Serra Gaúcha sem romantismo (parte 2) + Panna cotta de mel

Hoje é dia da segunda parte do post de dicas sobre a Serra Gaúcha! Você pode ler a primeira parte aqui. Faltou falar da parte de gastronomia, compras, valores e dicas gerais. Aí vai:

GASTRONOMIA
Com influência principalmente italiana, a culinária da região tem como especialidade polenta, galeto e massas em geral. Nas três cidades é possível encontrar diversos restaurantes com esse perfil, sendo que em Gramado também existem vários que oferecem fondue. Minha amiga e eu adoramos pasta, mas não demos conta de encarar a “sequência de massas” servida em muitos restaurantes locais, já que são 7 ou 8 pratos de massa para cada pessoa. Também não somos super fãs de galeto ou fondue. Então optamos por lugares com opções à la carte que tivessem algo além desses pratos mais tradicionais. Seguem algumas dicas:

No Vale dos Vinhedos
* Leopoldina – restaurante do Hotel e Spa do Vinho, tem boas opções de carnes, massas e risotos e bons vinhos com preços justos. A decoração é bem suntuosa e elegante. Os pratos estavam gostosos, corretos, mas sentimos um pouco a falta de sal.

*Luiz Valduga – é um dos restaurantes da Villa Valduga. O ambiente é aconchegamente e eles trabalham com menu fechado, ou seja, muda de acordo com o dia. Vale ligar antes para saber o que será servido naquela noite. No dia que jantamos a sequência de pratos era: creme de aspargos com raspas de lima, risoto de salmão defumado e abobrinha, medalhão de filé com legumes e semifreddo de chocolate. Estava tudo uma delícia, especialmente o creme. Só faria uma observação no ponto do filé, que estava mal passado para nosso gosto.

*Casa Vanni (se fala Vâni) – a melhor refeição que comemos em toda a viagem, com toda certeza. Além de ser num local lindo, no Caminhos de Pedras, o prato estava perfeito – um tortéi (massa tipica da região, uma espécie de ravióli recheado com abóbora) na manteiga de sálvia. A sobremesa, uma panna cotta com calda de tangerina, estava deliciosa, bem cremosa. Só abre para almoço e vale muito a pena pegar a estrada para ir até lá.

Vista dos fundos da Casa Vanni

Em Gramado
*Café Josephina – estivemos lá duas vezes. Nas duas ocorreram alguns problemas na execução dos pratos, sendo que no segundo dia isso foi mais marcante.Eles tem alguns problemas com as descrições no cardápio, omitindo algumas informações importantes, como por exemplo a presença marcante de canela num dos molhos de um prato. Ainda assim, acho lá uma boa sugestão para o happy hour, numa estilo “petiscos e drinks”, já que é um dos poucos lugares mais jovens, com jeito de “descolado” de Gramado.

No primeiro dia pedimos um ravióli de gorgonzola com chutney de cebola roxa. Estava saboroso, mas faltou um refinamento no prato: a cebola podia ter sido cortada mais fina, para o sabor ficar mais delicado, e ter vindo em menor quantidade, pois o gosto dela domina muito o prato e fica enjoativo no final.

*Divino – com preços um pouco salgados, esse restaurante traz opções mais modernas no cardápio. O ambiente é muito bonito, todo em vidro, moderno. Lá comemos uns hamburgueres “gourmet” que estavam gostosos, mas não geniais. Fiquei curiosa para provar os pratos mesmo.

*Il Piacere – uma pizzaria de forna à lenha muito gostosa. Eu provei o sabor “Marguerita Gourmet”, com mussarela de búfala, grana padano e tomatinhos italianos e estava uma delícia. Minha amiga comeu a Siciliana, de beringela, palmito, provolone, requeijão e calabresa e também gostou muito.

Em Canela
*Cannellé Bistrô – Nesse aconteceu uma coisa engraçada. Tentamos ir ao restaurante uma vez, mas ele estava fechado pois naquele dia só abria à noite. Quando voltamos no outro dia no horário correto, ele ainda estava fechado. Sem querer perder a viagem, batemos na porta e fomos atendidos pela garçonete, que foi super simpática e explicou que os donos (um deles é o chef) tinham se atrasado um pouco. Ela nos trouxe uma entradinha e um pouco depois os donos chegaram. Foram super atenciosos com a gente e serviram uma comida muito bem feita e gostosa. Da próxima vez vou experimentar os pratos franceses, especialidade da casa.

Minha amiga comeu um talharim com molho vermelho e azeitonas, alcaparras e camarões – e não economizaram nos camarões. Estava uma delícia.

* Armazém Apricot – é dos mesmod donos do Canellé Bistrô. Funciona como uma mercearia de produtos gourmet e um café. O ambiente é bem charmoso e, apesar de não ter experimentado nenhuma, vi várias cervejas diferentes no cardápio.

