Sdds vida offline + Bolo de avelãs e chocolate

Eu sei que sou uma pessoa saudosista. Mas não é como se passasse 24 horas por dia sentindo falta das coisas. Na maioria das vezes, passo pelas minhas saudades como se estivesse folheando alguns livros, que logo voltam para a estante. Tem um tempo já, no entanto, que apareceu uma saudade bem diferente, grande e genérica, que por isso ainda não coube na minha biblioteca. É uma saudade de ver mais as pessoas. Não de ver as suas fotos ou atualizações de status, mas de ver mesmo, pessoalmente. Ver a roupa que estão usando, ver seus olhos e perceber se estão felizes, cansadas ou preocupadas, de abraçar na hora que encontra e na hora de ir embora.

Mais do que tudo, estou sentindo falta da informalidade do encontro, que não precisa ser marcado com uma semana de antecedência, às 18:45 de uma quarta-feira, mas que acontece meio sem planejar, porque estou na porta da sua casa e te chamo no interfone, falando “desce aí rapidinho”, ou porque te ligo e falo “vamos comer um pastel?”. De quando os encontros não tinham um clima de raridade, então era permitido falar coisas frívolas e idiotas, em vez de relatar os últimos marcos “importantes” da sua vida nas seis últimas semanas.

Eu sei que as redes e tecnologias sociais são muito importantes para aproximar pessoas. Sem elas, por exemplo, seria muito mais difícil ter contato com meus amigos que moram longe . Só acho que, talvez, essas formas de se relacionar nos dão uma falsa noção de proximidade e de aproveitamento do tempo – afinal, se é possível conversar com quatro pessoas simultaneamente e ainda terminar a revisão de um texto entre uma resposta e outra, virou uma espécie de “luxo” dedicar todo esse tempo e esforço para ver pessoalmente uma ou duas destas pessoas.

Eu me sinto uma pessoa velha e rabugenta por sentir saudade disso. Acho que talvez a geração que nasceu com as redes sociais sinta que a proximidade de conversar com alguém pelo Facebook é a mesma de sentar no bar e falar da vida. Pode ser mesmo uma coisa só minha, que tive uma infância e adolescência em que conversava com vizinhos, conhecia o dono da banca de jornal e podia ir diariamente na casa das minhas tias conferir se tinha bolo no café da tarde.

Ainda assim, insisto que o mundo está realmente num paradoxo muito doido, onde todos parecem mais próximos mas, ao mesmo tempo, mais distantes. Me chamem de antiquada, eu não ligo. Continuo sentindo falta de VER as pessoas rindo, em vez de só LER um “hahahaha”.

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Bolo de avelãs e chocolate

Eu já fiz esse bolo algumas vezes, mas não sei por que nunca veio parar blog. É meio difícil explicar o quanto ele é bom, só experimentando para entender. É perfeito para tomar com chá ou dar de presente para alguém querido. Ou quem sabe deixar pronto no fim de semana para uma visita inesperada – essas da vida offline, que chegam para “filar” o café da tarde.

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Levemente adaptado daqui. 

Ingredientes

– 150 gramas de avelã sem casca e sem pele (se você só encontrar a com pele, veja a dica no final do post de como tirá-la)
– 60 gramas de chocolate meio-amargo picado em cubinhos
– 125 gramas de manteiga
– 180 gramas (1 xícara de chá) de açúcar mascavo (não aperte para medir)
– 3 ovos
– 250 gramas (2 xícaras de chá) de farinha
– 1 colher de chá de fermento em pó

Como fazer

1. Triture as avelãs no processador até que fiquem como uma farofa grossa. Se não tiver processador, pique na mão mesmo, com uma faca bem afiada. Misture com o chocolate picado e reserve.

2. Chegou a hora de fazer a chamada manteiga queimada, que não é queimada de verdade, mas passa por um processo que intensifica o sabor dela. O processo demora alguns minutos, mas nunca tire o olho da panela.

