Serra Gaúcha sem romantismo (parte 1) + O verdadeiro chocolate quente

Hoje vou fazer uma mudança aqui no blog: em vez de contar um caso ou colocar uma crônica, vou dar algumas dicas de viagem.

Quando comentei com as pessoas que estava indo para a Serra Gaúcha com uma amiga, muitas acharam estranho – como se lá fosse um reduto de casais e a viagem sem o romantismo não faria sentido. É verdade que as cidades que visitamos tem sim um pouco desse perfil, mas descobrimos que a Serra Gaúcha é muito mais do que isso.

Então as dicas que vou dar aqui são para viajantes parecidos com o nosso perfil, que gostam de ter mais independência e liberdade nos roteiros, curtem muito gastronomia e vinhos, fogem das coisas turísticas demais e gostam muito de conhecer os lugares caminhando.

Para não ficar muito longo, dividi o post em duas partes. Na quinta-feira eu volto com as dicas de gastronomia e compras!

ROTEIRO
A viagem começou pelo Vale dos Vinhedos, que fica na intercessão dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul e concentra mais de 30 vinícolas em produção, desde as menores até as grandes como a Miolo. Foram duas noites e três dias lá. Depois fomos para Gramado, onde ficamos 4 noites e 5 dias, sendo que também conhecemos Canela e outras cidades dos arredores.

Se fôssemos fazer alguma mudança nesse roteiro, teríamos passado mais uma noite no Vale dos Vinhedos e talvez um dia ou noite a menos em Gramado. Isso tem a ver com nosso perfil, pois nos identificamos muito com esse pedaço da Serra e adoramos o local que ficamos hospedadas. Também gostaríamos de ter conhecido mais vinícolas. Além disso, achamos que os passeios em Gramado e nas proximidades poderiam ter sido feitos em menos dias com a mesma tranqulidade.

DESLOCAMENTOS
Depois de comprar as passagens de BH para Porto Alegre, para esse roteiro que traçamos teríamos três opções: alugar um carro em POA e seguir com ele durante toda a viagem; alugar um carro em Gramado e usá-lo também para o Vale dos Vinhedos; ou não alugar carro e fazer os passeios via agências de viagem. Como queríamos mais liberdade para conhecer os lugares, principalmente o Vale, optamos pelo aluguel em POA, já que os valores estavam melhores do que em Gramado.

Foi ótimo ter decidido pelo aluguel porque nos deu autonomia para fazer os passeios. Nos dias que queríamos beber à noite, a gente escolhia um restaurante mais próximo ou então uma das duas ficava sem beber para dirigir. No Vale dos Vinhedos, nós fizemos degustações de vinhos dentro do próprio hotel, então não havia preocupação com a direção. Mesmo com os arranjos necessários para as ocasiões em que iríamos beber, o carro foi uma excelente opção e fez toda diferença para a liberdade da programação.

O carro também nos deu a oportunidade de passar por estradas lindas.

HOSPEDAGEM
No Vale dos Vinhedos ficamos na Villa Valduga, o conjunto de pousadas que fica dentro da Casa Valduga, uma das vinícolas do Vale. O local é simplesmente lindo. Nos hospedamos na pousada mais simples e o quarto era ótimo, espaçoso e confortável. O atendimento lá é impecável, atencioso e carinhoso, com direito à chazinho no fim da tarde.

O chá chega com um bilhete de “boa noite” que tem a previsão do tempo na parte de trás. Um mimo.

O café da manhã também era ótimo e tinha até um espumante moscatel da casa para começar bem o dia. Há dois restaurantes lá dentro – nós experimentamos o jantar em um deles, Luiz Valduga, e foi bem gostoso.

Outro diferencial da Villa é que na diária está incluso o Curso de Vinhos Módulo I, que abrange a visitação a todas as etapas de produção do vinho, da plantação ao engarrafamento. Logo depois há também uma aula de degustação. O curso foi uma ótima forma de conhecer um pouco sobre esse mundo dos vinhos.

Enfim, ficamos completamente encantadas pela Villa Valduga.

Vista de uma das construções da Villa. No subsolo fica a cave de vinhos e em cima a loja que vende os produtos da casa.

Em Gramado também ficamos numa pousada linda, a Jardim Secreto. Além de super charmosa, tinha uma café da manhã delicioso, cheio de bolos, biscoitos e geleias caseiras. O quarto era uma gracinha, muito confortável e com o melhor chuveiro do mundo. O atendimento da pousada é excelente. A família que gerencia o local é muito simpática e solícita. A localização também é boa: 10 minutos de caminhada até o centro e perto também de outras atrações como o Lago Negro.

Não parece um lugar de mentira, saído de um filme da Disney?

