Por onde comi – Nova York (Maio de 2013)

Eu sei, eu sei, este post está atrasado. Há tempos eu queria começar a escrever sobre as comidas dos lugares que já visitei, mas até hoje só falei da Serra Gaúcha, não sei muito bem por quê. Bom, antes tarde do que nunca, né? Então inauguro hoje uma nova sessão no blog: por onde comi!

Mesmo tendo passado mais de um ano e meio desde que viajei pra Nova York, resolvi começar por essas dicas porque muita gente me pede sugestões de onde comer na cidade. E também porque deu uma saudade de pensar sobre NY, meu amor maior, amor eterno <3

Vou dar algumas outras dicas gerais também, mas tenha em mente que elas são baseadas na MINHA experiência, tá? Sou um tipo de viajante que gosta muito de andar a pé, de fazer as coisas sem correria (afinal, estou de férias e quero acordar tarde rsrs), visitar museus, ficar de boa nos parques e conhecer os bairros mais residenciais. Não costumo fazer muitas compras e evito atrações mais turísticas, principalmente as que têm fila e ingresso.

POR ONDE COMI

… quanto se gasta pra comer?

É NY, né. O céu é o limite. Você pode se alimentar só de cachorro-quente e pizza de um dólar (aliás, tem umas pizzas dessas que são bem boas rsrs) ou jantar nos lugares mais famosos do mundo. De uma forma geral, achei o custo-benefício dos restaurantes bem melhor que em BH, onde pagamos caro por uma comida bem mediana. Eu diria que gastei uma média de 20 dólares por refeição individual, incluindo a comida, a bebida (não-alcoólica) e a gorjeta. Pra não pesar demais no orçamento, eu escolhia almoçar num lugar legal e só lanchar à noite, ou o contrário.

… Manhattan vs. Brooklyn

Com a valorização imobiliária de Manhattan, muitos restaurantes, bares, galerias e artistas se mudaram para o Brooklyn, uma região fora da ilha de Manhanttan. Isso trouxe uma outra vida pra região, que agora abriga a grande maioria dos lugares de comer novos e descolados.Tenho um amigo que mora em NY que costuma dizer que Manhattan é “velha” – não sei se conheço a cidade o suficiente para opinar, mas é fato que  a ilha não borbulha juventude como as ruas de Bushwick. Não me arrependi de ter ficado no Chelsea, pois acho que, para uma primeira vez na cidade, havia muitos passeios tradicionais que eu queria fazer. Mas quando voltar (e eu hei de voltar!), acho que me hospedarei no Brooklyn.

Resumindo: esse guia foi baseado nos restaurantes que fui em Manhattan, mas não deixe de conhecer o Brooklyn. Eu só tive tempo de andar pela Bedford Avenue, em Williamsburg, e comer um sanduíche de almôndega (muito bom por sinal) na Meatball Shop, mas tinha uma lista gigante de lugares pra conhecer. Vale pelo menos passar um dia lá e caminhar pela ponte no fim da tarde, em direção à ilha, pra ver o pôr-do-sol.

… uma dica geral sobre restaurantes

Almoçar costuma ser mais barato e mais vazio, então confira se o lugar abre pra almoço e dê preferência pra esse horário. Vários deles têm menus executivos, o que é um bom jeito de conhecer a comida sem pagar o preço do cardápio à la carte.

… o Mapa

Assim mesmo, em letra maiúscula, porque ele me deu um trabalhão e é meu xodó. Baseada nas dicas de amigos e de blogs que sigo, eu coloquei os lugares de comer que gostaria de conhecer em cada região. Não porque tinha a ilusão de ir em todos, e sim pra saber quais os restaurantes, cafés ou lanchonetes interessantes estavam na vizinhança que estava visitando no dia. O mapa foi só um guia: não deixei de arriscar lugares novos ou seguir dicas de moradores, mas ele me dava uma certa segurança de saber onde eu poderia comer em cada bairro.

Veja o mapa aqui.

