Por que queremos tanto a Paçoquita Cremosa?

Se você não sabe do caso da Paçoquita Cremosa, vou dar um resumo rápido: é uma paçoquinha de passar no pão. Ou uma manteiga de amendoim com gosto de paçoca, seja lá o que isso quer dizer. Ela seria lançada no dia 1º de julho, mas só foi dar o ar da graça nos supermercados na semana passada – e ainda assim só uns gatos pingados conseguiram comprar. Nesse meio tempo, milhares de pessoas postaram reclamações em seus perfis do Facebook, na página oficial da Paçoquita e até no Reclame Aqui. Eu não cheguei a esse ponto, mas fiquei decepcionada de não conseguir encontrar a dita cuja de um jeito mais fácil. E vendo essa movimentação toda sobre o assunto, comecei a me perguntar: por que a gente quer tanto a Paçoquita Cremosa?

Bom, “a gente” não quer dizer todas as pessoas que conheço. Na verdade, parece que só um grupo – a minha geração dos anos 80/90 pra ser específica – realmente entrou nessa busca enlouquecida pela Paçoquita. E, para explicar isso, tenho duas pistas.

A primeira é que faz muito tempo que não vivíamos a situação de querer uma guloisema que não dá pra encontrar no supermercado. Desde a metade dos anos 90 não dependemos mais do tio que vai pro Paraguai pra conseguir comer toblerone ou bubble tape. Por isso sentimos uma mistura de irritação (como assim não consigo achar um produto BRASILEIRO pra comprar, se até queijo holandês tem no mercado?) com fissura por aquilo que é raro (o chiclete de fita nem era tão bom assim, só era difícil de encontrar).

A outra hipótese é que a Paçoquita Cremosa despertou a criança em nós. Não só porque a própria paçoquinha é um símbolo de infância, mas porque a versão cremosa parece um produto que estaria no armário de casa anos 80, junto com amendocrem, nucita, nescau e ovomaltine. Seria o tipo de acompanhamento ideal para assistir Sessão da Tarde ou lanchar durante um trabalho em grupo, no intervalo entre a construção de uma maquete e a criação de um cartaz na cartolina rosa.

Claro que essa onda de nostalgia da minha geração não é novidade – as empresas já descobriram isso há tempos, relançando chocolates daquela época, bandas daquela época, programas daquela época… Muita gente já deve ter analisado por que queremos essa volta no passado, mas vou de novo dar meu pitaco: acho que sentimos saudade de viver uma vida menos séria. Para a geração que foi criança ou adolescente nos anos 80 e 90, ficar à toa era algo normal. Tinha a escola, no máximo uma aula de inglês, e de resto era ver TV, passar a fase da água do Sonic, colecionar papel de carta, essas coisas. A distância entre essa realidade e a da vida adulta nos anos 2000 é grande. Veio a pressão para preencher todo tempo livre com atividades. Trabalho e vida pessoal viraram a mesma coisa. Hobby passou a ter que dar dinheiro.

Então não acho exagero dizer que estamos atrás da Paçoquita Cremosa para resgatar esse tempo onde as coisas pareciam mais simples, mais divertidas. Eu ainda não provei a danada para dizer se ela é tao boa quanto a expectativa, mas talvez o gosto não seja mesmo o que mais importa sobre ela…

