Mãe é uma luzinha sempre acesa

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Ilustração: Anna Cunha

“A minha mãe dizia-me: Valter tem cuidado, não brinques assim, vais partir uma perna, vais partir a cabeça, vais partir o coração, e ela estava certa, foi tudo verdade”. É, Valter Hugo Mãe, essa talvez seja a primeira grande lição que aprendemos na vida, a de que mães têm sempre razão – mesmo quando não têm. E são capazes de achar solução pra tudo. Se é problema de estômago, chá. Se é dor no corpo, arnica. Se o coração tá triste, colo. Se o dia ficou estressante, respiração profunda. Se a comida queimou, dá para comer só a parte de cima. Se a planta murchou, troca de vaso. Se a roupa rasgou, coloca um retalho por cima.

A mãe de Manoel Barros aparecia nos fundos do quintal para dizer “meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro”. E também falava que o menino ia ser poeta. Que ia carregar água na peneira a vida toda, encher os vazios com suas peraltagens e ser amado por seus despropósitos. A de Manuel Bandeira usava “inhos” em tudo que era pra ele: “o leitinho de neném”, a “camisinha de neném”… E o chamou assim mesmo depois de marmanjo, ele conta. “Enquanto ela viveu, foi o nome que tive em casa, ela não podia acostumar-se com outro. Só depois que morreu é que passei a exigir que me chamassem – duramente – Manuel”. Mesmo assim, o poeta continuou a usar diminutivos em seus escritos. A de Drummond tinha um grande defeito: não era eterna. “Fosse eu Rei do Mundo”, ele escreveu, “baixava uma lei: mãe não morre nunca. Mãe ficará sempre junto de seu filho. E ele, velho embora, será pequenino, feito grão de milho.”

A definição da Anna Cunha, uma ilustradora que adoro, é a minha favorita: “mãe é uma luzinha sempre acesa”. Lembro de uma história que a minha contou sobre uma viagem que fez com meu pai. Ele saiu para pescar e, quando a noite caiu, ela não ouviu nenhum sinal do barco voltando. Pensando que ele poderia estar perdido, já que no meio do mato a luz é só da lua, ela acendeu um lampião e ficou esperando na beira do rio. Foi assim que ele conseguiu achar o acampamento. E é assim também que eu sempre encontro meu caminho, quando a vida fica escura demais ou desvio da rota: graças à luzinha da minha mãe, me indicando sua presença, oferecendo um porto, iluminando qualquer breu.

***

Um beijo especial de dia das mães para as que são mães de sangue e de coração, para as que estão no bairro ao lado e as que moram em outra cidade, estado, país ou mesmo no céu, e para os pais, tias, tios, avôs e avós que também são mães.  ♥

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10 Resultados

  1. Alan Alves disse:

    De fato, mãe é um porto seguro!
    Já disse que amo seu blog? Rsrsrs
    Parabéns mais uma vez.

  2. Erica disse:

    chorei!… só isso a dizer… se dizer mais, estrago sua poesia!… <3<3<3

  3. Roberta Mathias disse:

    PERFEITO! Obrigada por nos trazer novas dornas de dizer mãe eu te amo!

  4. Semíramis disse:

    Nina, adoro ler o que você escreve, pois a ternura contida em cada palavra se destaca. Adorei a homenagem! Mãe é tudo isso mesmo. Beijos. Mirinha

  5. Camila Mimi disse:

    me debulhando em lágrimas! qnta lindeza e delicadeza poética… <3

    bjo querida

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