Amor amarelo + Panquequinhas de milho fresco

Desde o post da semana passada, quando falei da Kelly, a criança americana louca por mini-cenouras, fiquei pensando que não é tão estranho assim ser apaixonada por um vegetal. Pode ser difícil achar alguém que morra de amores por chicória ou chuchu, mas ser aficionado por tomate, por exemplo, é relativamente normal (Natália, estou falando de você).

Eu tenho um caso de amor com milho.

Nossos primeiros encontros aconteceram na praia. Entre chupar um picolé de limão e colar uma tatuagem de flor no braço, eu sempre corria atrás do carrinho que soltava o vapor mais cheiroso de todos. Foi em Marataízes que o milho protagonizou uma importante memória de infância: com uma dentada numa espiga, perdi meu primeiro dente de leite.

Lembro de olhar incrédula para o dente fincado no sabugo, chorar, ser acudida pela minha mãe, ir no mar bochechar para estancar o sangramento, voltar para a cadeira de praia e perguntar onde estava o resto do meu milho pra eu terminar de comer. (Um primo tinha jogado fora, com meu dente e tudo. Fiquei fula.)

Ao longo da infância estivemos sempre juntos: na porta da escola; nas espigas quentinhas que eu comia assistindo Sessão da Tarde; no molho do estrogonofe, que vinha sempre com um “extra” de grãozinhos amarelos só pra mim… Na adolescência, das grandes descobertas que fiz, ao lado do beijo na boca e da angústia existencial, estava a pizza de milho e bacon.

Por essas coisas da vida que não se explicam, nosso relacionamento deu uma esfriada na vida adulta. Os vendedores de milho sumiram. A nutricionista não permite cachorro-quente de rua. O vegetal da moda é alho-poró (ninguém vende quiche de milho, o que é uma pena). Ainda bem que minha mãe sabe do nosso amor e, às vezes, quando vou visitar, cozinha algumas espigas para mim.

O cheiro do milho fervendo acelera meu coração e me faz pensar que alguns amores são mesmo para sempre.

***

Panquequinhas de milho fresco

Estou apaixonada por essas panquequinhas. Por mim eu comia todo dia no café, almoço e jantar. Eu nunca tinha usado o milho cru para fazer nenhuma receita gostei muito, pois é um jeito mais rápido de usar o milho de espiga, que eu acho muito mais saboroso. Se você quiser usar o milho enlatado, no entanto, acho que não tem problema.

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Receita da Alice Waters, no livro Chez Panisse Vegetables

Rende 8 panquequinhas

Ingredientes

– ¾ xícara de fubá
– ¾ colher (chá) de bicarbonato
– ¾ colher (chá) de sal
– ⅛ colher (chá) de pimenta caiena ou calabresa
– 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal (25 gramas)
– ½ xícara (chá) de leite
– ½ colher (chá) de mel (usei açúcar mascavo)
–  2 espigas de milho médias (debulhadas vão render mais ou menos 150 gramas de milho ou 1 xícara)
– 1 gema + 2 claras

Como fazer

1. Misture numa tigela o fubá, o bicarbonato, o sal e a pimenta.

2. Com ajuda de uma faca afiada, retire o milho da espiga. Não precisa cozinhar a espiga, vamos utilizar o milho cru mesmo.

3. Numa panelinha, aqueça o leite com a manteiga e o mel (ou açúcar) apenas até que a manteiga derreta. Deixe amornar.

4. Adicione os ingredientes líquidos aos secos devagar e vá mexendo com uma espátula até incorporar tudo. Em seguida misture a gema e o milho.

5. Numa tigela completamente limpa e bem seca, bata as duas claras em neve até que fiquem firmes. Misture as claras ao poucos à massa, incorporando delicadamente, fazendo movimentos de baixo para cima.

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6. Aqueça um pouco de azeite em uma frigideira grande no fogo alto. Com ajuda de uma concha ou colher grande, faça montinhos de massa na panela, cuidando para que haja espaço entre um e outro. Deixe cozinhar por uns dois minutos, até que fiquem dourados no fundo e comecem a aparecer bolhas na superfície. Vire as panquequinhas e doure do outro lado, coisa de mais um minuto mais ou menos.

montagem panquecas

Dicas!

– Na hora de comprar o milho, procure por aqueles com os grãos mais claros, pois são mais macios.

– Se quiser servir as panquequinhas bem quentes, ligue o fogo baixo antes de começar a receita e, assim que as panquecas forem ficando prontas, coloque-as numa assadeira e deixe no forno.

– Algumas opções de como servir:

   *No café da manhã, com manteiga, geleia, mel ou requeijão. Fica uma delícia com um ovo pochê também.
* Como entrada num almoço ou jantar, junto com uma saladinha verde ou essa que fiz de tomates sem semente picados, cebola roxa e cebolinha temperada com azeite, limão, sal e pimenta.
* Com uma colherada de molho de tomates por cima, salpicada de queijo e levada por alguns minutos no formo.
* Em um piquenique, já que fica ótima em temperatura ambiente e é fácil de transportar.

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11 Resultados

  1. Você falou de mim! Nunca ninguém declarou ser tão normal minha paixão por tomate. Me sinto uma pessoa melhor agora – e mais chique, já que fui citada no seu blog haha. Eu gosto MUITO de milho. A paixão pode não ser proporcional à que sinto pelo tomate, mas tenho que confessar que poucas coisas na vida são tão boas quanto uma espiga de milho quentinha com a margarina derretente escorrendo entre os dedos e melecando tudo. Milho, pra mim, tem gosto de infância – e abençoado seja aquele que teve a ideia de colocá-lo no strogonoff. Amém.

  2. wair de paula disse:

    adoro milho – e milho cozido em casa não é igual ao milho cozido nos carrinhos da rua, não sei o porquê. estas panquequinhas devem ficar ótimas com guacamole para um drink, e no café de domingo, mais farto. seguramente entrarão em meu cardápio, obrigado!
    abraços. adoro seu texto, fluido, suave.

    • marina maria disse:

      Nossa, Wair, fiquei com vontade de tomar esse café da manhã aí! É uma ótima ideia mesmo. Sobre o milho nos carrinhos, também não entendo o que acontece. Por isso quando vejo um carrinho de milho, me sinto obrigada a correr atrás dele! rsrs. Um abraço!

  3. Juliana disse:

    Olha, achei que eu era a única no mundo que fosse apaixonada por milho. Fico feliz de ter encontrado alguém pra compartilhar isso. Me sinto menos abandonada nesse planeta gourmet e fino que negligencia o milho.
    Coloco milho em tudo que eu posso: na salada, no arroz, no bolo, no cupcake, na sopa, na pizza, no quiche, até no risoto. Por mim, milho seria rei. Quando termino de almoçar, cato os milhos que sobraram no prato. Nenhum ouro pode ser desperdiçado.
    As pessoas não entendem minha paixão por milho, mas acho que você entende, né, Marina? Vou fazer um post no meu blog sobre essa preciosidade também. 🙂

  4. julia dorigo disse:

    também aaaaaamo milho! vou fazer, com certeza

  1. 4 de abril de 2014

    […] explicadas e com boas fotos. As receitas geralmente são simples, mas fogem do lugar comum, como a panquequinha de milho fresco. Visite: […]

  2. 13 de maio de 2014

    […] – Panquequinhas de milho […]

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