Gnudi

Muito antes de ter Chef’s Table no Netflix, a Vivi, minha amiga de São Paulo que adora programas de culinária e sabe usar batom vermelho como ninguém, me indicou a série “Simon Hopkinson Cooks”. Nela, Simon visita seus restaurantes favoritos, vê os chefs preparando receitas famosas e depois as reproduz em sua cozinha.

Fui assistindo aos episódios e me surpeendi. Não é que tinha um monte de comidas ali super possíveis de se fazer em casa?  Incluindo esse “gnudi”. A palavra quer dizer “nu”, em italiano, pois é como se fosse só o recheio do ravióli, sem a massa. Super fácil de fazer – algo que está virando raridade nesses programas. Como bem disse Michael Pollan, somos uma geração que passa mais tempo assistindo pessoas cozinhando na TV do que cozinhando. A mídia já entendeu isso, então diminuiu a oferta de séries ensinando receitas acessíveis e investiu em shows com competições ou chefs montando pratos mirabolantes. “Já que ninguém vai pro fogão mesmo”, devem pensar os executivos das emissoras…

Enquanto enrolava as bolinhas do gnudi e afundava cada uma em um deserto de semolina, pensei se eu me divertia mais cozinhando ou assistindo a esses programas. E me perguntei: por que raios eu gosto inclusive dos shows que mostravam pratos impossíveis de reproduzir em casa? Minha conclusão: hoje em dia assisto séries sobre comida mais por uma questão de entretenimento e, de vez em quando, pra ter ideias de menus, mas raramente pra achar receitas e nunca pra aprender técnicas. Foi-se o tempo que nossa rainha Nigella nos ensinava a fritar chocolate. Amiga, cadê você?

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Gnudi

Depois de fazer o gnudi seguindo a receita do Simon Hopkinson, testei também uma outra forma com farinha de trigo, pois ela é mais fácil de encontrar que a semolina. A conclusão foi: o gnudi passado na semolina e descansado de um dia pra o outro forma uma casquinha mais firme, que ajuda na hora de manusear. O feito na hora, na farinha de trigo, fica mais delicado e frágil. A variação de sabor é sutil, mas eu preferi o de semolina. Dos dois jeitos ele fica delicioso, então não se preocupe.

Serve 2 pessoas

Ingredientes

– 250g de ricota fresca amassada com o garfo (cerca de 1 xícara)
– 50g de parmesão ralado fino (cerca de ½ xícara)
– Noz-moscada ralada, sal e pimenta moída na hora a gosto
– Semolina ou farinha de trigo, o quanto baste
– Molho de sua preferência (eu usei o de tomates da Marcella Hazan, mas acho que ficaria ótimo na manteiga de sálvia ou na manteiga de ervas)

Como fazer

1. Coloque no processador a ricota e o parmesão. Tempere com uma pitada de noz-moscada e pimenta. Bata por cerca de 20 segundos, até virar uma massinha. Prove para acertar o tempero (eu não precisei acrescentar sal, mas isso depende da ricota). Se você não tem processador, junte a ricota, o parmesão e os temperos e trabalhe a mistura com as mãos, amassando até ficar cremoso. Você tem que conseguir formar uma bolinha de massa. Se a mistura estiver muito seca, junte um pouquinho de leite para dar liga.

2. Faça bolinhas com cerca de ½ colher de sopa cheia de massa.

3. Agora temos duas formas de prosseguir: com semolina, de um dia pro outro; ou com farinha de trigo comum, para fazer na hora.

Com semolina: Separe uma vasilha rasa que tenha tampa. Espalhe uma camada de semolina no fundo e disponha as bolinhas em uma camada só. Cubra com mais semolina, até que as bolinhas desapareçam, tampe e deixa na geladeira de um dia para o outro.

Com farinha de trigo: Em uma vasilha rasa, espalhe uma camada de farinha de trigo. Coloque as bolinhas e mexa o recipiente para que fiquem cobertas pela farinha. Leve à geladeira enquanto coloca a água pra ferver.

4. Ponha uma panela grande com água no fogo. Quando ferver, acrescente duas colheres de sopa de sal abaixe o fogo para médio. Transfira as bolinhas de massa para uma peneira e sacuda levemente para tirar o excesso de semolina ou farinha. Mergulhe a peneira delicadamente na água e solte os gnudis na panela.

5. Distribua o molho no fundo dos pratos. Quando as bolinhas boiarem (leva cerca de dois minutos), retire com uma escumadeira e vá servindo direto nos pratos. Finalize com parmesão ralado e ervas frescas – eu usei orégano, mas é perfeito com manjericão também.

 

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7 Resultados

  1. Adoro o programa dele também! Ai, de uns dois anos pra cá aumentou tanto o número de programas de culinária que eu fiquei completamente perdida e bastante desatualizada… Acabo sempre recorrendo aos clássicos hehe. Ai, esse gnudi deve ficar tão bom <3 Vou fazer e te conto! Beijo, Marina Maria :*

  2. Suzana disse:

    Marina! Eu fiz um post sobre o Simon e sobre o gnudi dele lá no blog. Super amei a coincidência!
    Beijos

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