Se a Nigella viesse pra jantar

Sempre acho engraçado quando as pessoas me apresentam como “chef” ou “gourmet” (ps.: não sou nenhuma das duas coisas). É uma escolha interessante: poderiam me apresentar como blogueira, jornalista, aspirante a escritora… Cozinhar é sim uma parte importante da minha vida, mas acho que essa atividade anda ganhando uma importância exagerada, principalmente com esse monte de programas de TV sobre comida e chefs famosos que atraem multidões por onde passam.

A gente fala sobre comida hoje como nunca se falou antes, é fato. E não sei se esse interesse crescente pela culinária é bom sinal, pois faz com que mais pessoas descubram a cozinha, ou se causa um efeito contrário, criando uma ideia de que cozinhar é uma atividade intimidadora, distante, realizada por celebridades.

Uma vez me perguntaram: você faria um jantar para a Nigella? E eu respondi na hora: “Claro!”. Bom, ficaria bem ansiosa e apreensiva, mas acredito que ela e todos os chefs e cozinheiros que admiro são gente como a gente. Independente do nível de técnica e conhecimento, todo mundo que gosta de comer opera de acordo com uma verdade universal: comida boa é comida boa. Seja bife à milanesa ou ravióli de lagosta.

É isso que tento explicar para os amigos que dizem ter medo de cozinhar pra mim – e olha que estou distante anos-luz de ser uma Nigella. Eles justificam o receio dizendo que só sabem fazer comida “normal”, presumindo que eu só como coisas incríveis e elaboradas todos os dias. Gente, o fato de eu estar  muito envolvida com o mundo culinário não quer dizer que meu paladar é “superior”, incapaz de gostar do arroz com feijão. Muito pelo contrário: aprendo todos os dias a valorizar o trabalho e a dedicação implicados na preparação de qualquer tipo de comida bem feita.

Pode parecer que estou dando um tiro no pé, já que estou no meu blog de comida dizendo que o fato de eu saber cozinhar não deveria ser tão louvado assim, mas na verdade meu interesse com esse espaço nunca foi defender que cozinhar é algo superior a escrever, pintar, tocar violão, reformar móvel, cuidar do jardim ou qualquer outra atividade.

Então é isso: não tem problema ser reconhecida por ser cozinheira, mas não precisa supervalorizar a coisa. E muito menos ter medo de cozinhar pra mim.  Quem fica quase sempre atrás do fogão, adora poder estar do outro lado, independente do tipo de prato que chega à mesa. Tenho certeza que isso vale para qualquer cozinheiro – até para a Nigella.

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2 Resultados

  1. Joice Santana disse:

    Perfeito seu texto…

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