… meus três lugares de comer favoritos

1. Chelsea Market – 75 9th Ave (Chelsea)

Não sei se é porque ficava do lado de onde me hospedei, mas é de onde sinto mais saudade. É um mercado fechado cheio de lojas legais (inclusive uma ótima de utensílios de cozinha) e comidinhas deliciosas. O ambiente é informal, feito para um almoço ou um lanche rápido. Meus favoritos eram o Friedman’s Lunch (comi umas quatro vezes o sanduíche de BLAT, com bacon, alface, abacate e tomate, e adorei também o mac’n’cheese), Dickson’s (um açougue como nunca vi aqui no Brasil que, além de vender carnes orgânicas tão vermelhas quanto as de um desenho animado, tinha ótimos sanduíches), qualquer coisa de lagosta no The Lobster Place e o queijo quente na Lucy’s Whey. O brownie da lojinha Fat Wich também vale a pena.

2. Bianca – 5 Bleecker Street (Nolita)

Bistrô italiano com uma comida sensacional e preços muito justos. Comi uma das melhores massas da minha vida por menos de 15 dólares. Vale chegar bem no início da noite, tipo 18h, ou mais pro final, lá pras 21h30, para evitar filas – lá não aceita reservas. Quando eu fui, também não aceitavam cartões, só dinheiro.

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No Bianca a comida é barata, gostosa e bem servida. Quer mais o quê?

3. Burger Joint – 119 W 56th St (perto do lado sul do Central Park)

Funciona dentro do hotel Le Parker Meridien. É preciso entrar no saguão do hotel e virar à esquerda num corredor escuro, com um sinal luminoso de hambúrguer lá no fundo. Ao entrar no lugar, parece se abrir outra dimensão: dentro daquele hotel de luxo funciona uma lanchonete meio tosquinha, com recados nas paredes, mesas de madeira e músicas de rock. Eles servem dois tipos de sanduíche: hambúrguer ou cheeseburger, sendo que você pode escolher se quer com alface, tomate, cebola, picles, mostarda, catchup e maionese. Tem também batata frita. E só. Por ser tão simples de pedir, eles esperam que a fila ande rápido, por isso tem uma regra: quem chega na frente do atendente sem saber o que pedir, perde o lugar e volta pro fim da fila. Podia ser assim nos Subways daqui, né?

Olhando assim você não dá nada pro hambúrguer (vejam minha cara inicial de desconfiança), mas depois de comer... é só amor <3

Olhando assim você não dá nada pro hambúrguer (vejam minha cara inicial de desconfiança), mas depois de comer… é só amor <3 Você até esquece que o lugar tá cheio e meio quente.

Eu sou muito fã de hambúrgueres simples e sinceros, sem muita invenção de moda, por isso me apaixonei por esse. Ele tem a carne muito suculenta e saborosa, o pão é macio na medida certa e o sanduíche não desmonta quando você come com a mão (não gosto de comer hambúrguer de garfo e faca). As batatas são “de verdade” (e não congeladas) e bem crocantes. Tudo lindo. Êta, saudade.

… outros lugares de comer que valem a pena:

-variado:

*Colicchio & Sons Tap Room – 85 10th Ave (Chelsea)

Este é o restaurante do Tom Colicchio, juiz do reality show Top Chef, e foi onde escolhi para gastar um pouco mais. O menu do almoço, horário mais barato, é 32 dólares com entrada e prato principal ou prato principal e sobremesa. O cardápio muda toda semana e dá pra conferir no site. Valeu cada centavo – foi um dos melhores patos e das melhores sobremesas que já comi.

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Nunca esquecerei a descrição dessa sobremesa: sorvete de mel queimado e de marshmallow tostado com amendoin caramelizados e pizzelles. Também conhecida como *felicidade*

-oriental

*Momofuku Ssam Bar – 207 2nd Ave (perto da Union Square)

Esse é um dos restaurantes da rede do David Chang. É o mais casual, talvez, mas tem a mesma proposta de comida chinesa/coreana. Fui no almoço e estava bem tranquilo, mas costuma encher no happy hour. Comi um pato assado com arroz e cebolas crocantes e um sanduíche de pão chinês com porco, ambos deliciosos.

