Um amor platônico e mini-pavlovas

Quando crescer vou ser “dançora”, escritora e professora. A frase é de um desenho (profético) que fiz aos 6 ou 7 anos, idade em que já havia encontrado o grande amor da minha vida. Um amor platônico que durou dos 5 aos 23 e deixou resquícios no coração – e nos joelhos – até os dias de hoje.

Platônico porque existiu mais como idealização do que como possibilidade real. Explico: eu dancei durante todos esses anos, muitos deles por várias horas de quase todos os dias da semana. No entanto, mantinha com a dança uma relação de objeto inatingível, de sonho distante. Fantasiava em fazer disso minha profissão como quem deseja, sei lá, ser astronauta ou paquita.

A dança era quem eu era, onde eu estava, o que eu fazia. Lugar da minha segunda família. Eu dançava esperando o elevador, saltava poças d’água fazendo ponta de pé, dormia repassando as coreografias na cabeça. Treinava equilíbrio no ônibus. Tudo para pisar no palco, sentir o calor das luzes na cara, o cheiro de gel no cabelo, o suor da amiga do lado. Ouvir as palmas e o coração batendo.

Dançar era um jeito de emitir uma energia, uma luz que urgia de dentro, como que de uma lâmpada que precisava ser acesa. Era um alívio. Uma necessidade.

Quando resolvi encarar a dança de verdade, fora do mundo das ideias, buscando nela uma carreira, o sonho evaporou. Vi que aquilo não era para mim. Ou, quem sabe, e bem provavelmente, eu não era para aquilo. Talvez não tivesse o que era preciso. As limitações do corpo eram demais, a frustração era demais, eu estava ficando velha demais. O desejo também era demais – tanto que persistiu mesmo diante da demasia – mas a realidade era ainda demais.

A fantasia acabou, mas o sentimento platônico pela dança nunca se foi por completo. Ainda me reencontro com ela de tempos em tempos, seja por meio de minhas sapatilhas ou de outras bailarinas queridas. Quando acontece, sinto um pouco como se estivesse diante de um amor adolescente do qual nunca me esqueci, do tipo que faz pensar “e se a gente se reencontrasse?”, “e se ela me desse mais uma chance?”, “e se…”
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“Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido”.
Woody Allen – Neblas e Sombras, 1992

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Mini-pavlovas com cream cheese, cerejas frescas e morangos
Diz a história que a receita da pavlova foi criada em homenagem à bailarina russa Anna Pavlova, durante sua turnê pela Austrália e Nova Zelândia nos anos 20. Há  polêmica sobre quem foi realmente o criador e em qual dos dois países ela surgiu, mas o fato é que essa sobremesa virou um clássico. Eu resolvi fazer em porções individuais, mas pode ser feita em “tamanho normal”, como no formato de um bolo. A cobertura tradicional é de chantilly, mas aqui experimentei fazer uma com cream cheese. Ainda não sei qual das duas gosto mais…

Rende 6 mini-pavlovas

Ingredientes

Base:
150 ml de claras de ovos (cerca de 4 claras grandes)
1 xícara de açúcar refinado (200 gramas)
2 colheres de chá de amido de milho
2 colheres de chá de vinagre de vinho branco
½ colher de chá de extrato de baunilha

Cobertura:
300 gramas de cream cheese em temperatura ambiente
2 colheres de sopa de açúcar refinado
Morangos e cerejas picadas (ou outras frutas de sua preferência)

Como faz

1. Ligue o forno e regule-o para 150ºC. Separe duas assadeira. Se elas tiverem laterais muito altas, vire-as de cabeça para baixo e use as costas. Forre com papel manteiga e use um lápis para desenhar 6 círculos de 8 cm de diâmetro. Eu usei de molde um pires pequeno de café que tinha esse tamanho. Unte o papel levemente com óleo.

2. Bata as claras em neve. Assim que começarem a formar picos firmes e macios (não bata demais, senão ficam duras), acrescente o açúcar, uma colher por vez. Bata a cada adição para que o açúcar dissolva. Continue batendo até que o merengue fique bem firme e brilhante. Dependendo da batedeira, isso pode demorar uns 10 minutos. Só pare quando puder virar a tigela, como se fosse colocá-la de cabeça para baixo, sem que a mistura escorregue.

3. Peneire o amido de milho na tigela, misturando também a baunilha e o vinagre. Use um batedor de claras para incorporar tudo, delicadamente.

4. Com a ajuda de uma espátula, distribua a mistura na forma usando os círculos desenhados como guias, dando forma aos poucos, como se fossem bolinhos.

5. Leve as as pavlovas ao forno e diminua a temperatura para 120ºC. Se o seu forno não tiver uma regulagem tão baixa, coloque na menor temperatura possível e deixe uma colher de pau segurando a porta do forno.  Elas ficarão lá por cerca de 1 , até que tenham formado uma casquinha firme, talvez um pouco craquelada (as minhas ficaram 1h20). Evite abrir a porta do forno durante esse tempo.

6. Quando estiverem prontas, desligue o forno e deixe-as lá dentro até que esfriem completamente. Remova-as com cuidado do papel manteiga e coloque-as numa gradinha para decorá-las.

7. Para a cobertura, bata o cream cheese com o açúcar e espalhe-o por cima das pavlovas. Jogue os morangos e cerejas por cima e sirva. Não se assuste se o meio afundar – é exatamente nesse cavidade que devem ficar o creme e as frutas.


A Pavlova sobremesa…

E a Pavlova bailarina…

PERA AÍ!

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3 Resultados

  1. Flávia Dorado disse:

    Ai Nina, deu saudade… que estrago! Vou ter que me recuperar agora. Demora muito?

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