A subjetividade do pudim

Desde os 16 anos eu não me arrisco a fazer pudim de leite condensado. É uma das minhas sobremesas favoritas e, por isso, não é qualquer um que me agrada. Depois de muito tentar, concluí que deve existir algo de subjetivo, de peculiar no pudim que eu não consigo descobrir, já que nunca fica do jeito que espero. E eu espero que ele se pareça com o da minha avó, para quem eu pedi diversas vezes para me contar como fazer. E ela explicava com uma simplicidade tamanha que não parecia que podia dar errado. Mas dava. O pudim demorava muito tempo no forno e não saía lisinho e cremoso. Ficava meio duro, com furinhos e um leve sabor de ovo no fundo. Acabei deixando para lá, achando que pudim é uma dessas coisas que só avó ou mãe sabe fazer direito

Ontem senti que tinha chegado o momento de tentar de novo. Afinal,  cozinhei muitas coisas nos últimos meses, algumas até bem difíceis. Por isso cheguei na cozinha confiante. Comecei pela calda e fiz do jeito que minha mãe ensinou (ela sempre fazia a calda dos meus pudins falidos e era a única parte realmente boa). Na primeira vez, a calda empedrou depois que adicionei água ao açúcar. Fui para a segunda tentativa e lembrei que a água precisava estar quente. Achei que tinha detectado o erro, só que não: empedrou de novo. Pensei então que mexer a calda com uma colher  estava causando o “empedramento”. Round 3: esquentei a água antes e movi a panela para misturar a calda. Deu quase certo, mas restaram gruminhos de açúcar e ficou rala demais. Último round! Diminuí a quantidade de água. Sobraram de novo gruminhos, mas dessa vez menores. Passei a calda na peneira e ficou tudo certo. Ufa.

Logo que coloquei o pudim no forno e respirei aliviada, bateu um desespero: tinha esquecido de acrescentar maizena no creme. Nessa altura do campeonato, resolvi desapegar. Já tinham se passado mais de duas horas desde que havia começado o processo e eu precisava sair. Deixei o pudim sob os cuidados da minha mãe e saí preocupada como se aquilo fosse um filho ficando para trás no seu primeiro dia longe de mim. Ligava de meia em meia hora para ela, querendo saber como estava o bichinho. QUATRO HORAS INTEIRAS de angústia depois ele resolveu ficar pronto.

Resultado: ficou bonito, gostoso, mas com a textura estranha. Tenho certeza que houve um erro técnico no meio do caminho. E é por isso que hoje não tem receita. Mas no fundo acho que o que faltou foi o feeling do pudim que ainda não tenho. E que não tinha como minha avó me ensinar…

Bonito ficou, mas...

7 Resultados

  1. Priscilla Marques disse:

    Mah! Minha mãe sempre fez um pudim maravilhoso. As vezes que tentei até que deu certo. Quem sabe fazemos uma tentativa em dupla? Beijos

  2. Ludmila disse:

    Para um pudim LISO e sem “furinhos” #ficaadica: Quando batemos qualquer coisa no liquidificador sempre fica uma espécie de “espuma” na parte superior do líquido, isso nada mais é que “AR”. Basta esperar essa espuma “descer” e despejar o conteúdo na forma de pudim. PRONTO! VOCÊ TERÁ UM PUDIM LISO! kkkkk 😉

  3. mariaasborges disse:

    Marina, não sou ” expert ”, mas seu pudim ficou lindo!
    Você não deu o detalhe da textura que não lhe agradou, contudo pode ter faltado maciez por conta do leite dos dias atuais no BRASIL [ QUE É MUITO POBRE EM GORDURAS].
    Por incrível q pareça, minha nora sempre elogia o meu!!!!!
    Descobri que um bom creme de leite ajuda bastante na textura e sabor.Acrescento alem da medida do leite umas boas coleradas [6 p cada lata de L cond.+/-]. A calda não ponho água.Derreto o açúcar na própria forma em fogo bem baixinho [duas xic. de a. cristal]. Muita paciência nessa hora! Quando fica bem suave e cor de caramelo com deve ser, rapidamente entorno na forma, que pode ser nela toda ou só no fundo . o calor dispersará p os lados, qdo for ao forno. Daí espero começar a “‘estalar” o açúcar c/ a diferença de temperatura, pq aí já é hora de estar com a forma forrada c/ a calda, fora do fogo, lógico. Só então, entorno o pudim batido há pelo menos 15 minutos atras, já ”descansado” no próprio liquidificador. Misturo um pouco, jogo na forma coando, descartando a ”espuma”. Banho maria já c/ água morna. Forno bem brando, mais de uma hora [ no meu ].Comigo tem dado certo . Costumo também substituir uma das medidas do leite por suco natural de laranja. Não fica sabor forte.Uma colher de essência de baunilha também faz a diferença Um ”tiquinho” de raspas na calda dá um grande resultado [para quem curte]
    Espero sinceramente ter dado minha contribuição para sua chegada à perfeição no pudim

    Um abraço
    angelica

    • marina maria disse:

      Ei Angélica! Obrigada pelas dicas, já anotei todas. Vocês estão me ajudando muito, da próxima vez acho que vou arrasar no pudim! Muito obrigada mesmo! Beijoca

  4. 2byfood disse:

    Marina, te damos maior força para continuar tentando a receita ideal. Fazer pudim é quase uma arte, porque quase ninguém acerta e todo mundo acha que é fácil fazer.
    Quando encontrar o pote de ouro no final do arco íris, posta a receita aqui pra gente!

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