É engraçada a expressão “de novo”. Estritamente falando, se você está fazendo uma coisa de novo, significa que algo está sendo repetido, ou seja, não há nada de novo. Mas não é bem esse o sentido da expressão que, em latim, que dizer “do princípio” ou “começar mais uma vez”. O recomeço também é uma estreia, já que nenhuma ação pode ser exatamente igual à outra.
Comecei a pensar nisso quando me disseram que eu nunca faço mais de uma vez as receitas que posto blog. E isso é parcialmente verdade; realmente eu não repito constantemente as receitas daqui, mas refaço algumas, sim. De qualquer forma, admito que não sou dada à repetir coisas. Estou sempre caçando uma novidade. São tantos blogs, livros e revistas que minha lista de “receitas para fazer” só cresce. E a de “receitas para repetir” não evolui no mesmo ritmo. O problema é que sem repetição não há excelência, ainda mais na cozinha.
Minha avó sabia disso. Sabia cozinhar uns seis, sete pratos, mas eram todos absolutamente deliciosos, depois de anos sendo refeitos e melhorados. Isso eu só entendo hoje, porque quando criança achava bem chato. Toda ocasião era o mesmo frango, a mesma sobremesa. Quando íamos para sua casa no domingo, eu e meu irmão brincávamos de adivinhar o que seria o almoço. Um jogo meio irônico, já que o objetivo não era acertar, mas rir junto do fato de que ela não cozinhava coisas novas. Mais tarde fui descobrir que ela fazia, sim, novos pratos de vez em quando. Só que nos eventos especiais ela escolhia repetir aqueles com os quais se sentia segura, que tinha certeza que eram bons.
O fato é que tenho um certo medo da repetição, de cair na rotina, de deixar de arriscar. Mas lembrando dos almoços da minha avó, vejo que existe algo de bonito na refação, na regularidade. O “fazer de novo” para ela não era algo tedioso, mas um ato de aprimoramento. Pensando nisso, tenho cada vez mais repetido algumas receitas na minha cozinha, como essa que estou postando hoje. E ao longo desse caminho, percebo que o novo mais difícil de achar é aquele escondido na repetição.
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Tomatinhos confit
Esses tomatinhos são muito versátéis: podem ser usados em risotos ou como aperitivos, ou virarem um ótimo molho de massas e peixes. Os tomates crus e temperados também são um bom molho de macarrão para dias de calor ou de correria. Ao escorrer a massa cozida, deixe-a ainda úmida e quente, jogando-a em seguida nos tomates frescos . Misture bem e adicione mais azeite se preciso.
Ingredientes
- 500 gramas de tomates tipo uva (grape)
- 4 colheres de sopa de azeite de oliva
- 2 colheres de sopa de azeite balsâmico
- 1/4 de colher de chá de sal
- 1/2 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
- 2 galhos de manjericão ou tomilho
- 1 dente de alho grande com casca
Como fazer
1. Pré-aqueça o forno a 250 graus. Numa assadeira grande, coloque os tomatinhos e parta-os ao meio. Adicione os azeites, o sal e a a pimenta e misture bem com as mão. Aperte o alho com as mãos em uma mesa, apenas para amassá-lo um pouco (mantenha a casca). Junte os manjericão picado e misture mais uma vez. Coloque todas as metades dos tomates com a polpa voltada para baixo.
2. Leve ao forno por cerca de 40 minutos, ou até que os tomates murchem e fiquem queimadinhos nas bordas.
3. Se for serví-los como aperitivo, espere esfriar, tranfira para o recipente que for servir e jogue um pouco de azeite de azeite por cima. Se for fazer um molho para massas ou carnes, coloque a assadeira em cima de uma trempe do fogão e ligue no fogo baixo. Adicione um pouco de manteiga e alguma bebida alcóolica, como vodca ou vinho branco, e vá misturando com uma colher, desprendendo o tempero que fica grudado no fundo da assadeira. Quando o molho incorpar, desligue.

Se for usar o molho para uma massa, jogue o macarrão ainda quente e úmido na assadeira e misture para que ele absorva bem o molho.




