Biscoitinhos de brownie

O MoMa, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, tem um quadro de Monet chamado Water Lilies (vitórias-régias). O banco colocado no meio da sala onde fica a obra, dizem, tem a distância perfeita para que se possa ver, ao mesmo tempo, o todo e o detalhe do quadro.

Desconfio que é preciso essa mesma distância da terra natal e das pessoas do nosso mundinho para ver, simultaneamente, o todo e o detalhe de nós mesmos.

É só quando estou num mar de sotaques paulistas que percebo meu jeito diferente de falar, apesar do esforço de terminar todas as sílabas das palavras e usar menos diminuitivos. Vejo que é coisa mineira dizer “não” no final da frase, amenizando a negativa: “precisa não”, “quero não”. Quando a criança diz “lição”, percebo que falo “dever de casa”; “misto quente” no lugar de “tostex” e “passeio” em vez de “calçada”. Diante dos olhares confusos quando digo “arreda um pouquinho, faz favor” ou “agarrei no trabalho”, admito que meu esforço de não parecer de lugar nenhum é uma grande bobagem.

Somente longe dos meus pais vejo o quanto sou parecida com eles. E apenas com a distância dos amigos, noto quais são moradores e quais são locatários no meu coração.

É nessa lonjura que também entendo: saudade é animal selvagem. Não aceita comandos; aparece e some quando quer, traz e leva quem quiser. Surge enquanto sinto cheiro de biscoito assando, trazendo a brisa de sábado à tarde em BH para bem perto de mim, e logo some quando me distraio com o gato ou a chuva caindo nos prédios lá fora.

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Biscoitinhos de brownie

Achei engraçada a possibilidade de um biscoito ter gosto de brownie e resolvi testar para ver se era verdade. Acontece que não é só o sabor, tem algo da textura também, crocante nas beiradas e macio por dentro. Perfeito para uma tarde vendo Netflix. 🙂

Ingredientes

1 ½ xícara de farinha de trigo
¼ de colher (chá) de fermento químico em pó
½ xícara (100g) de manteiga
¾ de xícara de açúcar cristal
1 ovo
⅓ de xícara de cacau em pó
½ colher (chá) de extrato de baunilha

Como fazer

Preaqueca o forno a 180 graus e forre uma assadeira grande com papel manteiga.
Misture a farinha e o fermento em uma tigela.
Na batedeira, bata a manteiga, o açúcar, o ovo, o cacau e a baunilha até ficar cremoso e homogêneo. Junte a misture de farinha aos poucos, batendo apenas até incorporar.
Embrulhe a massa no papel filme e deixe na geladeira por pelo menos uma hora.
Abra a massa com um rolo em uma superfície enfarinhada. Corte no formato desejado, tirando o excesso de farinha com um pincel.
Leve ao forno por cerca de 10 minutos ou até que as beiradas estejam firmes e o centro ainda levemente macio. Retire do fogo, deixe amornar na assadeira por 5 minutos e transfira para uma gradinha para esfriar completamente.

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10 Resultados

  1. Que belo texto, senti sua saudade daqui!
    As vezes é necessário alçar voos mais distantes para percebermos o quanto nosso lar faz falta e o quanto somos privilegiados em conhecer novos lugares.
    Parabéns e que bom que voltou com pique total nos posts.
    Forte abraço Mari.

  2. Mariana disse:

    Oi Marina! Minha história é o contrário da sua: sou paulista mas moro em Minas há 7 anos (adoro)! Apesar de todo esse tempo, ainda falo com meu sotaque diferente do daqui e acho bacana mantermos nossas raízes, mesmo quando alguém acha graça de eu dizer “Boa TaRRde” com meu R do interior de SP. Continue usando passeio, agarrado, arreda, espicha, que além de muito fofo, te personaliza nesse mar de sotaques que é SP. E apresente a canjiquinha para os paulistanos porque é um pecado deixar alguém sem provar essa delícia que não temos aí!

    • Marina Maria disse:

      Ô Mariana, espero que Minas esteja te tratando com carinho! E você tem razão, o jeito que a gente fala é uma bagagem muito importante, que não devemos perder nunca. Já relaxei com isso – inclusive, já ouvi alguns amigos próximos dizendo “agarrei”! Eles estão se contaminando com meu sotaque! haha. Um beijo!

  3. Bárbara disse:

    Olá!
    Doida para testar a receita, mas qual é a medida de sal mesmo?

    • Marina Maria disse:

      Ei Bárbara! Na verdade não vai sal na receita: eu adaptei de uma que usava manteiga sem sal e 1/4 de colher de chá de sal, mas como usei a manteiga já com sal, não adicionei nenhum extra. Desculpe a confusão! Um beijo!

  4. Maria disse:

    Espero que a selva de pedras esteja te acolhendo com o carinho que merece uma mineirinha longe de casa. <3

  5. Monica Hering disse:

    Por incrível que pareça, eu aqui olhando pela janela um mar azul lindo num dia de sol no extremo norte do país… e com vontade de estar em SP!!! Não pela cidade, pelo frio ou pelo cinza, é claro! Mas pela distância que estou da minha filha… Saudade das pessoas queridas é algo bem difícil da gente se acostumar e administrar! Obrigada pelo lindo texto! Bjs