(…) Desafio “Vivendo Abaixo da Linha” – Dia 4

E agora, José?

Depois de pensar tanto sobre a fome ontem, hoje acordei com a completa falta dela. Tomei o café da manhã achando que ia abrir o apetite e nada. Almocei sem fome, lanchei sem fome, jantei sem fome. Como assim? Pois é, não sei. No meio do dia, comecei a me sentir culpada. Como se a falta de fome significasse que estava fazendo alguma coisa errada no desafio. Que estava comendo demais, quem sabe, mesmo dentro do orçamento. Terminei o post de ontem do blog perguntando se as pessoas se acostumam com essa situação. E por alguns momentos pensei que sim, e que isso estava acontecendo comigo: meu corpo aprendeu que a quantidade de comida oferecida para ele seria pouca e se virou com o que tinha, sem gerar a sensação de fome.

Agora, no final do dia, estou pensando diferente. Talvez existam ondas de fomes. Dias bons e ruins. Hoje fiquei o dia todo em casa, estava descansada, relaxada. Não foi um dia normal, com atividades, preocupações etc.

Ainda acho que a fome, essa que as pessoas abaixo da linha da pobreza sentem, não é algo que você se acostuma – porque isso significaria que, diante da abundância de alimento, o costume faria com que essa população negasse comida. A expressão certa talvez seja resignação. Afinal, para eles não há escolha. Pensando nisso, quem sabe também minha falta de fome veio da tranquilidade que, ao contrário deles, eu possuo escolha. Depois de amanhã o desafio acaba e eu posso voltar para minha alimentação normal que, agora percebo mais do nunca, é tão abundante.

Menu do dia

Almoco_dia_4

Almoço e jantar de hoje: batata recheada com purê de abóbora, cenoura e vagem. Cozinhei a batata até ficar al dente, parti ao meio, retirei o centro dela e misturei com abóbora assada e amassada. Salpique queijo e levei ao forno.

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