Essa felicidade de fruta no pé + salada de azedinha

Tá vendo os romãs bonitões lá no canto?

Dia desses estava andando perto de casa e me deparei com dois marmanjos jogando um rolo grosso de durex para o alto. Com essa ferramenta um tanto rudimentar, eles tentavam derrubar romãs gordos vermelhudos da árvore de uma casa. Parei ali para torcer por eles (e quem sabe ficar com uma rebarba), mas os dois não tiveram sucesso.

Fiquei pensando de onde vem essa satisfação de apanhar uma fruta, de comer algo na sua origem. Lembro da sensação boa de subir numa goiabeira e ficar escolhendo a goiaba que aparentava ter menos bicho para arrancar. De ficar com a boca lilás de tanto comer amoras. E das coisas comestíveis no jardim: azedinha, couve, hortelã, e porque não, tatu-bola (sei que tem gente aí que adorava a crocância de um tatuzinho).

Existe na gastronomia o movimento dos “coletores” ou “caçadores”, que procuram na natureza à sua volta os ingredientes para seus pratos. Essa é uma das tendências usadas no melhor restaurante do mundo (segundo ranking da revista Restaurant), o Noma. Lá come-se brotos de bétula colhidos no mato antes de começar o serviço. No Brasil, quem mostra lindamente como conhecer e usar as plantas perto de nós é a Neide Rigo.

Sem querer discutir os rumos que esse movimento está tomando na gastronomia, fico só com a certeza de que, para mim, existe sim um prazer diferente em comer algo tirado direto do chão, da árvore. Se isso tem a ver com instinto, ancestralidade, saudosismo, não saberia dizer. Só sei da felicidade que era comer aqueles moranguinhos selvagens que davam nos matos. Eles custavam a nascer e, por isso, ver um ponto vermelho no meio da folhagem era uma alegria danada. Ai, daria tudo para encontrar de novo um desses. Eram meus favoritos.

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Salada de azedinha (com amêndoas carameladas e molho de balsâmico, mel e laranja)
Essa azedinha é a do tipo selvagem, da família Oxalidaceae. É aquela florzinha parecida com um trevo que dá em muitos jardins no Brasil. Alguns acreditam que não se pode comê-la porque é tóxica, mas a planta faz mal apenas se consumida em grandes quantidades. Não confundir essa com a azedinha da espécie Rumex acetosa, que lembra um agrião.

Ingredientes

– 1 maço pequeno de azedinha (cerca de 3/4 de xícara)
– Meia manga tipo Tommy
– 1/4 de xícara de amêndoas (podm ser nozes ou castanha de caju também)
– 1 colher de chá de açúcar
– 4 colheres de vinagre balsâmico
– Suco de uma laranja
– 1 colher de chá de mel

Como faz

1. Separe as folhas dos talos da azedinha. Corte os talos em pedacinhos.
2. Pique a manga em cubinhos.
3. Num frigideira pequena,aqueça o açúcar até que comece a derreter. Jogue as amêndoas e mexa até que estejam carameladas. Reserve.
4. Numa panela pequena, coloque o vinagre balsâmico, mel e laranja. Deixe a mistura em fogo baixo até ferver e começar a reduzir, ficando com uma textura de calda.

Montagem: misture as folhas e os talos de azedinha com a manga, regue com o molho e salpique as amêndoas carameladas por cima. Leve à geladeira por cerca de 15 minutos e sirva.

A azedinha foi tirada do meu jardim


8 Resultados

  1. Arlete Rocha disse:

    Te garanto que desfruto desse prazer. Tenho um pé plantado em meu quintal frondoso e disputo com os passarinhos , além de ter plantado um de frente a minha casa.Hum que delicia.

  2. Claudio disse:

    Cuidado !!! Você está confundindo a azedinha Rumex acetosa (verdura ácida) com a Oxalis sp (trevo de jardim), que possui ácido oxálico, que é tóxico em altas dosagens, o mesmo que existe nas Diafenbachias (“comigo-ninguém-pode) !!!!!!!!!

    • marina maria disse:

      Oi Claudio, tudo bem? Na verdade não estou confundindo não: no início da descrição da receita eu explico a diferença entre as duas e digo que a toxidade da azedinha só acontece com a ingestão em grandes quantidades. O mesmo acontece com outros alimentos como o espinafre e brócolis, que também possuem concentração de ácido oxálico, mas são seguros para consumo em poucas quantidades. Um abraço!

  3. Ah, eu lembro de uma florzinha vermelha, bem pequeninha, compridinha. A gente tirava ela e tomava o melzinho que tinha entre a flor e o caule. Era uma delícia!! Adorei o post, Nina!! 🙂 Beijos!

  4. Taís disse:

    Minha recordação mais saudosa de frutas colhidas no pé, foi na época da escola. Existia uma árvore gigante de amoras no caminho entre a escola, minha casa e de meus amigos. Essa árvore não ficava na rua, ficava dentro de um cercado de uma propriedade particular. Um de seus galhos enormes passava sobre a cerca e ficava fazendo sombra na calçada. Esse galho a gente puxava tanto para conseguir as amoras maduras que chegou a quebrar (coitadinha da árvore). Quando não tinha mais amoras nele, a gente subia na cerca – que também acabou entortando com o passar dos anos. A calçada ficava roxa. Lembro de chegar em casa com os tênis manchados e ter que ouvir os berros da minha mãe. Que tempo bom!

    • marina maria disse:

      Taís, amoreiras devem ser as árvores que mais subi na infância também. Essas manchas era sinônimo de alegria né? E ficam marcadas na memória mesmo…

      Beijoca!

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