– mais hambúrgueres (sim, é um vício):

*Burger and Barrel – 25 W Houston (perto do Washingon Square Park)

É tipo um pub americano, mas do jeito hipster de ser de NY. Fui pra comer o hambúrguer e deu vontade de experimentar todo o cardápio, principalmente as opções de brunch. O burger era caro, tipo 15 dólares, mas foi um dos melhores que comi por lá.

*Shake Shack

Um fast-food que existe em vários cantos. Os dois mais famosos ficam perto do Museu de História Natural e do MET. Para um fast-food, o hambúrguer é BEM gostoso. Bem gorduroso também, mas né – a gente sabe que gordura dá sabor pras coisas.

-doces

*Levain Bakery – 167 W 74th (perto do Museu de História Natural)

Uma padaria que funciona em uma portinha e vende cookies gigantes, com cerca de 150g cada. Não tem lugar pra sentar: é comprar e sair comendo na rua. Só de lembrar do cookie com gotas de chocolate e nozes, dá vontade de chorar: ele tem o exterior bem crocante e por dentro é molinho; e como está sempre fresco, vem com o chocolate derretendo. É o melhor do universo.

olha. o. tamanho. desse. cookie

olha. o. tamanho. desse. cookie

*Momofuku Milk Bar – 15 W 56th (perto da Union Square)

Fica próximo ao Momofuku Ssam Bar, que indiquei acima, e tem doces bem inusitados. É uma portinha que pode quase passar desapercebida, então fique atento. Eu comi uma torta chamada “crack pie”, que não dá pra saber exatamente do que era, mas estava deliciosa.

 

PARA ALÉM DA COMIDA

… dicas pra facilitar a vida

– estudar o mapa de Manhattan ajuda a entender quais são as principais vizinhanças e o que fica onde. A lógica geral é bem fácil: a ilha é longa. As avenidas cortam a ilha verticalmente e as ruas horizontalmente. Ambas são identificadas por números. A quinta avenida divide a ilha mais ou menos no meio. As ruas do lado esquerdo têm a letra W na frente, e, as que ficam do lado direito, a letra E. Então, os endereços normalmente usam essas duas referências, por exemplo: W21st, entre 9th e 10th. Isso significa que você está na rua 21, no lado oeste (West), no quarteirão entre as avenidas 9 e 10. Ah, e quanto maior o número das ruas, mais ao norte você está. Já o número das avenidas cresce da direita (Leste) pra esquerda (Oeste).

– vale também dar uma olhada no mapa das áreas principais de Manhattan, que funcionam como bairros. Cada um tem um estilo diferente: Soho e Tribeca, por exemplo, são bairros jovens e ricos, com muitas lojas de moda e restaurantes hypados. Lower East é mais boêmio. Upper West é rico do tipo tradicional, quase aristrocático. Chelsea é um bairro jovem descolado, com um público grande de gays e várias galerias de arte. E por aí vai…

– entender o mapa do metrô e ficar atento aos cartazes nas estações que avisam quais linhas não vão circular em determinados dias é essencial. Existe uma diferença entre o metrô Local e o Express: no mapa, os do tipo Local param em todas as estações, já os Express param apenas naquelas que possuem conexões.

– para calcular a gorjeta nos restaurantes, eu costumava dobrar o valor da sales tax, que é de cerca de 8% e vem discriminada na conta. Ficava mais fácil fazer o cálculo assim e significava que estava dando 16% de gorjeta, o que é o normal. Em lugares onde tinha sido muito bem atendida, costumava dar mais. Então, em cima do preço que está no cardápio, ainda vai ter 8% de sales tax e mais o percentual de gorjeta. Por exemplo: se na conta a sales tax era de 5 dólares, eu deixava 10 de gorjeta. Fique esperto que isso encarece tudo – quase 25% a mais. Ah, e isso vale só para os lugares em que você é servido na mesa.

