Torta de noz-pecã e um texto que virou outra coisa

Desde criança tenho um pensamento quase obsessivo sobre onde nascem as frutas e os legumes. Ficava sempre imaginando, por exemplo, como era um pé de azeitona. Ou uma plantação de beterraba. E até hoje quando vejo algum vegetal novo, fico me perguntando “será que dá em árvore ou na terra?”

Era sobre isso que eu queria falar nesse texto, já que durante muito tempo o jeito que a noz nascia me foi um mistério – e toda vez que cozinho com nozes me lembro disso. Entrei no meu e-mail para tentar achar uma conversa em que contava para a minha mãe que  tinha visto uma nogueira pela primeira vez. Queria me lembrar como tinha sido aquilo.

Só que não achei essa mensagem. Tentei digitar todas as coisas no campo de busca e nada.

Quando procurei por “árvore”, no entanto, achei um texto do Moska (um trecho de uma música, na verdade) que é muito bom. E de repente me pareceu tão melhor colocá-lo aqui no lugar da outra história. Porque esse é o primeiro post de 2013 e acho que nessas horas, nos começos e recomeços, é muito bom pensar que tudo pode acontecer…

Eu sei que o tempo é uma grande árvore
De galhos infinitos
E que o presente é o momento em que ela dá seu fruto mais bonito

E que amanhã tudo talvez
Nos apareça claro como foi no início
A mesma ilusão de amor nos faz saltar feliz
De um novo precipício

E então vamos sentir de novo
O gosto da eternidade
E confundir instantes de alegria com a real felicidade

Ou, sem percebermos,
Os dias irão passando como um trem sem estação
E lá estaremos nós com os pés no chão
Mas encostando o céu com a palma das mãos

***
Torta de noz-pecã
Aproveitando o restinho dos estoques do Natal, comprei um pacote dessa noz para matar um desejo antigo de provar essa torta de novo, típica do sul dos Estados Unidos. Por ela ser difícil de encontrar no Brasil, tem pessoas que a substituem pela noz comum, mas eu realmente não acho que fica a mesma coisa…

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Adaptado do livro “Baking, from my home to yours”, de Dorie Greenspan

Ingredientes (para uma torta de 22cm de diâmetro X 8cm de altura)

Massa
– 1 ½ xícara de chá de farinha de trigo
– 2 colheres de sopa de açúcar
– ¾ de colher de chá de sal
– 160 gramas de manteiga sem sal, cortada em cubinhos e bem gelada (deixe alguns minutos no freezer)
– Cerca de 3 colheres de sopa de água gelada

Recheio
– ¾ de xícara de glucose de milho (Karo)
– ½ xícara de açúcar mascavo (aperte na xícara para medir)
– 3 colheres de sopa de manteiga derretida
– 3 ovos grandes em temperatura ambiente
– 1 colher de chá de extrato de baunilha
– ½ colher de chá de canela
– ¼ de colher de chá de sal
– 200 gramas de noz-pecã
– 85 gramas de chocolate mio-amargo picadinho

Como fazer

Massa
1. No processador, com a peça de lâmina, coloque a farinha, açúcar e sal junto e bata rapidamente para misturar. Coloque os pedaços de manteiga aos poucos e use o botão pulse para que ela se quebre em pequenos pedaços. O resultado final deve ter pedaços de manteiga do tamanho de ervilhas envoltos na farinha.

2. Coloque uma colher de água de cada vez e continue usando o botão de pulsar. Vá batendo por mais tempo, aumentando o tempo dos pulses, colocando água apenas até que a massa fique coesa, quase formando uma bola. É possível também fazer toda essa preparação com as mãos, como eu fiz nessa receita.

3. Se o dia estiver quente, forme um disco com a massa e leve para o congelador para alguns minutos antes de abrir.

4. Use um rolo para abrir a massa em uma superfície levemente enfarinhada. Tranfira para a forma. Corte o excesso de massa, mas deixe um pouco a mais nas bordas para decorar. Com a palma da mão, vá apertando levemente a massa nos fundos e nas laterais. Com ajuda dos dedos, dê forma às beiradas para que a borda fique um pouco mais alta do que a forma em si.

5. Nesse momento, você pode levar a massa para a geladeira e deixá-la até o dia seguinte ou  até o momento de assá-la. Se for fazê-la em seguida, pré-aqueça o forno a 200 graus. Corte um quadrado de papel alumínio que cubra o fundo e as laterais da forma. Unte o lado brilhante e use-o virado para baixo. Por cima coloque feijões ou algum outro material para dar peso (que possa ir ao forno). Asse por cerca de 20 minutos.

6. Retire os pesos e o papel alumínio. Se alguma parte da massa tiver inflado, basta pressionar com uma colher. Leve novamente ao forno até começar a dourar, mas ainda esteja bem branquinha (cerca de 8 minutos). Deixe esfriar e prepare o recheio.

Recheio
1. Pré aqueça o forno a 220 graus. Coloque a forma da torta em uma assadeira para facilitar a colocada e retirada do forno.

2. Numa tigela grande, misture a glucose de milho e o açúcar até ficar liso. Adicione a manteiga derretida e depois os ovos, um de cada vez, batendo a cada adição até que a massa fique espumando. Adicione a baunilha, a canela e o sal e dê uma boa misturada. Por último, misture as nozes e o chocolate. Entorne o recheio na massa pronta e alise com uma colher.

3. Asse a torta por 15 minutos. Depois desse tempo, corte algumas tiras largas de papel alumínio e use-as para cobrir as bordas da torta – assim elas não irão queimar quando a torta voltar para terminar o cozimento no forno. Abaixe a temperatura para 175 graus e asse por mais 15 a 20 minutos, até que esteja bem dourada e o recheio esteja firme, ou seja, não balance quando a forma se mexe.

4. A torta pode ser comida quente, em temperatura ambiente (meu jeito favorito) ou gelada. De todas as formas, o acompanhamento perfeito é uma bola de sorvete.

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4 Resultados

  1. Taís disse:

    Lendo atrasada, mas adorei! Bjos

  2. Flávia Dorado disse:

    Lindo texto… Valeu a pena a troca!

  1. 9 de dezembro de 2015

    […] pães, nozes, frios e belisquetes. Os pratos que eu cozinho para levar nunca se repetem: já fiz torta de noz-pecã, brownie, quiche, focaccia… Tem primo que vai estar no Natal e primo que viajou. Pode ser que os […]

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