(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 5

Acabou…

Pronto, gente. Hoje foi o última dia. Para todos que me chamaram de doida, inconsequente, que falaram que eu ia engordar, emagrecer, ficar anêmica, perder o cabelo… estou aqui, do mesmo jeito que comecei. Pelo menos fisicamente.

Desse período, além de toda a reflexão que já fiz por aqui, sobre pensar na comida do ponto de vista da necessidade e da percepção que vivemos com excessos, fica uma sensação de que preciso ser mais humilde. Depois de bater um pratão de feijão com arroz como se fosse um manjar dos deuses, percebi que muitas vezes tenho o nariz em pé quando olho o que tem na minha geladeira e penso que não tenho nada para comer.

O que achei mais curioso nesse período foi ouvir as pessoas chamando o que eu estava fazendo de “dieta”, no sentido de ser algo com intenção relacionada ao peso ou à saúde. Eu sei que, na nossa realidade de quem tem um computador para ler esse texto, a privação de comida está sempre ligada a uma dieta de emagrecimento. No entanto, o que eu estava fazendo não era isso. Fazer uma dieta desse tipo significa que você tem escolha; que é possível optar por restringir sua alimentação. Ainda que o desafio não refletisse fielmente a realidade das pessoas que vivem na miséria, era um jeito de sentir, dentro do possível, o que é não ter a liberdade que normalmente temos na hora de se alimentar.

Quando os idealizadores do projeto criaram esse desafio, estavam numa conversa sobre como era difícil entender de verdade a situação da pobreza extrema sem estar dentro dela. E que a parte mais difícil era comunicar exatamente essa ausência de escolha e oportunidade dessas pessoas. Tenho certeza que, das dezenas de pessoas que acompanharam o meu desafio, talvez um ou duas entenderam ou apoiaram, mas isso não tem problema. Agora vejo que esse realmente é um assunto difícil, que incomoda, que nos faz sentir culpados, ou impotentes. Por isso, talvez seja normal que a reação inicial fosse me achar doida, dizer que teria problemas de saúde, porque isso é focar num pedaço pequeno da ação e não no que ela está tentando representar.

Agora, no fim dos meus 5 dias, não vejo a hora de voltar ao “normal”. Por outro lado, estou sentindo um peso de pensar que para essas pessoas esse é o normal. Sim, o que eu fiz não impactou em nada na realidade da pobreza, mas fez diferença na minha consciência. Talvez isso já seja um bom começo.

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5 Resultados

  1. dea lucia disse:

    Oi Marina, quando vejo pessoas como você fazendo um mexidão na cabeça percebo como a nossa vida pode ser entendida com de pequenos atos de solidadriedades como este. Para nos, que temos mais do que necessitamos, fica a certeza que podemos melhorar nossos comportamentos e nos observar mais antes de reclamar da nossa vida. Bjos tô com você no próximo desafio.

  2. Natália Boaventura disse:

    E que a nossa consciência, que foi despertada para esse desafio, continue desperta 🙂 E que o que a gente aprendeu, possamos passar adiante. Foi muito poder contar com o seu entendimento e apoio nesses cinco dias. Vamos adiante!

  3. Sandra Amalia disse:

    Adorei teu blog e a tua conclusão da semana Marina Maria. Realmente não seremos mais os mesmos, nossos olhos e nossas bocas estarão mais atentos a nossa consciência.

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