* Empório Canela – sem dúvida o lugar mais fofo de Canela. Uma mistura de café, lojinha e livraria,tem decoração retrô e um cardápio dividido entre café e pratos à la carte. Provei o chocolate quente, que estava bem gostoso, e quero voltar para comer as opções de almoço ou jantar.

*Strudelhaus – um restaurante de comida caseira alemã, funciona na sala da casa dos donos, um alemão e uma brasileira. O cardápio tem uma grande variedade de “schnitzels”, um tipo de bife empanado alemão e algumas outras especialidades. Pedidos o prato mais tradicional, que vem com schnitezel de porco, batatas gratinadas, legumes e molho. De sobremesa, claro, comemos strudel de maçã, também uma delícia. Informação importante: não aceitam cartões, apenas dinheiro.

A comida estava muito saborosa, só não gostamos muito do spatzle, essa massa na tigelinha branca que acompanha o prato.

COMPRAS
No Vale dos Vinhedos
Além dos vinhos, é claro, vale a pena comprar os produtos vendidos na delicatessen Casa Madeira. Eles tem ótimas geleias e outras coisas interessantes como grapa, suco de uva e crema de balsâmico produzidos no local.

Em Gramado
– Não encontramos nenhuma loja de roupas femininas que valesse particularmente a pena em Gramado, tanto pelas roupas em si quanto pelos preços.
– O grande achado foi a loja “Mundo dos Sapatos”, que fica na estrada para Canela. Lá são vendidos calçados multimarcas (a maioria das grandes fábricas de sapato brasileiras ficam no Sul) que não foram exportados por terem “pequenos defeitos”- aqueles que nem a gente consegue ver. Os preços valem muito a pena, com descontos chegando a 60%.
– São várias lojas de chocolates espalhadas pela cidade, mas a que chamou nossa atenção foi a Lugano. Um pouco mais cara, mas o chocolate é bem gostoso.

Em Canela
– As lojas de roupa também não chamam muito atenção, mas dá para encontrar umas poucas com malhas e casacos mais bonitos que de Gramado e com preço mais em conta. As boutiques que vendem roupas de marca tem preços bem parecidos com os de Belo Horizonte.
– No Empório Canela, que citei acima na parte de Gastronomia, vale comprar alguma coisinha de artesanato local – há vários objetos legais para casa.

VALORES
Toda vez que leio um post de dicas de viagem, sinto falta de saber um pouco sobre quanto se gasta para fazer as coisas no lugar. Mas agora eu entendo como é difícil falar disso, porque depende do perfil da pessoa, dos programas que ela escolhe, da época que vai viajar, etc. Então por favor leve isso em consideração quando ler essas informações.

– Para almoçar ou jantar nessas cidades, você gastará cerca de 30/40 reais por pessoa em cada refeição, sem contar a bebida. Claro que existem lugares mais caros e mais baratos. Gramado em geral é mais caro que Canela. No Vale dos Vinhedos o custo-benfício foi melhor que em Gramado.
– Os vinhos (principalmente os da região) tem valores interessantes nos restaurantes. Conseguirmos beber boas variedades (inclusive espumantes) que ficavam em torno de 35/45 reais.
– As hospedagens também diferem muito de preço, porque depende da época, do quarto, da localização, etc. Acredito que essa seja a parte mais flexível do orçamento. As diárias que pesquisamos variavam de 130 a 300 reais (lembrando que viajamos na baixa temporada). A Casa Valduga foi mais cara que a Jardim Secreto, mas tudo ficou na média de 220 reais o quarto.
– Você precisará pagar entrada para a grande maioria dos passeios. O Parque do Caracol é 10 reais por pessoa. O teleférico, 20 para cada. Para andar no pedalinho no Lago Negro o preço é 15 reais para duas pessoas, por 20 minutos. Já o (maldito) Castelinho nos custou a bagatela de 8 reais por pessoa. O strudel lá custa 18 reais e dá para ser dividido. Não entramos no Mini Mundo, mas o ingresso era 14 por pessoa. O templo em Três Coroas não cobra entrada. Já o ingresso do Parque Aldeira do Imigrande em Nova Petrópolis custa 7 reais. Lembrando que os preços são para adultos.
– O aluguel do carro foi feito na Movida por meio do site Rentcars e correu tudo bem. Para ir de Porto Alegre até todas as cidades, rodar lá dentro e voltar para o aeroporto nós gastamos um tanque de álcool, que em Porto Alegre estava uma média de 2.25 o litro. A gasolina era tipo 2.49.