PASSEIOS

No Vale dos Vinhedos:
Caminhar pela Via Trento, a rua principal do Vale, é um jeito gostoso de conhecer a região, ver as casas locais e admirar um pouco da paisagem. Outra coisa muito legal é fazer a visitação às vinícolas. É interessante conhecer tanto as grandes quanto as menores, para perceber a diferença no jeito de produção. Visitamos duas: a Valduga, que é grande, e a Marcos Luigi, que é menor.

Do Vale também é possível conhecer os Caminhos de Pedra, um caminho traçado pelo município de São Pedro que mostra algumas das primeiras construções italianas da região.

Essa casinha ficava quase em frente ao hotel. Dá vontade de largar tudo e ir morar num lugar assim…

Em Gramado:
Os passeios tradicionais são andar de pedalinho no Lago Negro, conhecer o Mini Mundo e Aldeia do Papai Noel, visitar as lojas clássicas de cucos e cristais e conhecer o zoológico. Desses, nós fizemos apenas o passeio no Lago Negro. Acabamos curtindo a cidade de outro jeito mesmo, só caminhando e conhecendo as casas e lojas. É uma delícia andar pelas ruas tomando um chocolate quente da Caracol Chocolates, sem dúvida o melhor da região.

O Lago é realmente bem bonito…

Em Canela:
Canela fica há apenas 7 km de Gramado, então dá para ir e voltar da cidade tranquilamente durante o dia. Lá existem diversos parques ecológicos. Nós visitamos o Parque do Caracol, que possui uma cachoeira enorme – pena que no dia ela estava interditada e não pudemos descer para vê-la de perto. Também andamos no telefêrico que tem vista para a cachoeira.

Cachoeira do Caracol e um arco-íris de brinde.

Na volta do parque paramos no Castelinho, a primeira casa de Canela que virou ponto turístico. Esse eu confesso que foi uma armadilha de turista. Nós na verdade queríamos só comer o famoso strudel que eles servem no local, mas mesmo só para comer era necessário pagar para entrar na casa. Lá dentro eles preservaram os quartos supostamente como eram na época, mas não havia nenhum tipo de explicação sobre a história da família ou dos objetos ali. Ou seja, sem saber o que significavam, as coisas antigas ali eram só “coisas”. O strudel era bom, mas não valia o preço da entrada mais o que pagamos por ele.

Nos arredores:
*Khadro Ling – é o maior templo budista da América Latina e fica a 30 km de Gramado, em Três Coroas.  Além de ser um lugar lindo, foi uma ótima oportunidade para carregar as energias e ter um momento mais introspectivo e silencioso.

O templo é ainda mais bonito ao vivo.

*Nova Petrópolis – também pertinho de Gramado e tem o Parque Aldeia do Imigrante, onde estão as construções da primeira vila de alemães que colonizaram aquela região. A história é bem interessante e vale a visita. Também é uma cidade conhecida pelas lojas de malhas e tricôs, mas nós não achamos nada que valesse particularmente a pena lá.

Igreja dos Imigrantes, uma das construções históricas do Parque.

 

CLIQUE AQUI PARA LER A PARTE 2 DAS DICAS!

***
O verdadeiro chocolate quente
Essa receita de chocolate quente se parece muito com o vendido nas lojas da Caracol em Gramado. O segredo está na preparação com antecedência, que deixa o chocolate bem mais cremoso. O creme de leite fresco pode ser substituído pelo de caixinha, mas a bebida ficará  menos incorpada.

Receita do livro “Cozinhando com amigos”, da Heloísa Bacellar
Rendimento: 6 xícaras

Ingredientes

– 1 litro de leite
– 1 xícara de creme de leite fresco
– 400 gramas de chocolate meio amargo
– 1 pau de canela
– 1 fava de baunilha ou 1/2 colher de chá de extrato de baunilha

Como fazer

1. Pique o chocolate meio amargo e coloque-o numa tigela ou vasilha que possa ser tampada depois.

2. Se estiver usando a fava, parta-a no meio e raspe as sementes. Junte essas semenstes, a fava vazia, o leite, creme de leite e a canela numa panela média. Leve em fogo baixo e, assim que levantar fervura, desligue. Retire a fava e o pau de canela.

3. Derrame o líquido quente na tigela onde está o chocolate e mexa com uma espátula até que ele esteja completamente derretido. Deixe a mistura esfriar, tampe e leve à geladeira por 8 horas ou de um dia para o outro.

4. Na hora de servir, aqueça o chocolate e, se quiser, sirva com um pedaço de canela para misturar.

Você pode gostar...

