Entre rã e o nhoque + Nhoque de ricota

O momento em que sento em um restaurante novo e pego o cardápio nas mãos é sempre cercado de muita expectativa. Neste dia, estava em um lugar que desejava visitar há muito tempo, a ansiedade era ainda maior, pois envolvia dúvidas que normalmente não tenho: será que vai ser caro demais? Refinado demais? Vou conseguir entender a descrição dos pratos?

Logo que comecei a ler as opções, tudo ficou em silêncio: esqueci da minha companhia, não vi mais o garçom enchendo meu copo de água e deixei de ouvir a bossa-nova irritante que o pianista tocava. Era como se estivesse numa dimensão onde só existia eu e o menu. E escolher algo para pedir era uma missão muito complexa, que exigia raciocínio e concentração.

Depois de muitos minutos nessa situação, tentei apartar a indecisão criando uma regra para o pedido: iria optar por algo que nunca havia experimentado, tipo vôngole. Ou rã. Codorna. Quem sabe bottarga? De novo, não conseguia fazer uma escolha. Pensei então em pedir um prato totalmente no escuro, algo que não tivesse ideia do que era, mas faltou coragem. Tanto tempo querendo ir naquele restaurante, não dava para arriscar assim.

No fim das contas, me rendi ao chamado do coração e acabei de olhos cravados na seção de massas. Ficava indo e voltando na lista, tentando ignorar uma palavra que piscava insistentemente na minha cabeça: *nhoque* *nhoque* *nhoque*. Eu tentei resistir, dizendo para mim mesma que nhoque era algo que poderia comer em vários outros lugares, mas a paixão falou mais alto. E ainda bem que foi assim, pois naquele dia comi os melhores travesseirinhos de massa do mundo.

Na segunda vez que voltei lá, estava decidida a provar uma coisa bem diferente. Passei novamente por todo o cardápio, li com calma, pensei muito, ponderei… e pedi a rã. No entanto, quando o garçom veio na mesa, me bateu um pânico e sem querer saiu “me vê o nhoque, por favor” da minha boca. Comi, estava novamente maravilhoso, e saí pensando “agora estou satisfeita. Na próxima, posso comer a rã sem preocupação”.

Nem preciso dizer que, na visita seguinte ao tal restaurante, eu pedi o nhoque de novo, né. Aliás, esse é um dilema que se repete em várias situações. Se por um lado os pratos que adoro sempre chamam meu nome, também tenho vontade de comer coisas novas. E fico pensando: no fim da vida, o que será que pesa mais? A satisfação de ter pedido minha comida favorita sempre que possível, ou o arrependimento de nunca ter provado a rã?

***
Nhoque de ricota

Já deu para sacar que nhoque é uma das minhas comidas favoritas, né? Esse aqui, muito leve e saboroso, é mais fácil e rápido de fazer que o de batatas – e mais saudável também! Uma ótima massa para comer naqueles dias quentes de verão…

nhoque de ricota-3

Serve uma pessoa como prato principal ou duas como acompanhamento

Ingredientes

– 225 gramas de ricota
– 1 ovo pequeno
– ¼ de xícara de parmesão ralado na hora
– ¼ de xícara de farinha de trigo (aproximadamente)
– ¼ colher (chá) de sal
– uma pitada de noz moscada
– pimenta-do-reino moída na hora à gosto
– uma xícara do seu molho de tomates favorito

Como fazer

1. No processador, com a lâmina de corte, junte a ricota, o ovo, o parmesão e os temperos. Bata rapidamente, apenas até virar uma pasta uniforme. Transfira a mistura para uma tigela e adicione a farinha aos poucos, trabalhando a massa com as mãos. Dependendo da ricota que você estiver usando, pode ser que não precise de toda a farinha, ou precise de um pouco mais. Teste o ponto pegando um pouco da massa com a mão. Se der para formar um rolinho coeso e sem grudar demais nas mãos, está pronto. (Se você não tiver processador, é possível misturar tudo numa tigela grande, mas amasse bem a ricota antes para que fique em pedacinhos bem miúdos. Se ela estiver em temperatura ambiente, vai ser mais fácil)

2. Leve a massa na geladeira por 15 a 20 minutos. Enquanto isso, prepare o seu molho de tomates. Eu sugiro esse aqui.

3. Enquanto o molho estiver apurando, tire a massa da geladeira e polvilhe levemente com farinha de trigo uma assadeira ou uma superfície de trabalho lisa e limpa. Separe 4 ou 5 porções de massa e faça rolinhos com cada uma delas. Enfarinhe a lâmina de uma faca bem afiada e corte cada rolinho e pedaços do mesmo tamanho.

4. Coloque uma panela grande com água no fogo. Quando ferver, adicione duas colheres de sopa de sal. Com cuidado, transfira os nhoques para a panela. Quando eles estiverem prontos, irão boiar. Retire com cuidado e disponha numa travessa. Coloque o molho por cima, mexa delicadamente e sirva.

nhoque de ricota-2

Você pode gostar...

6 Resultados

  1. Josimari Melo disse:

    Adorei!! Vou experimentar o macarrão… Parabéns!!

  2. Joice Santana disse:

    Conheço o blog a pouco tempo. Tentei essa receita. Fiz no almoço, não gostei muito. Achei o sabor estranho, então.. sobrou. rs! Quando fui comer a noite.. estava uma delicia.. esquentei no microondas.. Que delicia. Vou tentar mais vezes!! (ahh… coloquei um pouquinho de provolone raladinho). Parabéns pelo site!

  3. wair de paula disse:

    eu já tenho a mania de experimentar o novo. claro que muitas vezes me arrependi – mas vou fazer o quê, já estou velhinho para mudar…
    já rã é algo para se pedir em pouquíssimos lugares…
    aproveitando – o novo restaurante do grupo Fasano (Trattoria) tem uma espécie de ricota com espinafre de nome estranho – gnuddi, ou algo assim. mas o sabor é excepcional.
    forte abraço.

    • marina maria disse:

      Wair, eu também tenho dentro de mim essa coisa de sempre querer experimentar, mas meu outro lado nunca quer perder a oportunidade de comer de novo as coisas que eu adorei, sabe? É um conflito…rsrs. Vou pesquisas depois sobre esse gnuddi, parece interessante!

Comente!