DICAS GERAIS
– Se for ce carro, o GPS será seu amigo, mas nem sempre. Em algumas partes da estrada e nas ruazinhas do Vale dos Vinhedos ele ficou confuso. Depois descobrimos que para chegar no vale é preciso procurar por Bento Gonçalves e depois  “Via Trento”.
– Outra dica caso a decisão seja ir de carro é viajar sempre de dia: a estrada para a serra tem muitas curvas perigosas e costuma dar neblina.
– Na hora de arrumar a bagagem, procure levar uma sacola resistente vazia dentro da mala ou então uma mala de mão pouco ocupada. Elas serão muito úteis para trazer os vinhos que você comprar, já que viajando como mala de mão eles estão mais seguros do que se despachados.
– A grande maioria dos lugares aceita cartões, mas esteja sempre com um dinheiro a mão principalmente para pagar a entrada de algumas atrações.
– Acho que o Sul é um lugar gostoso de visitar em qualquer época, mas no outono e na primavera as cores das cidades aparecem mais. Fora que o clima também é mais ameno. O máximo de frio que pegamos foi 7 graus. Na maioria dos dias, variou entre 11 ou 12 à noite e 20, 21 pela manhã.
– Uma coisa interessante que percebemos é que nas três cidades as pessoas tem uma noção de distância diferente da nossa. Muitas vezes diziam que algum restaurante ou ponto turístico estava longe e era preciso ir de carro, mas depois descobríamos que estava a 4, 5 quarteirões – o que para nós é relativamente perto (será coisa de mineiro?). Se você também gosta de andar pela cidade, leve isso em consideração quando pedir uma informação.

VEJA AQUI A PARTE 1 DAS DICAS

***

Panna cotta de mel
Quando pensei em reproduzir essa sobremesa italiana que comemos na Casa Vanni, que parecia uma mistura de pudim e creme, fiquei receosa de pegar uma receita da internet e terminar com uma panna cotta dura, parecida com gelatina. Principalmente porque no Sul o creme de leite fresco (que eles chamam de nata) possui maior teor de gordura do que o que encontramos aqui, dando naturalmente mais cremosidade à sobremesa. Procurei então num livro que sempre tem receitas confiáveis e achei uma versão com mel, que me trouxe exatamente a textura cremosa e sedosa que eu buscava.

Receita do livro “Pure Dessert”, de Alice Medrich

Rendimento: 6 porções

Ingredientes

– 1 e 1/4 de xícara de leite integral
– 2 e 1/2 colher de chá de gelatina em pó sem sabor (meça a gelatina com muito cuidado, nivelando a colher para medir. Qualquer vairação na quantidade para mais pode deixar a sobremesa com a textura errada.  Essa quantidade pode também ser substituída por 3 folhas de gelatina).
– 3 xícaras de creme de leite fresco (no mínimo com 35% de gordura)
– 1/3 de xícara de mel, mais um pouco para colocar por cima
– 1/8 de colher de chá de sal

Opcional: geleia de framboesa, amora ou frutas vermelhas

Como fazer

1. Coloque o leite numa tigela média e salpique a gelatina por cima. Reserve sem mexer por 5 a 10 minutos, até que a gelatina amoleça. Enquanto isso, separe um recipente (maior que a tigela onde está o leite) e encha-o até a metada com água e bastante gelo.

2. Numa panela pequena, aqueça o creme de leite, o mel e o sal até que fiquem bem quentes, mas não deixe ferver. Mexa de vez em quando para o mel dissolver.

3. Tire do fogo e entorne aos poucos na tigela com a gelatina e o leite. Vá mexendo até que a mistura esteja uniforme. Leve a tigela para o recipente com água e gelo e mexa o creme por cerca de 10 minutos, até que ele esfrie completamente. É preciso que ele esteja frio mesmo, e não morno ou em temperatura ambiente.

4. Se você quiser desenformar a panna cotta depois, divida o líquido em seis tigelinhas ou ramequins. Se for serví-la direto do recipente, é mais interessante colocá-la em copos, taças ou vidrinhos transparantes. Leve os potes para a geladeira por no mínimo 8 horas ou de um dia para o outro.

5. Se for desenformar, passe as tigelas por alguns segundos em água quente antes de virá-las no prato. Na hora se servir, espalhe um pouco de mel por cima e cubra com algumas colherinhas de geleia.

Você pode gostar...

5 Resultados

  1. Taís disse:

    Oi! Pena que acabou meu final de semana por lá, mas também como estou pertinho é tranquilo para voltar. Fui no Empório Canela – já estava mais do que na lista, pois meu primo trabalha na cozinha deles – e AMEI. Logo postarei algumas fotos .. bjo!

  2. Wair de Paula disse:

    Adoro panna cotta, e aprendi a fazer recentemente. Esta versão com mel promete, devudamente anotada e arquivada. Abs

  1. 9 de julho de 2013

    […] Sinfonias locais e um farfale ao molho de abóbora e manjericão Serra Gaúcha sem romantismo (parte 2) + Panna cotta de mel → 22/05/2012 · 15:59 ↓ Jump to […]

Comente!