Abóbora assada com cebola roxa, molho de tahine e za’atar

1) O primeiro cd do Black Keys 2) o jeito de limpar o teclado com post-it  3) comida árabe. Essas são as coisas que eu deveria ter descoberto mais cedo na vida. Tirando quibe e esfiha, que inclusive se encaixam mais na categoria “comida de festa de criança”, demorei muito para experimentar hummus, babaganouche, tabule, za’atar, coalhada, kafta… Não deve ter nem quatro anos que provei esses pratos pela primeira vez. E foi na Coisas D’Hana, um empório e lanchonete árabe do Mercado Central de BH.

A história da Hana, dona da loja, é muito interessante: ela é de Haifa, cidade de Israel, mas foi no Líbano que se casou e teve filhos. Saiu de lá em 76, fugindo da guerra civil, passou por São Paulo e chegou em Belo Horizonte, onde se apaixonou pelo Mercado. Inicialmente ela abriu um restaurante, há mais de 30 anos, e depois decidiu mudar para o modelo de delicatessen. Quando não é ela quem está na loja, geralmente no caixa, quem comanda o lugar é a filha Amine.

Estava lá outro dia comendo um sanduíche de pão sírio e fui dando uma olhada nas prateleiras, vendo quantos ingredientes nunca tinha experimentado, tipo água de rosas e folha de uva. O que me deixou encucada foi que talvez o mais comum deles, o tahine, (pasta de gergelim), eu nunca tinha comido puro. Na minha cabeça, tahine tinha gosto de hummus. Precisei comprar uma latinha para descobrir que não: tem um amargor bem levinho e um gosto meio amendoado. Quando misturado com mel, vira uma pastinha super gostosa para comer no pão de manhã. E com alho, limão e pimenta, se torna um dos molhos mais gostosos que já fiz.

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Abobora assada com cebola roxa e molho de tahine

Abobora assada com cebola roxa e molho de tahine (3) Abobora assada com cebola roxa e molho de tahine (4)

Abóbora assada com cebola roxa, molho de tahine e za’atar

Já usei esse jeito de assar abóbora aqui, mas em cubos bem pequenos. Descobri, com essa receita, que assar em pedaços maiores também dá um ótimo resultado: a abóbora fica bem macia e adocicada. Não usei as castanhas porque não tinha em casa, mas tenho certeza que o prato ficaria uma delícia com elas. Ah, e o molho de tahine, minha mais nova paixão, dá para usar com outros legumes, em saladas, sanduíches…

Para 2 pessoas

Adaptado um nadica do livro Jerusalém, de Yotam Ottolenghi e Sami Tamim (sim, estou obcecada com esse livro)

Ingredientes

Para a abóbora assada

– 500 gramas de abóbora
– 1 cebola roxa pequena
– 2 colheres (sopa) de azeite
– Sal e pimenta a gosto

Para o molho

– 2 colheres (sopa) de tahine
– 1 colher (sopa) de suco de limão
– 1 ½ colher (sopa) de água
– 1 dente de alho pequeno
– Sal e pimenta a gosto

Para finalizar

– 1 colher (sopa) de za’atar
– 1 colher (sopa) de castanhas picadas (opcional – não usei)

Como fazer

1. Preaqueça o forno a 220 graus.

2. Retire o miolo da abóbora, descasque e corte em pedaços de mais ou menos 2cm x 6cm. Descasque a cebola e corte em gomos com cerca de 3 cm.

3. Coloque a abóbora, a cebola e o azeite em uma assadeira grande o suficiente para que haja espaço entre os pedaços de abóbora. Tempere com sal e pimenta, misture com as mãos, espalhe em uma só camada e leve ao forno.

4. Asse por 40 minutos ou até que a abóbora e a cebola estejam douradas e macias. Fique de olho, pois pode ser que a cebola fique pronta antes e você precise retirá-la da assadeira.

5. Para o molho, misture o tahine, o suco de limão, a água e o alho. Misture com uma colher até ficar homogêneo. Se ficar muito pastoso, você pode colocar um pouco mais de água para afinar. Tempere com sal e pimenta.

6. Quando a abóbora e a cebola estiverem prontas, espalhe o molho por cima, salpique com as castanhas (se estiver usando) e tempere com o za’atar. Sirva em seguida.

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7 Resultados

  1. Aline disse:

    Nunca havia pensado em utilizar o tahine assim! Fiz com umas batatas assadas e deus que coisa boa! Apaixonada! Esse foi um dos 30 hahaha

  2. Andreia Carvalho disse:

    Fiz esta receita, so não coloquei za’atar porque não tinha/não conheço. Ficou maravilhosa, comi tudo sozinha (ixi)…
    Obrigada por tantas inspiração Marina, bravo!
    PS: Fazia quase um ano que tinha comprado o tahine e nunca tinha usado, adorei com mel.

    • Marina Maria disse:

      Confesso que quando eu fiz também comi tudo sozinha, Andreia! Ah, mas é abóbora, né? Saudável. rsrs. Que bom que você gostou da dica do tahine com mel… e o za’atar você acha em casa de produtos árabes ou mesmo em supermercados maiores. Vale a pena experimentar, acho que você vai gostar. Um beijo!

  3. Alan Alves disse:

    Engraçado que quando nós saímos da faculdade de gastronomia, ficamos nos achando, acreditando que sabemos muito. Mas aí, com o tempo nos deparamos com esses livros de culturas diferentes, e vemos o quanto não sabemos de nada.
    Gastronomia é um mundo de possibilidades.
    Continue nos mostrando um pouco dessa cultura.
    Forte abraço.

    • Marina Maria disse:

      A cozinha é algo tão vasto que às vezes fico até meio perdida, Alan. Mas na maioria do tempo, acho maravilhoso ter tanta coisa que ainda não conheço – um mundo de possibilidades, como você bem disse! Um beijo!

  1. 10 de junho de 2015

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