Tudo passa, tudo passará

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Tenho uma amiga apaixonada por luzes no céu. De estrela a fogos de artifício, seu coração palpita por tudo que pisca lá no firmamento – e bate forte mesmo quando o assunto é aurora boreal. Em fevereiro ela vai para Tromso, na Noruega, na caça da tal cortina de cores. Com ela, aprendi que para conseguir ver o fenômeno, é preciso ir na época certa, enfrentar muito frio e checar o site da Nasa e a previsão do tempo todos os dias. E, mesmo assim, pode dar errado. Afinal, se tem alguém que está se lixando para nossos planos, esse alguém é a natureza.

Comecei a entender isso aos 8 anos, quando tive a maior dor de barriga da minha vida depois de comer muita seriguela verde. Foi preciso uma viagem de TRÊS HORAS (que é um tempo inifinito quando se é criança) até o sítio para descobrir que os grandes humanos da minha vida, meu pai e minha mãe, não eram capazes de fazer uma árvore amadurecer em dezembro. Nem eles, nem ninguém. Nem mesmo Einstein, meu pai garantiu. Achei um absurdo em pleno 1992 não existir um adulto que pudesse me ajudar a ter uma bacia de seriguelas vermelhinhas naquele momento – então fui lá e apanhei as verdes mesmo. (Corta para 2015, quando pesquisadores já descobriram como amadurecer frutas fora de época, e, quem diria, isso não é boa coisa.)

Daí a gente cresce e passa por dois momentos. O primeiro, de descobrir que não é só a natureza que está fora do nosso controle, mas os próprios acontecimentos da vida. O segundo, de entender que, se não é possível saber quando e como eles vão acontecer, uma certeza a gente tem:  de que serão passageiros. E isso na verdade é bom, significa que estamos em movimento. Sim, os momentos felizes vão passar, mas os ruins também. É reconfortante saber, por exemplo, que dor de coração partido tem hora para acabar, feito a aurora boreal ou a última leva de seriguelas.

(Será que ficaria cafona fazer uma tatuagem com essa frase da música do Nelson Ned? Queria tatuar em um local bem visível, tipo na nuca, feito mantra; e, de quebra, para quem estiver atrás de mim no elevador ficar com essa música na cabeça o dia todo. “E nada fica… nada ficará…”)

 

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8 Resultados

  1. Marina Maria, tu tem o dom da palavra <3

  2. Camila Mimi disse:

    Encantador o texto e veio na hr certa. 🙂 Sempre q leio seus textos, fico com aquele gostinho d quero mais, mais e mais!

    Parabéns querida.

  3. débora disse:

    Delicinha de texto!

  4. Marcele disse:

    Gostei da ideia da tatoo! Não achei brega! Muito bom texto! =)

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