Por um Natal mais leve: Farofa de panko e três limões

Por um Natal mais leve, parte 2: Mais leve nas obrigações sociais

Era véspera de Natal, eu tinha uns 10 anos e não sabia mais o que fazer pra enganar o tempo. O dia 25, com seus presentes desembrulhados e brincadeiras na rua, parecia mais longe do que a volta às aulas. Sentada com meus vizinhos na calçada da esquina, jogávamos uma, duas, três partidas de Jogo da Vida, com a certeza de que o relógio estava fazendo hora com a nossa cara. Da casa da Tati, saía um cheiro de cebola refogada na manteiga. Parecia o início de uma farofa.

“Não, com certeza não é farofa”, ela disse de cara emburrada, enquanto movia seu carrinho pelo tabuleiro. “Depois do ano passado, minha família proibiu farofa na ceia. Deu a maior briga porque um queria com moela, outro com bacon, tinha uns primos que odiavam cebola, uma tia queria pôr abobrinha…”

O Natal tem um talento especial para criar picuinhas – e não só entre as famílias. A pressão social do final de ano, onde o verbo “tenho” aparece mais do que “quero” nas frases, é enlouquecedora. E qualquer motivo vira bode expiatório para desabafar o desconforto dessas situações em que somos obrigados a abraçar quem a gente não quer e dar satisfação da nossa vida pra quem não importa.

O que fazer então? Tentar, como a família da Tati, eliminar as fontes de picuinha? Ou, como eu sugeri pra ela naquele dia, dar um jeito de agradar todo mundo, fazendo uma farofa básica e servindo os ingredientes opcionais (bacon, moela, milho, cebola, etc) em potinhos separados? Não sei ao certo, mas tenho uma teoria: tem brigas e encontros que dá pra evitar, outros não. O segredo da leveza está em distinguir qual é qual.

Se tem um momento que pede por sabedoria chinesa, é o fim de ano. Então, falo pra mim mesma a frase de Sun Tzu:  “escolha suas batalhas”.

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Veja os outros posts do especial Por um Natal mais leve:

Introdução (Castanhas tostadas com alecrim e pimenta caiena)
Parte 1 – Mais leve na comilança (Dois purês – maçã e cenoura)

Farofa de panko e três limões

Farofa de panko e três limões-2

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Farofa de panko e três limões

Essa receita também dá certo com a farinha de milho ou de mandioca, mas se você é apaixonado por farofa, como eu, precisa experimentar o panko. Esse tipo de farinha de pão mais granulada é muito usado no Japão e deixa o resultado mais crocante. O bom dessa farofa é que ela é perfeita para ser servida assim, apenas com o perfume do alho e dos limões e a crocância do panko, mas também funciona como base para uma farofa mais elaborada, com outros ingredientes.

Inspirada na receita do Rodrigo Oliveira, do Mocotó, e na Tati, que só queria comer uma farofa na ceia.

Para quatro pessoas (ou duas, se forem loucas por farofa)

Ingredientes

2 colheres (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de azeite
2 dentes de alho picadinhos
2 xícaras de farinha panko
½ colher (chá) de raspas de limão-capeta (cravo)
½ colher (chá) de raspas de limão-siciliano
½ colher (chá) de raspas de limão-taiti
2 colheres (sopa) de ervas frescas picadinhas (tomilho, salsinha, cebolinha, orégano, etc – escolha as que preferir)
Sal e pimenta moída na hora a gosto

Preparo

1. Numa panela em fogo médio, aqueça o azeite e a manteiga.

2. Acrescente o alho e mexa rapidamente, apenas até perfumar.

3. Junte a farinha de panko e vá misture sem parar, por alguns minutos, até ficar dourada. Tempere com sal e pimenta

4. Retire do fogo e acrescente as raspas de limão e as ervas frescas. Misture e sirva.

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4 Resultados

  1. Hummmm!!!!! Parece ótima. Vou fazer, porque também sou do time que ama farofa.

  2. Conhecendo seu cantinho hoje! Parabéns, as receitas são ótimas, as fotos lindas e vc é muito alto astral! Adorei viu?! Bjooos.