14 Resultados

  1. Eu adoro a Serra Gaúcha, sempre que dá gosto de dar um pulinho por lá (uma das partes boas de morar no Sul hehe). Adorei essa receita de chocolate quente, nunca fiz com creme de leite fresco – deve ficar rico e encorpado <3 Pra mim, o chocolate quente da Caracol briga lado a lado com o da Lugano (sempre intercalo os dois #vaigordinha). Ah, e como o post é antigo, já está na hora de voltar pra essas bandas, né? :)) Beijos

    • marinamaria disse:

      Eu sinto tanta saudade da Serra Gaúcha… Sério, tem dia que acordo sonhando com a paisagem, a comida da Casa Vanni e o chazinho da Casa Valduga. Sobre o chocolate quente, se você tiver um leite integral muito bom, nem precisa usar o creme de leite. É que como nossos leites brasileiros (pelo menos os de supermercado) costumam ser “aguados”, a gente precisa dar uma ajuda pra aumentar o percentual de gordura e dar a cremosidade necessária. Quando faço com Leitíssimo, por exemplo, nem uso o creme de leite. No Sul eu só tomei na Caracol, nem sabia que tinha na Lugano! Confesso que lá foi um dos poucos lugares onde realmente gostei do chocolate, então devia ter provado… Ah, a verdade é que preciso mesmo voltar! Agora tenho um motivo a mais, que é te conhecer! 😉

  2. Ana disse:

    Enncantadoras as fotos Nina! Ilustram bem a sua narração… Quanto ao chocolate quente, vamos dar um plus de rum qualquer dia desses? bs!

  3. Mario C. disse:

    Receita perfeita para o frio!

  4. Taís disse:

    Oi meninas! Marina, estou indo passear em Gramado/Canela neste próximo final de semana, foi mesmo bem legal ler a opinião de alguém de fora – como a Ju comentou. Mesmo estando em uma viagem a dois com meu “namorido” a ideia é bater perna mesmo, passear no centro de Gramado como vocês fizeram. Como é gostoso fazer esse tipo de passeio né ?

    Se precisar de dicas para uma próxima viagem ao Sul não deixe de pedir 😉

    Adorei a receita do chocolate quente! Vou testar com certeza!

    Agradeço pelas visitas ao blog e aproveito para elogiar ao seu, sempre transbordando de textos ótimos! Gosto muito de ler teus posts.

    Beijos, Taís.

    • marina maria disse:

      Ah, vai ser uma delícia a viagem sim, Tais! Aproveite muito! Amanhã vou postar algumas dicas de gastronomia, quem sabe vocês podem aproveitar alguma.

      Obrigada pelo carinho!

      Beijoca!

  5. Juliana disse:

    Olá!

    Sou muito fã do teu blog, adoro ler os posts, e amo as fotos das receitas, porém confesso nunca ter preparado nenhuma. :S É que não levo muito jeito na cozinha….

    Mas, até hoje, nunca havia comentado aqui. Escolhi fazer isso hoje, principalmente, porque moro na Serra Gaúcha, mais precisamente em Caxias do Sul, e estes pontos turísticos que você descreveu são bem ‘comuns’ para mim. Foi bom ler algo novo a respeito deles, algo escrito por alguém que não é daqui, me fez ter um outro olhar.

    Que bom que pudemos contar com uma visita tão especial quanto a sua.
    Se te interessar tenho uma amiga daqui que tem um blog ótimo de culinária que tem ideias muito boas. O endereço é: http://www.mieilimoni.blogspot.com

    Beijos e sucesso no blog.

    • marina maria disse:

      Ei Juliana! Eu já conheço o blog da Tais, menina! Já sigo tem um tempo já e adoro! Que legal que vocês são amigas. Fico contente que tenha gostado do post sobre essa terrinha de vocês, que é boa demais… o sul é lindo, já estou com vontade de voltar. Da próxima vez quero conhecer Caxias também!

      E esse negócio de jeito na cozinha é só prática, viu? Basta gostar. Eu já queimei (e continuo queimando) muito bolo nessa vida…rsrs.

      Muito obrigada pelo carinho! Um super beijo!

  1. 31 de dezembro de 2012

    […] receita mais acessada: Foi o chocolate quente que ensinei no post sobre minha viagem à Serra Gaúcha. Esse é bom de verdade mesmo. Faz o […]

  2. 9 de julho de 2013

    […] ← Serra Gaúcha sem romantismo (parte 1) + O verdadeiro chocolate quente Sopro do tempo + Pão italiano integral → 24/05/2012 · 16:49 ↓ Jump to Comments […]

  3. 30 de agosto de 2013

    […] 1. Chocolate quente cremoso […]

  4. 13 de maio de 2014

    […] – Chocolate quente […]

  5. 13 de setembro de 2014

    […] dia tão gelado.  Mas quanto ao chocolate que tomamos, a ideia original era fazer a receita da Marina Maria, mas no fim acabei não testando porque esqueci de comprar o chocolate em barra. Saiu então outra […]