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10 Resultados

  1. Heloisa Lupinacci disse:

    Eu experimentei a Paçoquita cremosa e tenho uma teoria sobre ela, BEM pessoal. É assim: se você cresceu nessa época no Brasil provou primeiro paçoca e depois pasta de amendoim. Eu, no meu caso, só fui provar pasta de amendoim quando viajei pros EUA. E achei ruim, porque provei querendo que fosse uma paçoca cremosa, mas era pasta de amendoim (sem aquela loucura de doce-salgado que a paçoca tem). Lembro que fui perguntar pras pessoas do hotel como elas faziam seus sanduíches de pasta de amendoim (eu tinha passado no pão e mordido) e todas me disseram que passavam pasta de amendoim e geleia, porque a pasta de amendoim não é doce. Daí que eu achei aquela pasta meio sem graça e nunca mais quis saber dela. Mas isso aí ficou congelado na memória com um “não gosto de” na frente de pasta de amendoim. Pois bem, quando anunciaram a Paçoquita cremosa e a consequente dificuldade de encontrá-la, eu pensei: ah lá, agora vão conseguir hypar aquela droga de pasta de amendoim. Bom, apareceu uma aqui esses dias e eu provei. Que caras espertos. A Paçoquita cremosa é exatamente o que eu queria que a pasta de amendoim fosse quando era criança e provei pasta de amendoim pela primeira vez. Agora estou querendo fazer um comparativo Paçoquita cremosa-amendocrem, porque pode ser que o amendocrem já fosse isso. Mas na minha memória de infância não era.

    • marinamaria disse:

      Helo, isso que você falou faz todo sentido. Eu também não gostei de pasta de amendoim quando provei na adolescência, na primeira viagem pros Estados Unidos. Não tive essa clareza de que era porque não parecia paçoca, mas achei sem graça, sei lá. Pouco doce. Eu provei ontem a paçoquita cremosa e ainda não tenho opinião formada…haha. A única certeza é que o gosto provou minha teoria de que é algo que pertence aos anos 80, mas foi lançado agora. A ideia da comparação com Amendocrem é ótima, vou roubar. rs

  2. Oi Marina,
    Tudo bem?

    Adoramos o seu post e a maneira como você acrescentou tanto sentimento bom à Paçoquita. Obrigada! A Paçoquita Cremosa é mesmo uma delícia, temos certeza que quando provar você vai adorar!

    Gostaríamos de salientar que existem algumas burocracias em relação a aprovação do produto em redes de grandes supermercados, o que atrasa a chegada da Paçoquita Cremosa nas gôndolas. Por isso que muita gente encontra o produto na lojinha de doces, em uma vendinha… Mas, os pontos de venda só aumentam, então muita gente já está comprando esta delícia! Confira aqui, oh: http://goo.gl/shJ1Mg

    Aproveite também para conhecer nossa fanpage! Lá você encontra dicas, receitas, novidades, diversão, curiosidades e muita gente com uma paixão em comum: Paçoquita! http://facebook.com/pacoquita

    Um beijo e sucesso,
    Equipe Paçoquita

    • marinamaria disse:

      Oi equipe da Paçoquita! Fico feliz que tenham gostado do post! E entendo a questão burocrática, mas espero que se resolva logo pra essa bendita chegar em mais pontos de BH! Do jeito que está, a disputa por um potinho está frustrante…rsrs. Um abraço!

  3. Gostei tanto do texto que queria ter escrito ele hehe (:

  4. Muito bacana o texto. Poxa! Entrei para ler sobre a Paçoquita “cabeça de bacalhau” cremosa e acabei voltando no tempo. ” Lanchar durante um trabalho em grupo, no intervalo entre a construção de uma maquete e a criação de um cartaz na cartolina rosa.” Lembro que a gente sempre escolhia a casa de algum colega mais abonado só para ter o melhor lanche. heehehehe. E construir maquetes era a minha especialidade, cada uma mais megalomaníaca que a outra, a hidrelétrica que tinha queda d´agua e luzes foi a melhor, pena que não existia foto digital na época.

    • marinamaria disse:

      Eu também adorava maquetes, André, principalmente se envolvesse fazer rios com gel de cabelo azul rs. Na minha turma, a gente sempre queria fazer trabalho na casa de uma amiga porque a mãe dela fazia uns lanches bem elaborados, sabe, com torta de frango e bolo de cenoura… Ah, adorei sua visita aqui! E pena mesmo que não temos fotos de nossas maquetes, a sua parece bem mirabolante 😉

  5. Danielle Noce disse:

    Muito bom o post! Eu experimentei e ela é relamente muito boa ;D

    • marinamaria disse:

      Oi Dani, que delícia receber sua visita aqui! =) Até agora só vi gente falando que é muito gostosa, mesmo. Infelizmente tá difícil achar uma sobrevivente no supermercado pra poder opinar! hehe. Um beijo!

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