí.

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Smoothie de manga, hortelã e gengibree
Essa conversa toda de Havaí, justo num dia tão quente quando ao que eu assisti ao filme, me deu a ideia de fazer essa bedida, que é bem refrescante. Isso aqui nem é bem uma receita; é mais uma dica de preparo.

Rendimento: 4 copos

Ingredientes

– 1 manga grande descascada e partida em cubinhos (use um tipo de manga sem fibras, tipo Tommy ou Haden)
– 1 copo de iogurte natural
– 2 colheres de sopa de hortelã fresco picado
– ½ colher de chá de gengibre fresco ralado
– Mel à gosto (usei duas colheres de sopa)
– Gelo

Como fazer

1. Bata a manga com um pouco de água no liquidificador até que vire um creme. Adicione o iogurte, a hortelã e o genbibre. Por último, coloque o gelo aos poucos. Adoce com mel e sirva.

2. Você pode também congelar o smoothie em forminhas de gelo e bater duas ou três porções com um pouco de iogurte quando quiser uma bebida gelada. Se batido com sorvete, vira um ótimo milkshake.

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