Em uma panelinha de inox, alumínio ou de qualquer outra de fundo claro, derreta a manteiga em fogo baixo (as antiaderentes ou de fundo escuro atrapalham ver a mudança de cor da manteiga). Vá mexendo delicadamente com uma colher. Depois de derretida, ela vai espumar e em seguida vai borbulhar e estalar. Continue mexendo. Após a fase de borbulha, ela vai de novo soltar uma espuma fina e o estalo vai silenciar. Essa espuma então some aos poucos e a manteiga começa a ganhar cor, indo de um dourado claro até uma cor âmbar, como de caramelo.

Nesse ponto, é possível sentir também uma mudança no cheiro, que passa a ser de avelã. Desligue imediatamente o fogo (a manteiga queima de verdade rápido – se o cheiro passar de avelã para queimado e a manteiga ficar com muitos pontos pretos, é porque queimou – jogue fora e comece de novo). Deixe esfriar completamente antes de continuar a receita.

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2. Preaqueça o forno a 180 graus. Unte e enfarinhe uma forma de bolo inglês.

3. Bata os ovos e açúcar mascavo na batedeira, na velocidade máxima, por 2 ou 3 minutos, até que a mistura ganhe mais volume, fique cremosa e com cor de cappuccino.

4. Abaixe a velocidade para a mínima e junte a farinha. Quando não der para ver nenhum pontinho branco na massa, adicione a manteiga e bata apenas até misturar tudo.

5. Desligue a batedeira, raspe as laterais da tigela com uma espátula e adicione as avelãs trituradas e o chocolate picado. Misture para distribuir bem.

6. Leve ao forno por 15 minutos, depois abaixe a temperatura para 160 graus e continue assando por uns 30 minutos, ou até que o topo esteja dourado e um palito saia seco ao ser inserido no meio. Espere amornar, passe uma faquinha nas laterais e deixe esfriar por completo antes de desenformar.

 

 

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Dica: como  tirar a pele das avelãs

1. Como eu faço: preaqueça o forno a 150 graus, coloque as avelãs numa travessa e leve ao forno por cerca de 10 minutos, até perceber que a pele está começando a soltar. Distribua as avelãs em um pano limpo e deixe esfriar por alguns minutos. Depois feche o pano como uma trouxa e esfregue vigorosamente as avelãs, umas contra as outras. Isso fará com que a maior parte da pele saia, mas talvez seja necessário repetir esse movimento algumas vezes. Se algumas ficarem com um pouquinho de pele, não tem problema.

2. Como eu deveria fazer, mas sempre esqueço de tentar: ferva duas xícaras de água numa panela grande e coloque três colheres de bicarbonato de sódio (essa medida serve para uma xícara de avelãs). Adicione as avelãs e ferva por três minutos. A água vai ficar escura. Enquanto isso, coloque água gelada em um tigela. Passado o tempo, faça um teste com uma das avelãs, transferindo para a água gelada e esfregando com os dedos para ver se a pele está sai
ndo facilmente. Se não, ferva por mais um ou dois minutos e faça o teste de novo. Quando estiverem no ponto, escorra e coloque todas as avelãs na bacia com a água. Retire a pele e seque bem.

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7 Resultados

  1. Tatá disse:

    Amiga, lindo texto. Concordo com cada vírgula. E deixa um bolo desse pronto aí na sua casa que qualquer hora apareço.

  2. Matheus Lopes disse:

    uma das maiores tristezas que consigo pensar pra mim é que esse tempo de encontros casuais, de sentar no passeio com os amigos, vão ficar só na nossa memória. Ninguem mais sabe viver sem a droga do celualr 3g. Desde que tudo isso aconteceu, tenho a mesma percepção que vc: a falsa proximidade que só afasta as pessoas cada vez mais e mais. Nem meus amigos são tão amigos assim (talvez por outros motivos tambem). Mas o fato é que eu sempre tento nadar contra essa maré online, sem sucesso. Pelo menos minha irma me entende.

    • marina maria disse:

      É bom saber que não estou sozinha na vida com este sentimento. Mas o mundo funciona em ondas, irmão, por isso tenho a esperança que um dia vamos voltar a dar valor e a conseguir ter conversas no passeio e encontros sem 3g… 😉

  3. Ana disse:

    Bolo de esperar visita eh muito especial….

  1. 3 de dezembro de 2013

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