Sopa de couve-flor com bacon

O tempo entre o sol aparecer e sumir pode passar sem a gente nem perceber. É como se os dias fossem gêmeos, quase não dá pra notar a diferença entre eles. Minhas últimas semanas foram o oposto disso: parece que vivi um ano em um mês. O chão da cozinha ficou pronto, transformei uma porta em mesa, desfiz de quase todas as caixas (faltam seis), escrevi até meu computador estragar, comecei um diário, passei muitas horas organizando meu perfil no Pinterest, descobri o que é síndrome do ovário remanescente (minha gata teve) e membrana macular (meu pai teve), fiz uma viagem de supetão e – a parte mais louca de todas – acompanhei o nascimento de uma criança.

Essa história começou com um comichão. Há uns 15 dias, cismei que precisava visitar uma das minhas melhores amigas que mora em São Paulo e estava esperando um bebê. O neném viria só dali a umas duas semanas, então não corria o risco de ele nascer no meio da minha visita, mas é lógico que o universo não ia deixar por isso mesmo. No meu último dia lá, a bolsa dela se rompeu. Assim, de surpresa, Mathias começou sua estreia (e, por sinal, demorou horas para dar às caras no palco, fazendo uma entrada triunfal, com todo aquele drama típico de cancerianos).

Ela e o marido foram para o hospital e eu fiquei na casa deles, meio perdida, sem saber o que fazer. Então cozinhei. Resolvi deixar algumas refeições prontas no freezer para os primeiros dias com um bebê em casa, quando, dizem, é difícil até lembrar de fazer xixi. Entre uma sopa e um canelone, um pensamento não saía da cabeça: enquanto a gente vive a nossa vida de todo dia, mistura um molho, pica uma cebola, pra algumas pessoas está acontecendo o momento mais feliz, o mais triste, o mais especial, o mais louco.

No dia seguinte, a caminho da maternidade para finalmente conhecer Mathias, fui reparando naquilo de que é feito um dia comum, nessas repetições que fazemos sem perceber: o celular sempre no mesmo bolso, o mesmo jeito de passar na roleta, a mesma porta do metrô.

Quando cheguei e abracei minha amiga, senti que aquele dia já não andava mais em linha reta. Vivi o alumbramento dos momentos inéditos, mais ainda quando peguei o pequeno no colo e entendi que havia uma pessoa nova em folha na minha vida. Não conseguia desviar os olhos daquele serzinho; estava hipnotizada pela percepção de como a existência é mesmo esse ensopado de coisas triviais e extraordinárias, todas bem misturadas – e a gente mal sabe qual vai vir em cada colherada.

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Sopa de couve-flor com bacon

Essa não foi uma das sopas que fiz para a minha amiga (foi essa aqui, na verdade), mas ela serviria para o mesmo propósito: é fácil de fazer e congela muito bem. A adição do bacon é opcional, mas é que couve-flor e bacon nasceram para estar juntos. Ao fritar o bacon e usar essa gordura como base da sopa, adicionamos mais camadas de sabor ao resultado final.

Serve duas pessoas

Ingredientes

150g de bacon cortado em cubos
1 dente de alho
½ cebola picada
½ couve-flor grande picada grosseiramente, talos e floretes
¼ de colher (chá) de páprica (doce, picante ou defumada)
¼ de colher (chá) de noz-moscada ralada na hora
1 folha de louro
Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Como fazer

1. Aqueça uma panela no fogo alto. Abaixe o fogo e adicione o bacon, mexendo sempre, até que a gordura comece a derreter e a fritar os cubinhos. Se o seu bacon estiver com pouca gordura, adicione um pouco de azeite. Quando os cubinhos estiverem bem dourados, retire-os com uma escumadeira e transfira para um prato forrado com papel-manteiga.

2. Na gordura que sobrou na panela (o ideal é ter ficado uma duas colheres de gordura, então, se ficou muito mais que isso, retire o excesso e guarde para outra preparação), adicione a cebola e mexa bem até começar a dourar. Acrescente o alho, mexa até perfumar e, em seguida, a couve-flor picada, a páprica, a noz-moscada e a folha de louro. Jogue uma boa pitada de sal, acrescente água apenas até cobrir a couve-flor e tampe a panela. Deixe cozinhar por cerca de dez minutos ou até que a couve-flor esteja bem macia.

3. Transfira a couve-flor cozida para o liquidificador e acrescente metade do líquido que ficou na panela (descarte o louro). Espere esfriar um pouco e vá pulsando e acrescentando mais líquido conforme necessário, até conseguir um creme bem liso e aveludado. Se quiser deixar ele ainda mais fino e o líquido que ficar na panela não for suficiente, pode acrescentar água filtrada. Prove para acertar o tempero, lembrando de não colocar muito sal, pois o bacon já é bem salgadinho.

4. Transfira a sopa para as tigelas onde for servir, salpique o bacon por cima e aproveite. 😉

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5 Resultados

  1. Alice disse:

    Mas que boa sugestão, tenho que experimentar fazer! parabéns! bjs

    http://www.iguaria.com/

  2. Monica disse:

    Que delicia acompanhar um momento como esse!
    Fiquei feliz de saber que conseguiu acabar sua reforma… E já está curtindo a casa (e a cozinha!). Senti sua falta… Beijos

  3. Larissa disse:

    A sua narrativa é poética, sensível e bela… conheci o blog por causa de uma receita de pizza.. fiquei por causa das suas lindas palavras.
    A vida é assim mesmo… uma vida nova no mundo, o mundo inteiro diferente.