Atenção para a desanteção + Mini-canelones de espinafre

Eu sou lerda. Não no sentido de ser lenta, e sim de que me distraio facilmente.

Com o passar do tempo, aprendi que a melhor maneira de contornar isso é procurar fazer todas as minhas atividades, ou pelo menos aquelas importantes, de forma muito concentrada. Na cozinha, se não estiver totalmente focada na receita, é certo que vou perder a contagem das xícaras de farinha ou esquecer de por o fermento. Se na hora de sair de casa não faço uma lista mental, algo sempre fica para trás. Também sou uma dependente incurável de lembretes de celular.

Outro aspecto dessa minha lerdeza é que frequentemente tenho a sensação de que estou fazendo uma coisa, mas deveria estar fazendo outra. Se estou no computador lendo um texto, logo perco a concentração naquilo e acho que preciso varrer a casa. Se vou varrer a casa, começo a pensar que deveria ir fazer almoço. Dessas coisas pequenas o pensamento evolui para questões maiores também, de sentir que o que estou fazendo na vida não é suficiente, não é importante, deveria ser outra coisa.

Hoje li um trecho de um texto sem querer, folheando livros no sebo, que falava exatamente sobre essa dificuldade de estar atento ao mundo. O trecho dizia que existe uma diferença entre estar atento e estar concentrado. Que a atenção tem algo de entrega, de completude. Permite que estejamos atentos até quando estamos desatentos. Será que é mesmo possível?

O tal trecho é esse aí embaixo. É do livro “A Humanidade Pode Mudar?”, de Jiddu Krishnamurti. O autor é um filósofo indiano e nesse livro responde perguntas feitas por estudiosos do budismo.

– Sinto que minha vida diária não tem importância, que eu deveria estar fazendo algo diferente. Por quê?

– Quando estiver comendo, coma. Quando sair para um passeio, ande. Não diga “eu deveria estar fazendo algo diferente”. Quando estiver lendo, dê a isso a sua atenção completa, seja um romance policial, uma revista, a Bíblia, seja o que for. Atenção completa é atenção completa e, portanto, não há essa de “eu deveria estar fazendo algo diferente”. Só quando estamos desatentos é que surge o sentimento de “pelo amor de Deus, eu tenho de fazer alguma coisa melhor”. Se dá atenção completa quando está comendo, isso é ação. O importante não é o que fazemos, mas se podemos dar a isso total atenção. Por atenção, não quero dizer algo que aprendemos através de concentração na escola ou na empresa, mas observar com nosso corpo, nossos nervos, nossa visão, nossos ouvidos, nossa mente, nosso coração – inteiramente. Se fizermos isso, haverá uma mudança enorme em nossa vida. Algo exigirá toda nossa energia, vitalidade, atenção. A vida exige essa atenção a todo minuto, mas fomos tão treinados em desatenção que procuramos sempre escapar da atenção para a desatenção. Dizemos “como é que vou observar? Eu sou preguiçoso”. Seja preguiçoso, mas totalmente atento à preguiça. Seja totalmente atento à desatenção. Saiba que está totalmente desatento. E quando souber que está inteiramente atento à desatenção, estará atento.

Um dia eu chego lá.

***

Mini-canelones de espinafre
Já pensou em fazer massa para servir como petisco numa festa? Vi essa ideia num grupo sobre cozinha muito legal que participo no Facebook e gostei bastante do resultado. Você pode variar os molhos e recheios e decidir se quer ou não servir com molho à parte.

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Rendimento: 20 ou 40 rolinhos, dependendo do tamanho que você quiser

Ingredientes

– 10 folhas de lasanha
– ½ maço de espinafre limpo e picado grosseiramente
– ½ colher de sopa de azeite
– 1 dente de alho picado
– 200 gramas de creme de ricota
– 5 colheres de sopa de parmesão ralado na hora
– Sal, pimenta-do-reino e noz moscada à gosto
– Molho de tomates de sua preferência (eu fiz esse aqui)
– Queijo ralado e folhas de manjericão para finalizar

Como fazer

1. Coloque uma panela grande com água no fogo algo. Quando ferver, salgue generosamente e coloque as folhas de lasanha para cozinhar de acordo com o tempo indicado no pacote.

2. Enquanto isso, em fogo médio, refogue o alho no azeite até perfumar. Junte espinafre e misture até que as folhas murchem e comecem a soltar líquido. Escorra a água e deixe o espinafre esfriar.

3. Misture o creme de ricota ao espinafre frio. Junte o parmesão e depois tempere com sal, pimenta-do-reino e noz moscada.

4. Estenda dois panos de prato limpos na mesa ou bancada da cozinha. Quando der o tempo de cozimento das folhas de lasanha, escorra a massa e rapidamente alinhe-as uma do lado da outra sobre o pano. É preciso fazer isso rápido ou elas irão grudar umas nas outras. O pano servirá para absorver o resto de umidade.

5. Corte a folha de lasanha ao meio. A minha folha era comprida e estreita, então só precisei cortar ao meio no sentido do comprimento. Na verdade você pode deixar do tamanho que preferir. Espalhe o recheio tomando cuidado para não preencher demais nas laterais e nas pontas, o que vai facilitar na hora de enrolar.

6. Pegue uma das pontas e comece a enrolar. Se achar que ainda assim está grande, como eu achei, parta o rolinho no meio. Use um palito para fixar o mini-canelone no lugar.

7. Depois de todos prontos, pré-aqueça o forno a 200 graus. Unte uma assadeira levemente e disponha-os em fileiras. Coloque uma colherinha de molho sobre cada um, um pouco de queijo ralado e uma folhinha de manjericão. Leve ao forno por cerca de 15 minutos, até que o queijo esteja bem derretido. Se quiser, sirva com molho de tomates à parte.

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3 Resultados

  1. Christiane Agrícola disse:

    Marina, adorei o texto sobre “estarmos atentos à nossa desatenção”! E a receita também, que delícia!

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