Pão com coisa dentro + Massa rápida de pão

Na semana passada, inspirada por um post na página do Sal de Bolinha e no meu perfil pessoal, eu criei o tumblr “coisas estranhas que eu comia quando era criança”. Quando perguntei para as pessoas o que elas comiam de esquisito quando pequenos, vi que várias das lembranças envolviam pão: com toddy, açúcar, leite condensado, goiabada. Eu, por exemplo, colocava sorvete – e tinha que ser de pistache.

Isso me fez lembrar do diálogo que mais ouvi na vida entre minha mãe e meu irmão:

– Mãe, o que tem pra comer?
– Tem pão.

Ele ficava bravo com a resposta, pois minha mãe não entendia que a perguntava tentava investigar se havia algo “diferente” na cozinha. Pão era uma constante – na minha casa e imagino que na de muita gente também. Talvez por isso a gente tenha inventado tantas combinações com ele.

Fosse sorvete ou presunto, eu amava (aliás, amo até hoje) tudo que era “pão com coisa dentro”. Meu recheio favorito é carne moída, mas já foi hambúrguer frio, daqueles industrializados mesmo. Minha mãe fazia no dia anterior e eu levava isso de merenda pra escola. Pão de batata com hambúrguer frio – e mais nada. Vai entender.

Depois de adulta aprendi a comer as versões integrais, mas me recuso a tirar o trigo da minha vida. Quando fiz dieta da proteína, morri por dentro durante  três semanas sem nenhum pãozinho. E logo que desisti dessa loucura, lembro que comprei um pão de sal, passei manteiga, tostei na frigideira e comi com a boca boa, achando sensacional.

Às vezes a gente precisa ficar sem as coisas simples da vida para entender a beleza delas, né?

***

Massa rápida de pão

Quando vi essa receita lembrei do meu amigo João Renato, que não faz pão por não ter paciência de esperar todo aquele tempo entre etapas. Nessa receita, da mistura dos ingredientes ao pão na mesa se passam menos de duas horas. Apesar de não crescerem muito no forno, os pães ficam macios e bem saborosos. Gostei também que a massa é bem versátil: você pode usar recheios doces e salgados e desconfio que funcionaria para pizza. Agora não tem desculpa, hein, João?

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Ingredientes

– 1 colher (sopa) de fermento biológico seco instantâneo
– 1 xícara (chá) de água morna (lembrando: morna não é quente; é uma temperatura confortável de sentir com a mão)
– 1 colher (sopa) de açúcar
– 2 colheres (sopa) de azeite (se quiser fazer um pão com recheio doce, use óleo vegetal)
– 1 colher (chá) de sal
– 2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo (usei 1 ½ de integral e 1 xícara da comum)

Como fazer

1. Junte o fermento, a água, o azeite e o açúcar em uma tigela grande e deixe fermentar por uns dez minutos, até que surjam bolhas na superfície. (Se não aparecerem as bolhas, sua água estava quente demais, ou fria demais, ou seu fermento está ruim. O jeito é jogar fora e recomeçar.)

2.  Misture o sal na primeira xícara de farinha e adicione à tigela. Vá colocando o resto da farinha aos poucos, mexendo com uma colher grande. Quando ficar ficar pesado, transfira a massa para uma superfície enfarinhada e sove por uns oito minutos, até que a massa fique macia, porém úmida, grudando um pouco.

3. Use um papel toalha para limpar a tigela onde você misturou os ingredientes, unte levemente com azeite e coloque a massa do pão. Cubra com filme plástico e deixe fermentar por 15 minutos. A masa deve crescer, mas não necessariamente dobrar de tamanho (veja mais sobre o ponto em “dicas”).

Massa na primeira fermentação, ainda sem a farinha, e a segunda, pronta para ser modelada

Massa na primeira fermentação, ainda sem a farinha, e na segunda, já no ponto de ser modelada

4. Enquanto espera a fermentação, preaqueça o forno a 200 graus.

5. Trabalhe um pouco a massa e modele do jeito que preferir. Nessa hora você pode também recheá-lo. Eu fiz 6 pães para comer com “coisa dentro”: parti a massa em seis partes iguais, moldei um retângulo com cada uma, dobrei cada extremidade para o meio no sentido do comprimento e rolei sobre a bancada para arredondar um pouco.

6. Deixe os pães fermentarem por mais 15 minutos sobre uma assadeira levemente untada com manteiga ou azeite e coberta por um pano. Eu gosto de deixar a assadeira em cima do fogão, para aproveitar o calor que está saindo do forno.

7. Pincele levemente o topo dos pães com azeite e leve ao forno por 15 minutos ou até que o topo esteja dourado e, ao bater na casca como se batesse numa porta, saia um som oco. Eles não crescem tanto no forno, então não se preocupe. Deixe esfriar pelo menos dez minutos antes de servir, pois o pão precisa desse tempo para distribuir a umidade do centro para a crosta.

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DICAS!

– Na hora de sovar, eu gosto de deixar um recipiente de água do meu lado para umedecer as mãos enquanto trabalho a massa; isso ajuda a massa a ir desgrudando sem precisar usar farinha nas mãos, que poderia ressecar o pão.

– Saber quando a massa fermentou o suficiente demanda um pouquinho de experiência, pois aquela coisa de “dobrar de tamanho” é muito relativa. É importante sentir que a massa está leve, com ar dentro, e um pouco elástica. Existe um teste que costuma dar certo: umedeça as mãos e pressione a massa levemente com dois dedos, deixando uma marca. Se a marca desaparecer lentamente, está no ponto. Se sumir rápido, deixe fermentar mais tempo. Se ficar para sempre, está passando da hora de assar. Se a massa desabar ao toque, sinto muito, passou do ponto…

– Os pães são mais gostosos no dia que são feitos, mas é possível guardá-los em um saco fechado tipo ziplock fechado e aquecer rapidinho no forno na hora de comer.

– Outra opção é congelar depois de pronto. Basta embrulhar em papel filme e levar ao congelador. Na hora de usar, deixe descongelar e aqueça por uns cinco minutos no forno baixo.

– A quantidade de farinha necessária pode variar de acordo com a temperatura do dia ou com a marca da farinha que você está usando. Então vá colocando aos poucos.

– O clima do dia também impacta nos tempos de fermentação. Num dia quente, o pão cresce mais rápido, num dia frio, você vai ter que esperar um pouco mais.

– Infelizmente, por mais que eu dê todas as minhas dicas, fazer pão depende de experiência. É preciso confiar no seu feeling, pois é complicado explicar por escrito a textura da massa, por exemplo. Quanto mais você fizer, mais fácil vai ficar, eu prometo!

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2 Resultados

  1. Samarone disse:

    Oi Marina!!! Fiz a receita e os pães ficaram ótimos!!!
    Na primeira tentativa, creio que errei na medida da água, daí a massa desandou, foi uma loucura!!kkkkkkkkkkkk
    Mas na segunda ela ficou bonitinha, no ponto certo!!! Usei farinha de trigo normal, mas da próxima quero fazer com a integral!!!
    Bjão

    • marinamaria disse:

      Que legal que deu certo, Samarone! Pão tem uma coisa de feeling, por isso de vez em quando uma receita ou outra desanda ou precisa de mais testes. Ainda bem que foi de segunda :). Um beijo!

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