– para dar a gorjeta em dinheiro, você entrega a conta com a grana do valor total e eles sempre vão te trazer o troco inteiro. Desse troco, você calcula o que vai deixar de gorjeta, põe na mesa e vai embora. Ou então você faz um conta do que dá a conta total + gorjeta, deixa tudo em cima da mesa de uma vez e vai embora. Por isso é bom ter uns dinheiros trocados.

– para dar a gorjeta no cartão, quando chegar a conta, você entrega o cartão – ou pede ao garçom pra passar o valor específico, se estiver dividindo com alguém – sem incluir nessa conta a gorjeta. Parece estranho, mas quando ele voltar com o seu cartão e notinha para você assinar (não tem essa de trazer a maquininha e digitar a senha – pelo menos não rolou comigo), existirá uma linha denominada “tip” para você preencher com a gorjeta. Você preenche, deixa a notinha na mesa e vai embora. O garçom, que tem os dados do seu cartão que ele acabou de passar, vai repassar pra operadora o valor que você deixou de gorjeta pra dele, depois que você for embora. É assim mesmo, meio esquisito, principalmente pra mineiros desconfiados, mas todo mundo faz assim e eu não tive problemas. Se preferir, dá pra pagar a conta toda no cartão e deixar a tip em dinheiro também.

– nos táxis, eu dava 10% de gorjeta (e dizem que eles ficam muito putos se não rolar – não arrisquei pra saber).

… o parque escondido que vale a pena ir

O High Line Park (aquele parque suspenso construído na linha antiga de um trem) e o Central Park (aquele famosão) são muito legais, mas se tiver tempo, vá até o Riverside. Ele é um parque estreito que fica de frente para o Hudson River, é ótimo para curtir o dia e ver o pôr-do-sol.

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… a rua onde NÃO fazer compras

Qualquer uma na região da Penn Station, pois ali tem todas as lojas que você encontra na cidade inteira (Forever 21, GAP, Zara, Sephora, Victoria’s Secret, etc), só que as de lá estão muito lotadas de turistas enlouquecidos. Vale, talvez, pela curiosidade, dar uma passada na Macy’s, só pra ver como é uma loja absurdamente gigante.

… uma loja que vale a pena e ninguém te conta

Pelo menos pra mim, a JC Penney’s é muito melhor do que as outras multimarcas e mais vazia. Encontrei muitas roupas e acessórios com ótimos preços.

… o truque para pagar menos no Museu de História Natural e no MET

Esses museus têm uma política de que você pode pagar o quanto quiser para entrar. O valor da entrada é só sugerido. Você pode chegar lá com dez dólares na mão e falar “quero duas entradas, por favor”. Ninguém te olha feio – é super normal. Nem precisa se sentir mal, porque esses museus recebem milhões de investimentos de iniciativas privada e públicas, então eles não precisam do seu dinheiro rsrs. Eu paguei 10 dólares pra cada museu.

Se você não gosta muito de museu e quer ir em só um, recomendaria o MET, porque lá tem coisas para todos os gostos. A ala egíptica é incrível, tem tumbas e sarcófagos reais.

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Se você adora arte moderna, vá ao MoMa. Lá tem que pagar a entrada cheia, mas achei que valeu a pena.

O Museu de História Natural é legal, principalmente pra quem curte ciência, mas ainda prefiro mil vezes o MET. Fora os dinossauros e a parte que mostra a evolução da escrita, não lembro de muitas coisas que me impressionaram no de História Natural.

***


Esse foi o meu roteiro! Se você esteve em NY recentemente e pode atualizar alguma informação que passei, por favor o faça! Ah, e também quero saber quais são seus lugares de comer favoritos na cidade. O objetivo é que este post aumente com o tempo, conforme eu vá recebendo as dicas de vocês! <3

4 Resultados

  1. Eloisa disse:

    Ainda… você está lindinha na foto! <3

  2. Eloisa disse:

    Oi Marina, que ótimo este post! E eu que achava que o único lugar onde um dos melhores sanduíches se come num açougue era o Rio de Janeiro! É o Talho Capixaba – veja o nome! – e fica no Leblon, você deve conhecer.
    Beijão, Eloisa.

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